OSB do B: a nova Sinfonia Cultura?

Depois de trocas de acusações pela imprensa, boicotes internacionais e uma barulhenta campanha na internet, a crise na OSB parece finalmente ter chegado ao fim. Os músicos que haviam se recusado a se submeter às “avaliações de desempenho” da sinfônica, e demitidos em consequência disso, agora serão reintegrados à instituição, formando uma nova orquestra, a respeito da qual nada se sabe - nem o nome.

 

O maestro Roberto Minczuk teve que abdicar da direção artística da OSB, mas sua cabeça, pedida com ênfase pelos demitidos, não lhes foi concedida. Então fica assim: de um lado, uma orquestra com mega salários, regida por Minczuk, tocando com solistas de quilate internacional. Do outro, músicos que não terão que aturar Minczuk, e continuarão no regime de trabalho antigo e com seus velhos salários. OSB “moderna” e OSB “Ancien Régime”: dois grupos antagônicos, que se xingaram durante meses, agora reunidos sob o teto da Fundação OSB. Se fosse aqui em São Paulo, diriam que a crise “acabou em pizza”.

A imprensa tem tratado a solução como inédita, mas não é bem assim. Com atraso, a OSB parece ter adotado estratagema similar ao empregado nas reformulações da Osesp e da Filarmônica de Minas Gerais.

Em Belo Horizonte, a denominação antiga (Sinfônica de Minas Gerais) ficou com os músicos que não quiseram entrar na nova estrutura, enquanto a orquestra “turbinada” adotou um nome novo (Filarmônica de Minas Gerais).

Já em São Paulo, a grife da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo permaneceu com o grupo que encampou a nova forma de trabalho, enquanto os músicos que não quiseram entrar no regime implantado por John Neschling ficaram em uma orquestra chamada Sinfonia Cultura, ligada à Fundação Padre Anchieta (e, portanto, à Rádio e Televisão Cultura).


Maestro Lutero Rodrigues, regente da extinta Sinfonia Cultura [foto: divulgação]

A breve e desafortunada história da Sinfonia Cultura deveria servir de alerta a quem acha que todos os problemas da OSB foram sanados com a criação da “OSB do B”. Desprestigiada e tratada como “refugo da Osesp”, a orquestra a duras penas conseguiu consolidar uma programação e uma linha de atuação quando o maestro Lutero Rodrigues centrou o foco de atuação do grupo na música brasileira de concerto.

Mesmo sem badalação, carecendo de recursos e lutando para sobreviver, a Sinfonia Cultura incomodava os poderosos sátrapas da Sala São Paulo apenas e tão somente por existir. Até que, com uma canetada, em janeiro de 2005, ela foi simplesmente aniquilada. De nada adiantaram os protestos: seus músicos foram para o olho da rua e, há seis anos, não temos mais orquestra que faça da música de nosso país seu principal foco e razão de ser.

Não estou dizendo que o mesmo tipo de “limpeza étnica” vá acontecer com a “OSB do B”. Mas acho que esse é um daqueles casos em que vale a pena contar de novo a História, justamente porque não desejamos que ela se repita.