Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 25 de Junho de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
"Quero ser Plácido Domingo" (21/8/2008)
Por João Luiz Sampaio

Como era mesmo a história daquele filme em que marido e mulher encontravam um portal para a mente do ator John Malkovich? Se a memória não falha, os personagens resolvem capitalizar em cima da descoberta, cobrando ingressos e oferecendo a qualquer pessoa, mesmo que por breves instantes, a possibilidade de olhar o mundo segundo a ótica de Malkovich - o que significa não apenas um olhar diferente mas, principalmente, a chance de viver aqueles quinze minutos de fama e glamour, deixando de lado a mesmice de vidas ordinárias.
Tudo isso me veio à mente outro dia enquanto ouvia os recentes discos de dois tenores da nova geração, o mexicano Rolando Villazón e o alemão Jonas Kaufmann. Escolas diferentes, repertórios parecidos, são duas vozes interessantes, de timbres bonitos e escuros, que nos fazem lembrar o jovem Plácido Domingo. Villazón, aliás, há dois anos, foi chamado pela imprensa européia de "o novo Domingo". E não é que agora é a vez de Kaufmann? Além do timbre escuro, diz a edição de setembro da Gramophone, ele é um "animal no palco". "É o novo grande tenor da ópera mundial."
O posto já foi de Villazón... e de Roberto Alagna, José Cura, Juan Diego Flórez, Josep Calleja, etc, etc. É difícil não ver a rapidez com que o mercado de clássicos tem tentado encontrar os novos "grandes tenores da ópera mundial". Mas... onde está Cura? Que fim levou Alagna? Viraram apenas sombra da promessa de sucesso dos primeiros anos de carreira - e aí é difícil não ver como o mesmo mercado destrói, com exigências de contratos e repertórios, os mitos que, em vão, tenta construir a partir da sombra dos Três Tenores.
Ambos os discos são interessantes. Villazón gravou árias pouco executadas de Boito, Mercadante e Carlos Gomes em Cielo e Mar (Deutsche Gramophon). Já Kaufmann faz seu recital de estréia com Romantic Arias (Decca), com interpretações bastante convincentes dos standards do repertório de tenor - seleções de Manon, Rigoletto, Traviata, Fausto, etc. Não há dúvida de que são vozes especiais, combinadas com boa presença no palco. Mas Villazón, depois de alguns anos de agenda concorridíssima, já foi obrigado a parar por quase um ano por conta de problemas com a voz. Kaufmann vai seguir pelo mesmo caminho?
Voltando ao filme, um dos personagens resolver ser John Malkovich por mais do que 15 minutos - e acaba perdendo sua vida original para o ator, percebendo-se vítima de uma grande manipulação. Se o modelo a ser seguido é o do tenor espanhol, vale lembrar que, próximo de completar 70 anos, ele continua em atividade, adicionando papéis importantes ao seu repertório. Na busca desenfreada por ser Plácido Domingo, é difícil acreditar que algum deles chegue tão longe.




João Luiz Sampaio - é editor executivo da Revista CONCERTO e colaborador do jornal O Estado de S. Paulo

Mais Textos

Auf Wiedersehen, Sir Rattle Por Leonardo Martinelli (22/6/2018)
Com Richard Strauss, ópera segue bem em 2018 no Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (19/6/2018)
Julia Lezhneva: Triunfo barroco na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (12/6/2018)
Movimento Violão, 15 anos de atividades eternizadas num lançamento de fôlego Por Camila Frésca (4/6/2018)
Dois elencos, duas Traviatas Por Jorge Coli (28/5/2018)
Uma grande surpresa e um grande concerto para piano Por João Marcos Coelho (25/5/2018)
Suisse Romande: Master class na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (15/5/2018)
Um matrimônio espirituoso, vivo e musical Por Jorge Coli (8/5/2018)
“Fausto” é novo marco artístico do Festival Amazonas de Ópera Por Nelson Rubens Kunze (7/5/2018)
Clássico em terreno popular: o encantador recital de Cristian Budu na série “Tupinambach” Por Camila Frésca (3/5/2018)
Um "Faust" digno dos grandes teatros internacionais Por Jorge Coli (2/5/2018)
Cristian, Jamil e OER empolgam o Municipal lotado Por Irineu Franco Perpetuo (30/4/2018)
Verdi futurista aterrissa no Theatro Municipal do Rio Por Nelson Rubens Kunze (30/4/2018)
Ótima "Traviata" estreia em Belo Horizonte Por Nelson Rubens Kunze (27/4/2018)
A Camerata Romeu e a reinvenção da música Por João Marcos Coelho (26/4/2018)
Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp Por Nelson Rubens Kunze (25/4/2018)
Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
 

 
São Paulo:

26/6/2018 - Geneva Camerata e Pieter Wispelwey - violoncelo

Rio de Janeiro:
26/6/2018 - Grupo Molho Inglês

Outras Cidades:
26/6/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046