Fundação Osesp apresenta consultores internacionais

por Redação CONCERTO 06/03/2009

Em uma coletiva de imprensa realizada quinta-feira – poucas horas antes da estreia da temporada 2009 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo –, a Fundação Osesp (FO) apresentou seus dois consultores internacionais, o norte-americano Henry Fogel e o britânico Timothy Walker. Os dois, em conjunto com dois membros do Conselho da Fundação – Luiz Schwarcz e Persio Arida – dois músicos da orquestra e o seu diretor executivo – Marcelo Lopes –, comporão o comitê de busca, que deverá propor um nome para assumir a direção da orquestra a partir de 2011. Como é de conhecimento geral, até lá a Osesp terá como regente principal Yan Pascal Tortelier, que assumiu em lugar do maestro John Neschling, demitido em janeiro passado. Conforme Fernando Henrique Cardoso, presidente do Conselho da FO, hoje a direção artística é dada pelos consultores internacionais e o diretor executivo Marcelo Lopes, “sempre em diálogo com o maestro Tortelier”. O comitê não tem um prazo definido para encerrar o seu trabalho.

A ideia de parceria, colaboração e trabalho em equipe foi a tônica das opiniões. Tanto Timothy Walker, que é diretor executivo e artístico da Filarmônica de Londres, quanto Henry Fogel, ex-presidente da Liga Americana de Orquestras e ex-diretor executivo da Orquestra Nacional de Washington e da Sinfônica de Chicago, foram unânimes em afirmar, primeiro: que não existe um modelo único e ideal; segundo: que é imprescindível que haja um espírito de cooperação e de trabalho conjunto.

Os dois consultores também relativizaram a importância de se ter apenas uma pessoa acumulando os cargos de diretor artístico e regente titular. “A orquestra que tem mais sucesso é aquela na qual não se sabe exatamente quem tomou a decisão. É verdadeiramente uma parceria. Eu acredito [no modelo que tivemos] em Chicago, onde tive como parceiros Barenboim e antes Szolti, e em Washington, quando fui diretor ali, onde meu parceiro foi Rostropovich. Claro que são experiências diferentes com cada um dos três regentes, pois é a personalidades e o gosto do regente principal que em última instância modela o perfil da instituição”, afirmou Fogel. “Não é uma questão de saber ‘quem tem o poder’. Mas sim uma questão de ‘colaboração’”, completou.

Pedro Moreira Salles, vice-presidente do Conselho da FO, reafirmou que a estrutura não deve conferir poderes demasiados a apenas uma pessoa. “Nós estamos trabalhando para institucionalizar a orquestra, não vamos dar todo o poder decisório a uma pessoa só, quem quer que seja. As funções serão distribuídas entre pessoas capacitadas e competentes para cada uma fazer o seu papel”, declarou.

A Fundação Osesp e os consultores também confirmaram o nome do jovem maestro Kazem Abdullah, de 29 anos, como regente da turnê norte-americana que a orquestra realizará no segundo semestre. “A escolha natural teria sido o Sr. Tortelier, mas ele está sem agenda no período. A sugestão do Sr. Abdullah veio da CAMI (Columbia Artists Management), que é quem está organizando a turnê. Abdullah é incentivado pelo maestro James Levine, regeu há pouco um Orfeu de Gluck no Metropolitan, e só temos referências muito positivas sobre o seu trabalho”, afirmou Henry Fogel.

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