Theatro São Pedro anuncia temporada para 2019

por Redação CONCERTO 29/04/2019

O Theatro São Pedro terá mais três óperas em sua temporada oficial, anunciada hoje pela Santa Marcelina Cultura. Além de La clemenza do Tito, de Mozart, atualmente em cartaz, o teatro vai apresentar O caso Makropulos, de Janácek, L’italiana in Algeri, de Rossini, e a estreia mundial de Ritos de perpassagem, de Flo Menezes.

O caso Makropulos terá direção cênica de André Heller-Lopes e direção musical de Ira Levin, dupla que no ano passado apresentou Katia Kabanova, também de Janácek, no São Pedro. As récitas acontecem entre os dias 14 e 23 de junho. No elenco, estão cantores como a soprano Eliane Coelho, o tenor Eric Herrero, a mezzo soprano Luisa Francesconi, o tenor Giovanni Tristacci e o barítono Michel de Souza.

Em seguida, em agosto (dos dias 2 a 11), vem L’italiana in Algeri, de Rossini, com a maestrina Valentina Peleggi e a diretora cênica Lívia Sabag. Nos principais papeis estão a mezzo soprano Ana Lucia Benedetti, o tenor Aníbal Mancini, a soprano Ludmilla Bauerfeldt e os barítonos Rodolfo Giuliani e Douglas Hann.

Ritos de perpassagem, encomenda do São Pedro ao compositor Flo Menezes, estreia no dia 27 de setembro, entrecruzando episódios e ideias das trajetórias de Pitágoras e Johannes Kepler. A regência é de Eduardo Leandro e a encenação, de Marcelo Gama. À orquestra do teatro vai se juntar o Grupo Piap.

A Academia de Ópera do São Pedro vai apresentar duas óperas completas com a Orquestra Jovem do teatro. A primeira, em outubro, é A estrela, de Emmanuel Chabrier (com direção de Walter Neiva e do maestro André dos Santos). E a segunda, em dezembro, O peru de Natal, com libreto de Jorge Coli e música de Leonardo Martinelli, realizada em parceria com a Dinâmica Produções e a Cia. Ópera São Paulo, com regência de Miguel Campos Neto e direção de Mauro Wrona.

Antes, em maio, a academia apresenta o espetáculo Em família, com trechos de grandes óperas ligados às relações familiares – o roteiro é de Fabio Brandi, a direção, de Iacov Hillel e a regência, de Juliano Dutra.

A série sinfônica terá mais quatro programas além dos dois já apresentados. Cada concerto tem um tema, que se relaciona com a ideia de diversidade. Em agosto, Essência, com obras de Mahler e regência de Stefan Geiger; em outubro, Inspirações, com a maestrina Simone Menezes e a mezzo soprano Juliana Taino em obras de Ravel, Villa-Lobos e Piazzolla; em novembro, Cores e Sons, com John Boudler regendo peças de Ravel, Copland, Ives e Martinelli; e, em dezembro, Celebração, dedicado a Jacques Offenbach, com regência de Tobias Volkmann.

Hall de entrada do Theatro São Pedro [Revista CONCERTO / Thomas Susemihl]
Hall de entrada do Theatro São Pedro [Revista CONCERTO / Thomas Susemihl]

Política cultural

A demora no anúncio da temporada esteve ligada a uma questão financeira. Apesar da decisão do governo do Estado de suspender os cortes no orçamento da Cultura, a Santa Marcelina Cultura, organização social responsável pela gestão do Theatro São Pedro, já dependia de uma suplementação de R$ 3,5 milhões no orçamento. “Havíamos decidido suspender a programação tendo em vista essa dificuldade, mas na última sexta-feira recebemos do secretário Sergio Sá Leitão uma sinalização de que o governo vai encontrar uma solução e que devemos manter a programação. Com isso, podemos agora anunciar a temporada”, explicou Paulo Zuben, diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina. Zuben esclarece que isso resolve o problema para este ano, “mas precisamos pensar a médio e longo prazo, pois o déficit é uma realidade também para os próximos anos do contrato, que vai até 2022.”

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