Gente nova, música nova

por Leonardo Martinelli 21/07/2008

Jovens compositores brasileiros estão dando o que falar na cena internacional, mas você não vai ouvir nada disso por aqui. Nos últimos meses vários destes artistas – todos na faixa dos vinte/trinta anos – foram premiados em concursos internacionais, algo que efetivamente podemos nos orgulhar tendo em vista o altíssimo grau da concorrência.

Em junho Sergio Kafejian foi premiado no concurso do Festival Internacional de Música Eletroacústica e Arte Sonora de Bourges, na França, com a obra "In Harmonica", para violão e sons eletroacústicos. Ainda no mês passado, Rodrigo Lima abocanhou o Prêmio Ibero-Americano Rodolfo Halffter, na Espanha, com a peça "...Quando se muda a paisagem...", para orquestra de câmara. Poucas semanas atrás foi a vez de Felipe Lara, agraciado com Prêmio Staubach, que além de alguns milhares de euros, lhe rendeu também a encomenda de uma nova obra a ser estreada pelo conceituado Arditi String Quartet no mítico festival de verão de Darmstadt, na Alemanha.

Prêmios como estes são apenas a ponta de um iceberg, não só na carreira destes compositores, mas de toda uma geração.

Desde que o ensino composição foi se consolidando em nossas universidades ao longo das últimas décadas, vários talentos têm sido revelados. Mas mais do que simples compositores, é notável o grau de comprometimento que estes jovens artistas têm em trilhar o caminho da "música nova" (afinal, nem toda composição é, de fato, criação). Debruçando-se sobre as mais recentes estéticas, poéticas, técnicas e temáticas, estes jovens têm cada vez mais chamado a atenção do mundo, realizando seus estudos nas melhores escolas do planeta, participando de importantes cursos, tendo suas obras tocadas por conceituados músicos e ganhando concursos. E, é claro, nada disso será escutado por aqui.

Por quê? Bem, a questão é complexa e envolveria muitos "poréns" e "entretantos". Mas de uma forma geral, podemos creditar este fato à imaturidade de nosso pensamento e práticas musicais. Imaturidade de quem as faz, de quem as gerencia, de quem as ouve, de quem as estuda, de quem as ensina, de quem as consome. Esta imaturidade se manifesta não apenas na questão dos jovens compositores e da música moderna, mas também de qualquer outra forma de manifestação musical que se afaste do "gosto imaturo" (afinal, a música antiga e camerística no Brasil também passam por maus bocados por conta desta imaturidade).

As premiações internacionais de Lara, Kafejian e de Lima nos mostram o quanto ainda há para explorar de nossos talentos musicais e que ainda estamos longe – muito longe – de reverter nosso histórico provincianismo estético.

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