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OSB assume sede na Cidade das Artes (21/3/2014)
Por Nelson Rubens Kunze

Fui ao Rio de Janeiro na segunda-feira passada, dia 17 de março, assistir à estreia da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) na Cidade das Artes. Como sabem os leitores da Revista CONCERTO, a Cidade das Artes é um enorme complexo cultural erguido na Barra da Tijuca, um projeto iniciado em 2002 e que agora, finalmente!, será a sede da orquestra – a primeira, em sua história de 74 anos (lembrei-me daquela famosa máxima, “assim como todo time de futebol precisa de um estádio, toda orquestra sinfônica tem que ter um teatro”. A OSB esperou 74 anos...).


O arrojado exterior da Cidade das Artes, na Barra da Tijuca [foto: Eduardo Rocha/divulgação]

É verdade que não é exatamente “aquela” sede planejada em 2002, quando o prefeito da época, Cesar Maia, deu início ao projeto, que então se chamava Cidade da Música. A ideia, então, era de que todo o imenso complexo cultural da Barra da Tijuca fosse destinado unicamente à OSB. Mas os anos se passaram, crises e escândalos se sucederam – o projeto arrastou-se por mais de 12 anos e os custos, inicialmente estimados em menos de R$ 100 milhões, acabaram multiplicados por 6! –, até que se viabilizou a solução agora adotada: uma parceria público privada entre a Prefeitura do Rio de Janeiro, dona da hoje chamada Cidade das Artes (conforme o site, um grande “centro de valorização das artes”), e a Fundação OSB, uma entidade privada sem fins lucrativos.

Pelo convênio firmado, a OSB ganha o direito de uso da Grande Sala e do teatro de câmara para entre 50 a 80 apresentações por ano, uma sala de ensaios e espaço para sua administração e arquivos. Em troca, participa das despesas do complexo cultural, uma fórmula que, em conjunção com a produção mais ampla e diversificada da própria Cidade das Artes (com shows, teatro, cinema, dança, artes plásticas e outras manifestações artísticas), visa garantir a operação “sustentável” do enorme edifício.

Como disse Emilio Kalil, presidente da Fundação Cidade das Artes e, junto com o prefeito Eduardo Paes, um dos formuladores deste acordo com a OSB, está na hora de deixar para trás as histórias complicadas que cercaram a Cidade das Artes. “Damos boas-vindas à OSB! Estamos muito felizes em tê-la aqui enriquecendo a programação da Cidade das Artes”, afirmou.

A visão do prédio e de sua arrojada arquitetura é impressionante. A construção está suspensa a 10 metros do piso, o que resulta numa ampla área aberta de circulação no térreo. Dali sobem rampas, escada rolante e elevadores para o primeiro andar. Este piso, igualmente aberto e de alto pé direito, leva à entrada da bilheteria e das salas. O foyer da Grande Sala é amplo, tem espaço para uma bela cafeteria (fechada naquela noite), com paredes de vidros e espetacular vista para o exterior.


Primeiro concerto da OSB na Grande Sala da Cidade das Artes [foto: Cícero Rodrigues/divulgação]

O gigantismo e a monumentalidade da parte externa da Cidade das Artes contrastam com o ambiente cálido e acolhedor do interior da Grande Sala, que, em resposta à performance da orquestra dirigida pelo titular Roberto Minczuk, revelou um bom potencial acústico. Em noite de festa, a OSB apresentou um repertório em que predominaram percussão e metais (obras brasileiras de Santoro, Guerra-Peixe, Krieger, Nepomuceno, Villa-Lobos e outros, as danças de West Side Story, de Bernstein e, com os cantores Angela Brown e Kevin Deas, a versão concertante de Porgy and Bess, de Gershwin).

A sala soou bem, com uma reverberação adequada e proporcionando uma boa audição dos vários naipes da orquestra. Uma concha acústica, que ainda deverá ser instalada, certamente potencializará as qualidades do espaço. A apresentação também serviu para o lançamento da temporada 2014 da OSB (clique aqui para ler).

Com a nova sede e o anúncio de um acordo de fusão da orquestra principal com o grupo Ópera & Repertório (clique aqui para ler), a OSB agora está pronta para encarar desafios no patamar de uma grande orquestra sinfônica moderna.


[O concerto inaugural da OSB na Cidade das Artes foi gravado e será transmitido pela TV Cultura amanhã, dia 22 de março. A apresentação vai ao ar às 21h30, no programa Clássicos. Um trecho da gravação, com Angela Brown cantando Lawd, I'm on my way, da ópera de Gershwin, está disponível no YouTube: veja aqui]

[Nelson Rubens Kunze hospedou-se no Rio de Janeiro a convite da Fundação OSB]

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Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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