Vasco Mariz (1921-2017)

por Redação CONCERTO 16/06/2017

Morreu na manhã de hoje, aos 96 anos, o embaixador e musicólogo Vasco Mariz. A informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Música, da qual era membro e decano. O sepultamento será realizado hoje, sexta-feira, dia 16, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Mariz formou-se no antigo Conservatório Brasileiro de Música, antes de se graduar em Direito pela Universidade de Brasil, em 1943. Especializou-se em História Diplomática e serviu em posições da chancelaria brasileira em Portugal, Argentina, Itália, Estados Unidos, até ser promovido em 1971 a embaixador, tendo representado o Brasil no Equador, em Israel, no Peru e na Alemanha Oriental. Também foi delegado enviado a organismos como a Organização das Nações Unidos, a Organização dos Estados Americanos e a Unesco, além de chefe do departamento cultural do Itamaraty.

Ao mesmo tempo em que desenvolvia a carreira diplomática, no entanto, Mariz iniciou pesquisas e estudos que se tornariam referência na compreensão da música brasileira. Já em 1947, publicou Figuras da música brasileira contemporânea. Sua biografia de Heitor Villa-Lobos, atualmente em sua 12º edição, foi publicada nos Estados Unidos, Rússia e na Itália, e ele também assinaria estudos sobre Claudio Santoro, Francisco Mignone, além de ensaio sobre três musicólogos brasileiros: Mário de Andrade, Renato Almeida e Luiz Heitor Corrêa de Azevedo. Em sua bibliografia, que conta com mais de sessenta títulos, há também volumes gerais como A canção popular no BrasilHistória da Música no Brasil A música no Rio de Janeiro no tempo de D. João VI. Também deixa livros sobre diplomacia, e sua experiência pessoal neste campo foi reunida em Temas da política internacional, de 2008, e Nos bastidores da diplomacia, de 2013.

“Vasco, com sua grande capacidade de trabalho e força intelectual, continuou produzindo até poucos dias. Deixou pronta uma palestra que seria por ele proferida na Antiga Sé do Rio de Janeiro no próximo dia 20 de junho às 14 horas nos eventos comemorativos dos 250 anos de nascimento do Padre José Maurício Nunes Garcia. O evento, sob a coordenação de Ricardo Tacuchian, está mantido e será uma forma de homenageá-lo por tudo que fez e representou para a música brasileira e para a própria Academia Brasileira da Música”, informou agora pela manhã o presidente da academia, André Cardoso.

Para o compositor Jorge Antunes, Mariz foi uma figura ímpar, “que registrou, analisou, norteou e iluminou mais de seis décadas da música brasileira, e que nos deixa quase que desamparados no oceano revolto e hostil da atual realidade cultural brasileira”. “Mas seus exemplos de vida, de trabalho, abnegação e lucidez são o bote salva-vidas de que necessitamos para que possamos chegar à margem”.