Selo Digital Osesp lança oitavo volume e confirma vocação para a música brasileira

por Camila Frésca 23/02/2015

Osesp lançou neste ano o oitavo disco de seu Selo Digital, um volume dedicado a encomendas de obras que o grupo estreou em 2014. Orquestras lançarem seus próprios selos é uma tendência cada vez mais forte. A Sinfônica de São Francisco lança CDs e DVDs físicos por conta própria; a Orquestra Sinfônica de Londres disponibiliza um rico material por meio do selo LSO Live; já a Filarmônica de Berlim vai além, e tem a plataforma multimídia Digital Concert Hall.

 

O Selo Digital Osesp existe desde 2013, e lança gravações num formato de “CD virtual”, com sequencia de faixas, livreto etc.. Mas para além de mostrar que a orquestra está antenada com o que ocorre em outras instituições internacionais, é interessante destacar que existe um claro direcionamento nestes lançamentos: a música brasileira. A maioria dos discos é dedicada à obra de um compositor específico: Almeida Prado, Armando Albuquerque, Aylton Escobar, Brenno Blauth, Gilberto Mendes e Henrique Oswald. Há ainda um título homenageando os 40 anos de Gilberto Siqueira como primeiro trompete da orquestra. Desnecessário dizer a importância de registrar o repertório brasileiro, ainda tão pouco conhecido e divulgado. É um privilégio poder conhecer, por exemplo, a excelente obra coral de Aylton Escobar na impecável leitura do Coro da Osesp, ou ouvir as belas peças de câmara de Henrique Oswald com o Quarteto Osesp e Ricardo Castro ao piano. Muito desse repertório brasileiro não está sendo valorizado pela orquestra apenas por sua gravação, já que em vários dos casos o registro sonoro foi precedido pela edição da peça e/ou por sua própria encomenda.


Capas dos oitos álbuns virtuais lançados pelo Selo Digital Osesp desde 2013 [imagem: reprodução]

Afora essa valorização da música brasileira – com destaque para o repertório contemporâneo –, as gravações do Selo Digital nos permitem conferir como anda o trabalho de cada um dos grupos da casa – como os já mencionados Coro e Quarteto, além da própria orquestra. Acrescente-se a isso o fato de ser digital e gratuito, o que amplia consideravelmente sua circulação e potencial de divulgação futuro. Tudo somado, o interesse desses discos são imensos.

Nesse mais novo lançamento, foram contempladas peças encomendadas pela Osesp e estreadas pela orquestra em 2014: Variações temporais – Beethoven revisitado, de Ronaldo Miranda, para grande orquestra e com regência de Marcelo Lehninger; Tenerife, de Alexandre Lunsqui, para coro e conjunto de câmara, com direção de Celso Antunes; e Estética do frio III – homenagem a Leonard Bernstein, de Celso Loureiro Chaves, para piano (a cargo de Jean-Efflam Bavouzet) e quarteto de cordas. Com exceção da interessantíssima peça de Lunsqui (criada a partir de poema de Haroldo de Campos) as outras duas gravações foram feitas ao vivo, durante os concertos da temporada. Por isso mesmo, não são tão bem cuidadas quanto as feitas especialmente para o lançamento digital, como por exemplo os ótimos registros de Aylton Escobar e Gilberto Mendes. Seguindo o padrão dos lançamentos anteriores, o livreto, em PDF, traz informações, fotos e textos sobre as obras, os artistas participantes e as condições da gravação. Os oito discos do Selo Digital Osesp já se configuram numa coleção de referência para a música brasileira, e podem ser baixados gratuitamente no site da orquestra.

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