Diário de Salzburgo 2014 – Parte 3

Dia 5 (19/08): Rudolf Buchbinder
Eu ainda não conhecia a Grande Sala do Mozarteum de Salzburgo, onde o pianista Rudolf Buchbinder está executando a integral das sonatas para piano de Beethoven – um ciclo que está sendo gravado em DVD pela Unitel Classica. Toda de madeira, a sala é um charme, está dotada de um Steinway de qualidade e sonoridade excepcionais, e parece o ambiente ideal para esse tipo de iniciativa.


A tradicional Grande Sala do Mozarteum de Salzburgo [foto: Christian Schneider/divulgação]

O pianista austríaco, que completa 68 anos em dezembro, é um velho conhecido do público brasileiro, levando com regularidade a nosso país sua leitura do repertório central austro-germânico. Vi a sexta e penúltima das sete apresentações, que mesclava obras raras e consagradas.

A apresentação começou com a pouco executada Sonata op. 22, cujo ponto principal é um adágio de melodismo italianizante, seguido pela Sonata op. 49 nº 2 – item quase obrigatório para estudantes de piano. A primeira parte foi concluída com o melhor item da noite, uma Sonata patética de brio e caráter.

Depois do intervalo, outra peça “didática” de Beethoven – a Sonata op. 79. Aí Buchbinder parece ter guardado as energias para o item final – uma Sonata Waldstein que talvez tenha padecido de excesso de energia. Pois o primeiro movimento foi abordado com uma velocidade tão grande que me fez temer pelo resto da execução. No rondó, depois de abordar o tema de modo relativamente tranquilo, o pianista retomou o frenesi do começo da sonata. Foi uma Waldstein no fio da navalha, no limite entre o controle e a perda.


Rudolf Buchbinder é ovacionado pelo público após o recital [foto: Silvia Lelli/divulgação]

Depois do recital, como o Triangel estivesse ocupado pela festa em que Anna Netrebko oficializava seu noivado com o tenor Yusif Eyvazov, do Azerbaidjão, jantei no Salzachgrill, o restaurante do Hotel Sacher, onde um amigo bem-informado me contava que a diva russa deve aparecer em 2020 no Festival de Bayreuth, cantando Elsa em uma montagem de Lohengrin, de Richard Wagner. O mesmo amigo me adiantou alguns itens da programação do Festival de Salzburgo em 2015: Fidelio, de Beethoven; Ifigênia em Táuris, de Gluck; e Christian Thielemann regendo um programa duplo com Cavalleria rusticana, de Mascagni, e Pagliacci, de Leoncavallo.

[Leia Diário de Salzburgo 2014 – Parte 1]
[
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[Leia Diário de Salzburgo 2014 – Parte 4]
[Leia Diário de Salzburgo 2014 – Parte 5]

[O jornalista Irineu Franco Perpetuo viajou a Salzburgo a convite da Casa do Saber e da Latitudes Viagens de Conhecimento.]

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