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"Quero ser Plácido Domingo" (21/8/2008)
Por João Luiz Sampaio

Como era mesmo a história daquele filme em que marido e mulher encontravam um portal para a mente do ator John Malkovich? Se a memória não falha, os personagens resolvem capitalizar em cima da descoberta, cobrando ingressos e oferecendo a qualquer pessoa, mesmo que por breves instantes, a possibilidade de olhar o mundo segundo a ótica de Malkovich - o que significa não apenas um olhar diferente mas, principalmente, a chance de viver aqueles quinze minutos de fama e glamour, deixando de lado a mesmice de vidas ordinárias.
Tudo isso me veio à mente outro dia enquanto ouvia os recentes discos de dois tenores da nova geração, o mexicano Rolando Villazón e o alemão Jonas Kaufmann. Escolas diferentes, repertórios parecidos, são duas vozes interessantes, de timbres bonitos e escuros, que nos fazem lembrar o jovem Plácido Domingo. Villazón, aliás, há dois anos, foi chamado pela imprensa européia de "o novo Domingo". E não é que agora é a vez de Kaufmann? Além do timbre escuro, diz a edição de setembro da Gramophone, ele é um "animal no palco". "É o novo grande tenor da ópera mundial."
O posto já foi de Villazón... e de Roberto Alagna, José Cura, Juan Diego Flórez, Josep Calleja, etc, etc. É difícil não ver a rapidez com que o mercado de clássicos tem tentado encontrar os novos "grandes tenores da ópera mundial". Mas... onde está Cura? Que fim levou Alagna? Viraram apenas sombra da promessa de sucesso dos primeiros anos de carreira - e aí é difícil não ver como o mesmo mercado destrói, com exigências de contratos e repertórios, os mitos que, em vão, tenta construir a partir da sombra dos Três Tenores.
Ambos os discos são interessantes. Villazón gravou árias pouco executadas de Boito, Mercadante e Carlos Gomes em Cielo e Mar (Deutsche Gramophon). Já Kaufmann faz seu recital de estréia com Romantic Arias (Decca), com interpretações bastante convincentes dos standards do repertório de tenor - seleções de Manon, Rigoletto, Traviata, Fausto, etc. Não há dúvida de que são vozes especiais, combinadas com boa presença no palco. Mas Villazón, depois de alguns anos de agenda concorridíssima, já foi obrigado a parar por quase um ano por conta de problemas com a voz. Kaufmann vai seguir pelo mesmo caminho?
Voltando ao filme, um dos personagens resolver ser John Malkovich por mais do que 15 minutos - e acaba perdendo sua vida original para o ator, percebendo-se vítima de uma grande manipulação. Se o modelo a ser seguido é o do tenor espanhol, vale lembrar que, próximo de completar 70 anos, ele continua em atividade, adicionando papéis importantes ao seu repertório. Na busca desenfreada por ser Plácido Domingo, é difícil acreditar que algum deles chegue tão longe.




João Luiz Sampaio - é editor executivo da Revista CONCERTO e colaborador do jornal O Estado de S. Paulo

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