Theatro Municipal do Rio de Janeiro abre segundo semestre com boas perspectivas

por Nelson Rubens Kunze 10/08/2015

Estive no Rio de Janeiro no fim de semana e assisti, na sexta-feira, dia 7, ao concerto de abertura do segundo semestre do Theatro Municipal, primeiro evento da nova gestão de João Guilherme Ripper e André Cardoso. Quem acompanha a Revista CONCERTO sabe de meu entusiasmo em relação aos novos rumos do teatro. Após anos de imobilismo, parece que finalmente o governo do Estado resolveu fazer o teatro funcionar. E funcionar significa, em poucas palavras, retornar à comunidade, em forma de concertos, óperas e balés, os recursos públicos investidos (talvez os recursos ainda estejam muito aquém do que o Municipal carioca mereça, mas eles mantêm orquestra, coro, balé e uma ampla equipe de produção e administrativa...).


Palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que estreou sua temporada do 2º semestre [foto: divulgação]

Assim, em tempo recorde, Ripper e sua equipe colocaram de pé uma programação de concertos sinfônicos, quatro óperas e dois balés e – nada desprezível em razão da logística que demanda – um plano de assinaturas. Fiquei puxando pela memória para tentar lembrar quando foi a última temporada de assinaturas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sem sucesso. Na noite do espetáculo, soube que foi em 2001, ou seja, há 14 anos! Uma temporada de assinaturas é o primeiro passo para um real compromisso de um teatro público para com a comunidade na qual está inserido. Que bom que este desprezo olímpico – aqui todo mundo fala em Olimpíadas! – esteja agora sendo superado.

A apresentação contou com a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, sob regência do maestro titular Silvio Viegas. Na primeira parte, a abertura de Rosamunde, de Schubert, e Sinfonia nº 35, Haffner, de Mozart; na segunda, com a participação do Coro do Theatro e dos solistas vocais Flavia Fernandes, Lara Cavalcanti, Geilson Santos e Maurício Luz, o Te Deum de Anton Bruckner. Se a performance refletiu a crise sistêmica que a casa atravessou nos últimos anos – a orquestra ficou devendo nas partituras transparentes e delicadas de Schubert e Mozart –, ela também demonstrou os recursos e o potencial dos corpos estáveis do teatro, como ficou claro no grandioso Te Deum de Bruckner.

Antes de atacar a temporada lírica, em setembro, o teatro ainda terá dois outros compromissos corais-sinfônicos neste mês: no dia 14, o maestro Tobias Volkmann rege obras de Dukas (O aprendiz de feiticeiro), Ravel (Pavana para uma infanta morta) e Debussy (A tarde de um fauno e Nocturnes, para orquestra e coro feminino); e no dia 28, quando o coro e a orquestra apresentarão a Petite messe solennelle, de Rossini, sob direção de Jésus Figueiredo.

Depois, em 25 de setembro, o Theatro Municipal fará a estreia de Don Pasquale, de Donizetti, produção original de Buenos Aires Lirica, com direção musical de Silvio Viegas e direção cênica de André Heller-Lopes. Oxalá a temporada seja um balão de ensaios para um novo Theatro Municipal do Rio de Janeiro, moderno e com responsabilidade social, gerador e difusor de cultura, que esteja à altura da história do mais tradicional palco lírico do país.


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