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Vinnitskaya: boa no YouTube, melhor ainda ao vivo (3/9/2009)
Por Irineu Franco Perpetuo

Se eu já era entusiasmado com os benefícios da internet para a música clássica, nessa semana minha animação aumentou ainda mais. Porque, se não fosse pelas maravilhas da web, eu dificilmente teria saído de casa na segunda-feira, 31 de agosto, e teria deixado de ouvir uma poderosa pianista jovem.

Nascida em Novorossiisk, o principal porto do Mar Negro, a russa Anna Vinnitskaya (eu preferia escrever Vinnitskaia, mas mantenho o “y” para que vocês a achem no YouTube) vinha ao Brasil com um currículo dos mais respeitáveis. Afinal, ela foi, em 2007, a segunda mulher na História (a primeira  foi Ekaterina Novitskaia, nos idos de 1968) a ganhar o badaladésimo e dificílimo concurso Rainha Elisabeth, na Bélgica.

Isso, é claro, já a recomendaria. Mas a simples leitura de um currículo na tela não dá, por si só, a real dimensão do talento de um artista. Devo confessar que, se não fosse pelo e-mail de uma amiga, eu não teria saído de casa na noite de segunda-feira, 31 de agosto, e teria perdido o concerto de Vinnitskaya, na série do Mozarteum Brasileiro.

Vindo de uma pianista, da mesma idade dela, o e-mail chegou umas duas semanas antes da apresentação, com um link para uma performance do YouTube (segundo concerto de Prokofiev) e um comentário que não podia ser mais direto: “meu, olha que irado!”

Irado, sim, era o termo exato para o Prokofiev de Vinnitskaya. Desde então, fiquei assanhadíssimo para ouvir a russinha, e comecei a contar os dias para sua apresentação paulistana. Cheguei até a entrevistá-la por e-mail, com intermediação de seu manager, Henning Vogler. E devo confessar que as respostas que chegaram dele mais ajudam a esconder do que revelar Vinnitskaya.

Porque lá diz que, além de seu professor, Ievguêni Koroliov, o pianista que ela mais admira é o austríaco Alfred Brendel. E que ela não se sente membro da escola pianística russa, que esse negócio de escolas nacionais é coisa do passado, etc.

A pianista Anna Vinnitskaya [Foto: divulgação]

Era de se esperar, então, uma pianista analítica, na linha Brendel. Mas não foi nada disso que se ouviu. Ao se sentar em seu banquinho e atacar o primeiro concerto de Tchaikovski, acompanhada pela esforçada OSB de um elegante Roberto Minczuk, o que Vinnitskaya mostrou foi a impressionante avalanche sonora que costumamos associar a artistas do teclado vindos da Rússia.

Vinnitskaya está a léguas de distância de ser uma “intelectual do piano” no estilo de Brendel. Seus braços produzem uma sonoridade avassaladora, e ela parece ser uma daquelas naturezas poderosas, dotadas de um vigoroso instinto musical.

Ah, que isso não seja visto como uma crítica à sua técnica. Técnica e virtuosidade ela tem, e de sobra. Eu ia aqui falar das oitavas do primeiro movimento, mas desisti porque elas parecem brincadeira de criança perto do que a russa faz no terceiro movimento do concerto, tocado com uma força e uma velocidade superior a qualquer coisa que eu tenha lembrança de ter ouvido ao vivo - sem falar na limpeza, passando incólume por passagens nas quais até os deuses se permitem esbarrar...

E teve ainda o bis. Como a Sala São Paulo aplaudisse em delírio, a menina não se fez de rogada, e tascou um Chopin. Mas não foi um Chopin qualquer. Em vez dos noturnos e mazurkas que costumam ser preferidas pelos pianistas mais experientes, Vinnitskaya preferiu mandar bala nos arrepiantes arpejos do Estudo Op. 10 nº 1. Não, o YouTube não mentiu: a mocinha é mesmo poderosa.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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