Carnegie Hall disponibiliza seus arquivos para consulta gratuita

por Camila Frésca 25/07/2013

Ótima notícia para os pesquisadores e melômanos de plantão: o lendário Carnegie Hall, de Nova York, acaba de disponibilizar parte de seus arquivos para consulta gratuita on-line. Podem ser consultados eventos musicais ou de qualquer outro gênero que tenham acontecido na casa entre 1891 – ano de sua fundação – até 1941, o que significa quase 13 mil registros disponíveis. Gradualmente, a instituição irá colocar na rede todo o seu acervo, uma base de dados com mais de 50 mil documentos. As buscas podem ser feitas por palavras-chave, compositor, obra, intérprete, data ou período, e os resultados ainda podem ser filtrados a partir de outros parâmetros.

Um dos templos da música de concerto nos Estados Unidos, o Carnegie Hall guarda em seus registros boa parte da memória musical daquele país – e consultar o acervo é quase obrigatório para os pesquisadores da área. Fazendo uma busca por Jascha Heifetz no campo “performer”, por exemplo, nos deparamos com quase uma centena de recitais que o músico deu na casa até 1941, incluindo sua estreia nos Estados Unidos, no sábado 27 de outubro de 1917, às 14h30. Aos 16 anos de idade Heifetz apresentou, na sala principal, um extenso repertório com obras de Vitali, Wieniawski, Schubert, Mozart, Chopin, Beethoven, Tchaikovsky, Paganini e Tartini, acompanhado pelo organista Frank L. Sealy e pelo pianista Andre Benoist. Os resultados da pesquisa podem ser salvos em arquivo .PDF ou em um link


Heitor Villa-Lobos [fotos: divulgação]

Claro que não resisti e fui procurar um autor brasileiro. Escolhi Villa-Lobos como “palavra-chave” e surgiram 14 entradas. Descobri então que o pianista Alexander Brailowsky foi o primeiro a interpretar o compositor no Carnegie Hall. Em recital do dia 31 de janeiro de 1926 ele mostrava ao público norte-americano Alegria na horta, terceiro e último movimento da Suíte floral, obra escrita entre 1917 e 1918 e hoje não muito executada. Também interpretaram Villa-Lobos a Orquestra da Filadélfia em 1928 (Danças características africanas); Arthur Rubinstein em 1939 (três peças da Prole do bebê); e a Filarmônica de Nova York, que em 12 de março de 1941 fazia a estreia norte-americana da primeira suíte de Descobrimento do Brasil, sob a batuta de Sir John Barbirolli.

E o que acontece se combinamos a “palavra-chave” Villa-Lobos com o “performer” Jascha Heifetz? Descobrimos que no dia 7 de dezembro de 1940 Heifetz dava um recital no Carnegie Hall ao lado de Emanuel Bay. Após sonatas de Grieg e Beethoven e a Chacona da Partita nº 2 de Bach, Heifetz interpretava O canto do cisne negro e Mariposa na luz de O martírio dos insetos. O concerto, aliás, seguiu em clima brasileiro com Corcovado de Saudades do Brasil (Darius Milhaud) e teve também Flausino Vale e seu Prelúdio nº 15, “Ao pé da fogueira” – que erroneamente saiu atribuído ao compositor Edgar Daniel Del Valle (1861-1920).

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