Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 19 de Janeiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
“Don Giovanni” na veia (16/9/2013)
Por Nelson Rubens Kunze

Foi muito boa a récita de Don Giovanni apresentada ontem, dia 15 de setembro, no Theatro Municipal de São Paulo. Com uma fluência narrativa e um equilíbrio entre orquestra, coro e vozes que faltaram na estreia do dia 12, a encenação do italiano Pier Francesco Maestrini ganhou a importância que merece, oferecendo uma original interpretação do mito de Don Juan. A concepção cênica, que transforma Don Giovanni em um vampiro, além de entrar no espírito de Da Ponte e Mozart ao propor mais uma brincadeira para o “dramma giocoso”, se sustenta e revela novas dimensões das pulsões que habitam a natureza humana (nós mesmos!). E a cena final aparece como o ponto culminante que deve ser: o banquete infernal de Don Giovanni expiando seus pecados frente à justiça imposta qual alter ego no espelho, na figura do Comendador.

Apesar de ainda ficar aquém das delicadezas interpretativas da rica escrita mozartiana, foi muito melhor, entrosado e equilibrado o desempenho da orquestra e do Coral Paulistano dirigidos por Yoram David. Mas foi o espetacular desempenho dos solistas vocais que deu dinâmica ao espetáculo.


Leonardo Neiva no ato final de Don Giovanni, no Municipal de SP [fotos: divulgação/Sylvia Masini]

Majoritariamente formado por brasileiros, esse elenco B evidenciou uma ótima combinação sonora de alto refinamento estilístico, fazendo jus às inspiradas cenas da ópera. Em primeiro lugar, o Don Giovanni de Leonardo Neiva (entrevistado deste mês da Revista CONCERTO, leia lá!). Artista completo, Neiva sabe dosar com inteligência seu potencial vocal e cênico, e construiu seu personagem com consistência rara. Foi amparado pelo ótimo Leporello de Saulo Javan. Não é de hoje que Saulo nos diverte (em alto nível!) com seu talento histriônico e sua possante voz de baixo (Saulo, aliás, já tinha desequilibrado a partida na estreia, quando entrou no segundo tempo para substituir seu colega acometido por uma laringite). Donna Anna foi Luciana Melamed, soprano de bela e clara voz, que fez uma sensível apresentação em par com o convincente tenor italiano Enea Scala como Don Ottavio (Enea também cantou na estreia).

Outra sensação foi a grande interpretação da soprano Adriane Queiroz, uma cantora excepcional. Adriane tem uma técnica segura, um timbre aveludado e homogêneo em toda a extensão do registro, e demonstrou porque é querida nos palcos europeus (ela pertence ao elenco da Staatsoper de Berlim). Sua Donna Elvira deu grande personalidade ao personagem, tornando-o ponto relevante na concepção da encenação.

A soprano Carla Cottini fez uma Zerlina de graça em boa sintonia com o Masetto de Felipe Oliveira. O baixo uruguaio Marcelo Otegui completou o elenco fazendo um competente Comendador.


Saulo Javan, Leonardo Neiva e Adriane Queiroz: destaques [fotos: divulgação/Cassiano Grandi]

Pena que o diretor artístico John Neschling tenha escalado este extraordinário elenco apenas para duas récitas do total de sete que serão levadas ao Theatro Municipal (a segunda será no sábado dia 21). A julgar pelas apresentações que assisti, a equação deveria ser invertida. Pelo menos Leonardo Neiva, Saulo Javam e Adriane Queiroz estão prontos para mostrar seus personagens em qualquer teatro do mundo.

P.S.: Em meio ao dueto entre Don Giovanni e Zerlina, próximo ao término do primeiro ato, uma pane elétrica deixou o Theatro Municipal em completa escuridão (tendo em vista os vampiros que vagavam pelo teatro, os mais precavidos já subiram a gola para proteger o cangote...). No breu geral, cantores e orquestra levaram a música até o final da cena, ganhando aplausos da plateia. Com a luz de serviço restabelecida, o maestro John Neschling tomou do microfone para avisar que o espetáculo seria interrompido por 15 minutos. Após a retomada, a apresentação correu normalmente até o final.

[Leia também a crítica “Mozart Noir”, de Leonardo Martinelli]

Clássicos Editorial Ltda. © 2013 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Janeiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3
 

 
São Paulo:

19/1/2018 - Duo Fryvan

Rio de Janeiro:
24/1/2018 - José Carlos Vasconcellos - piano

Outras Cidades:
30/1/2018 - Paraupebas, PA - Academia Jovem Concertante
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046