Uma temporada inclusiva, feita com inteligência

por João Marcos Coelho 19/12/2017

A cada ano, a temporada de concertos internacionais da série Tucca torna-se mais relevante. Praticando uma saudável mistura entre a música de concerto e outros gêneros, ela acaba funcionando como um espaço privilegiado onde se pode acompanhar apresentações diferenciadas que em geral não chegam por aqui. Não porque sejam inacessíveis, mas porque poucos pensam de modo criativo na elaboração das séries musicais da cidade.



 

Em 2018, vale a pena chamar a atenção para o equilíbrio conquistado entre estes dois pêndulos da temporada. De um lado, os clássicos são representados por atrações de primeiro nível, como o contratenor Andreas Scholl (setembro) numa inusitada parceria com um virtuose do bandolim, Avi Avital. Ambos estão em momentos excepcionais em suas carreiras. A violinista Sarah Chang sola com a orquestra de câmara do Concertgebouw (agosto) completa o cardápio clássico.

Com em pé no erudito e outro no jazz, o maravilhoso duo da soprano Natalie Dessay com um dos músicos mais notáveis e inclusivos do nosso tempo, Michel Legrand, tem tudo para encantar nossos ouvidos em março.

E, mais claramente centradas no clima jazzístico,  duas ótimas cantoras: Stacey Kent e o sax-tenor Jim Tomlinson aliam-se à Orquestra Jazz Sinfônica (junho); e Dianne Reeves vem em outubro.

Mas a maior atração de 2018 da Tucca sem dúvida é o quarteto de Branford Marsalis, saxofonista e irmão mais velho de Wynton. Branford tem ciscado bastante no domínio da música contemporânea. Uma de suas aventuras mais extraordinárias é o CD gravado ao vivo em 2014 “In my solitude: live at Grace Cathedral” em São Francisco – a mesma igreja que acolheu um dos Concertos Sacros de Duke Ellington nos anos 1960. É maravilhoso o modo como seu saxofone explora as reverberações do átrio monumental da catedral para nos levar a uma viagem inclusiva inesperada. Ela passa por clássicos do american songbook, como “Stardust”, acena com clássicos como o “Poco Adagio” da “Sonata em lá menor para oboé Wq. 132, de Carl Philipp Emanuel Bach e salpica, entre umas e outras, improvisos, música criada sob o impacto de uma acústica privilegiada. Branford se alterna entre o soprano, o tenor e o alto.

Por tudo isso, acrescente a seu cardápio pessoal da temporada 2018 de música em São Paulo ao menos três das atrações da Tucca: os duos Dessay/Legrand e Scholl/Avital; e o quarteto de Branford Marsalis.

[Clique aqui para ouvir Brandford Marsalis em “Who needs it”, no YouTube.]

[Clique aqui para mais informações da temporada da Tucca.]