Fundação Osesp lembra os 50 anos do golpe militar com recital da pianista Ursula Oppens

por Redação CONCERTO 28/03/2014

A Fundação Osesp, em parceria com o Instituto Vladimir Herzog, promove, no dia 30 de março, um recital que lembra os 50 anos do golpe militar. Ocorrido entre os dias 31 de março e 1º de abril, o golpe levou o Brasil a uma ditadura militar, que suspendeu liberdades individuais e instituições democráticas por 21 anos.

 

Quem se apresenta é a pianista norte-americana Ursula Oppens, grande defensora da música contemporânea e engajada. Uma das maiores marcas de sua carreira foi sua atuação em peças de autores do século XX, como Luciano Berio, György Ligeti, Elliott Carter, Joan Tower e Witold Lutoslawski – muitos dos quais escreveram obras comissionadas por Oppens ou para ela dedicadas.

Uma das parcerias mais importantes de Oppens, de certa forma uma expressão de sua visão de música no mundo, foi com seu conterrâneo Frederic Rzweski, que dedicou a ela aquela que seria sua peças mais conhecidas: The people united will never be defeated. Trata-se de uma série de 36 variações sobre o tema ¡El puelo unido jamás será vencido!, do chileno Sergio Ortega. (Confira o vídeo de Rzewski interpretando a peça na seção Mídia).

A canção original fez parte do movimento de música engajada Nueva Canción Chilena, e foi gravada em 1973 – poucos meses antes do assassinato de Salvador Allende, então presidente do Chile. O país, como o Brasil e outros vizinhos da América do Sul, também entrou em uma sangrenta ditadura militar, comandada por Augusto Pinochet, que durou até 1990.

Composta em 1975, a peça de Rzewski expressa as incertezas e o otimismo da luta popular, em passagens de grande virtuosismo que desfilam por diferentes correntes estéticas da música moderna.

O repertório que Oppens interpreta na Sala São Paulo traz ainda obras curtas de Claudio Santoro, compositor e maestro brasileiro que, comunista, sempre se opôs ao regime militar.

Mais sobre o golpe

O Centro Cultural São Paulo (CCSP) também promove, em sua série Terça no Centro,  dois concertos que lembram os 50 anos do golpe militar e homenageiam os mortos da ditadura.

No dia 1º de abril, o Coral Paulistano, sob direção de Martinho Lutero, interpreta um repertório com peças da vanguarda dos anos 1960, de Gilberto Mendes, Aylton Escobar e Willy Corrêa, além da Missa de réquiem de Fauré.

No dia 8 é a vez do Núcleo Hespérides, que toca peças de Camargo Guarnieri e Cláudio Santoro, entre outros. O destaque é a estreia do oratório A geladeira, de Paulo Chagas. A peça trata da tortura realizada pelos militares, sofrida pessoalmente por Chagas aos 17 anos, em uma máquina de choques improvisada apelidada de “geladeira”.

[Veja mais no Roteiro Musical: Ursula OppensCoral PaulistanoNúcleo Hespérides]

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