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“Aida” estreia temporada lírica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro (22/4/2013)
Por Nelson Rubens Kunze

Aida, de Giuseppe Verdi, um dos grandes títulos da ópera italiana e universal, abriu a temporada lírica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro no último sábado, dia 20 de abril. Isaac Karabtchevsky, novo diretor artístico da casa, regeu a Orquestra Sinfônica e o Coro do Teatro Municipal. Coube a Iacov Hillel a direção de cena e iluminação, e a Helio Eichbauer a direção de arte e cenografia (mesma dupla que fez Pelléas et Mélisande no Teatro Municipal de São Paulo no ano passado).

Estreada no Cairo em 1871, a ópera conta a história de Aida, princesa etíope escravizada pelo Egito, e do amor recíproco pelo guerreiro egípcio Radamés, que por sua vez está prometido a Amneris, filha do Faraó. A encenação carioca não perseguiu a grandiloquência e suntuosidade normalmente associadas às produções de Aida. Um cenário básico formado por grandes volumes geométricos (que naturalmente remetem às formas de pirâmides), sobre os quais eram projetados bonitos motivos egípcios, serviu de suporte para a montagem. Conforme as cenas, elementos adicionais eram incorporados que, com alterações nas projeções e nas tonalidades da iluminação, representavam os diversos ambientes. Em conjunto com os bonitos figurinos criados por Raul Belém Machado – basicamente brancos e de poucos ornamentos –, o espetáculo apresentou um resultado visual simples e de bom gosto.

Fim do Ato II

O destaque vocal da noite foi a mezzo soprano russa Anna Smirnova, de voz possante, bem colocada e bonitos vibratos. O tenor italiano Rubens Pellizari demonstrou desempenho satisfatório, protagonizando sua parte com correção. A decepção ficou por conta da soprano italiana Fiorenza Cedolins no papel de Aida. Cercada de expectativas, sua atuação pareceu contida, apesar de a artista demonstrar natural sensibilidade musical e cuidado interpretativo. Na récita de sábado, pequeno volume e fraca emissão alternaram-se com agudos por vezes descompensados, comprometendo algumas passagens.

Foi muito feliz a participação do restante do elenco, formado por cantores brasileiros. Licio Bruno teve boa presença como Amonasro (rei da Etiópia), assim como Carlos Eduardo Marcos como Faraó. Especial menção ao Ramfis de Sávio Sperandio. O baixo mostrou uma voz bonita e madura, bem matizada e homogênea, assim como uma interpretação muito adequada ao papel. Completaram o elenco Lucia Bianchini como a sacerdotisa e Ricardo Tuttmann como o mensageiro.

Somadas as partes, e acrescentando-se o desempenho da orquestra e do coro, o resultado geral da encenação foi bom.

Fim do Ato IV

Ópera é um empreendimento complexo e caro, todos sabemos. Há a expectativa de que a contratação de um maestro da estatura de Isaac Karabtchevsky para a direção artística do Teatro Municipal do Rio de Janeiro sinalize a intenção de reverter um funcionamento repleto de carências, impróprio para qualquer teatro (o que dizer do mais tradicional teatro lírico do país). Espera-se que Aida seja o início desse processo. Que venha a Valquíria, Billy Budd, Erwartung e Suor Angelica, que é a programação planejada para este ano. Para a importância e história do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é uma temporada tímida, é verdade. Mas talvez signifique a tomada de consciência das autoridades públicas para o fato de que a cultura lírica faz parte, sim, da vida de uma cidade que se pretende metrópole cosmopolita.

Serviço:
Aida de Verdi ainda terá récitas nos dias 23, 26 e 28 de abril e no dia 1º de maio (na récita do dia 1º, Aida será interpretada pela soprano Eliseth Gomes).

Fiorenza Cedolins se apresentará no Teatro Municipal de São Paulo nos dias 18 e 19 de maio, acompanhada pela Sinfônica Municipal.

[Nelson Rubens Kunze viajou ao Rio de Janeiro e assistiu a Aida a convite da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro.]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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