Retrospectiva 2016 – Gilberto Chaves (depoimento de dezembro de 2016)

por Redação CONCERTO 19/01/2017

“O ano de 2016 sofreu o impacto da crise financeira que assola o país. Como disse o poeta Mário Faustino, ‘cultura e dinheiro andam juntos’, o resto é competência e criatividade. Pelo menos esta última não faltou ao Festival de Ópera do Theatro da Paz, que iniciou sua temporada cênica com um espetáculo inédito, Os pássaros perdidoso tempo no tango, baseado em Gardel e Piazzolla, dirigido por Caetano Vilela e coreografado por Luís Arrieta, com Fernando Portari e a cantora mexicana Eugenia León. Dança e vozes entrelaçadas na beleza da nostalgia. O Festival abriu com um grande concerto da soprano Adriane Queiroz e Miguel Campos Neto à frente da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP). O ponto alto do Festival foi Turandot com E. Coelho, R. Bauer, Kézia Andrade, Luciana Tavares, S. Sperandio, M. Wrona, H. Velho, G. Tristacci, A. Wilson, I. Souto e A. Mira, tudo sob os talentos de C. Vilela, V. Monteiro e M. C. Neto. Significativo foi também o concerto de 16 de dezembro, quando a OSTP completou 20 anos de existência. Um trajeto histórico e heroico no esforço da Secretaria de Cultura do Pará em servir e elevar a cultura do povo. No cenário nacional, onde a cultura só não fica abaixo da miséria, destacamos a Elektra do Municipal de São Paulo dirigida por Lívia Sabag e O escravo que salvou a pátria do ano Carlos Gomes, em bela montagem com R. Giugliani, F. Portari e A. Queiroz. As perspectivas para 2017 já foram anunciadas por todos como sombrias; vamos ter que enfrentar a tormenta com galhardia e criatividade. Aqui em Belém há um bloco carnavalesco chamado ‘Não posso me amofiná!’. O título para nós é sugestivo. Até lá!”

Gilberto Chaves, coordenador do Festival de Ópera do Theatro da Paz