Klein no Municipal: agora vai?

Deslocada de sua sede, desprestigiada, e desprovida de programação digna de nota, a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo deu o primeiro passo para sair da crise. Um dos mais respeitados músicos brasileiros, o regente e oboísta gaúcho radicado em Curitiba Alex Klein, 46, assumiu a chefia da orquestra.

Lembrando: em 27 de maio, 21 chefes de naipe da OSM redigiram carta pedindo a saída de Rodrigo de Carvalho do comando da sinfônica. Uma votação interna teve resultado eloquente: foram 88 votos contra o maestro, e quatro a seu favor.

Era a crise. A diretora do Teatro Municipal, Beatriz Franco do Amaral, imediatamente entrou em férias. Os músicos começaram a se queixar de ameaças de retaliações, como o cancelamento de seus contratos e até a extinção da orquestra. Eram pressionados a uma retratação pública, enquanto o discurso das autoridades fazia crer que o Municipal vivia um clima de felicidade e fartura digno do romance infanto-juvenil Poliana (1913), da norte-americana Eleonor H. Porter (1968-1920).


Alex Klein [Foto: divulgação]

Felizmente, contudo, as mesmas autoridades que negavam haver uma crise começaram a trabalhar para solucioná-la. E, enquanto parecia claro não haver mais clima para Carvalho seguir à frente da orquestra, foram abertas negociações com o maestro Abel Rocha, bem como com os três nomes surgidos da lista tríplice que emergiu em votação interna da sinfônica: Alex Klein, Carlos Moreno e Luiz Fernando Malheiro.

A escolha recaiu sobre Klein, que, em busca de recuperar o tempo perdido, marcou seu concerto de estreia para o mais cedo possível: 15 de outubro. Ainda na acanhada Sala Olido, já que a arrastada reforma do Municipal não deve acabar antes do ano que vem.

Extremamente respeitado como oboísta, Klein já tinha regido alguma das melhores orquestras do Brasil como convidado desde que a distonia focal o obrigou a restringir suas atividades como instrumentista. A OSM tem tudo para ser seu ponto de virada como regente: é o primeiro grande emprego de responsabilidade que ele assume na nova carreira. A favor, ele conta com o respaldo dos integrantes da orquestra, além da elevada reputação como músico. Contra, a falta de experiência em um campo no qual se espera que a OSM volte a atuar com desenvoltura: a ópera.

A torcida é para que Klein rapidamente consiga resgatar a autoestima e a qualidade de uma orquestra que, até pouco tempo atrás, era vista como a segunda de São Paulo e, contudo, passou a sofrer um desgaste e uma desvalorização incompatíveis com seus méritos e a sua história. Torcemos ainda para que ele receba o respaldo e as condições de trabalho que permitam à orquestra recuperar o posto que merece com uma das mais notáveis instituições musicais do Brasil. Força, Alex!