Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quinta-Feira, 18 de Janeiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Críticos, sopranos, teatros... afinal, de quem é a culpa? (21/5/2014)
Por João Luiz Sampaio

Aconteceu de novo. Quase dez anos depois da soprano Deborah Voigt ser dispensada de uma montagem de Ariadne auf Naxos, de Strauss, por não caber em um certo vestido preto concebido pelo diretor, os atributos físicos de cantores de ópera voltam ao centro do debate – um debate raivoso, espalhado pela internet depois que críticos britânicos fizeram reparos à figura da mezzo soprano Tara Erraught, que interpreta Octavian na atual produção de O cavaleiro da rosa, também de Strauss, no Festival de Glyndebourne.

Os comentários dos críticos de jornais como Financial Times, The Telegraph ou The Guardian fazem uso de termos como “gordinha” ou “atarracada” para se referir a Tara. Convenhamos, são termos que não cabem em uma crítica de espetáculo, qualquer espetáculo, onde o respeito deveria ser sempre um parâmetro fundamental. Mais do que isso: sugerir que uma cantora acima do peso (segundo quais padrões, aliás?) é incapaz de interpretar um personagem que deveria ser atraente e sexy é uma redução rasteira.


Erraught em O cavaleiro da rosa do Festival de Glyndebourne [foto: Alastair Muir/divulgação]

Mas, em geral, as reações de cantores, artistas e outros críticos também estão repletas de equívocos e extremismos. A mezzo soprano Alice Coote, por exemplo, em texto publicado no blog do crítico Norman Lebrecht, afirma que a ópera é um espetáculo vocal e os demais elementos de uma produção não são tão importantes – o que contradiz a mistura de artes que está na essência do que faz da ópera um espetáculo tão especial e joga no lixo toda a investigação estética com a qual grandes produções contribuíram na nossa percepção do gênero. O próprio Lebrecht não ficou atrás e, em seu blog, sugeriu que os críticos em questão podem ser comparados àqueles que, nos anos 60, demonstravam desconforto com a presença de cantores negros em palcos como o Festival de Bayreuth.

De muitos dos comentários feitos nos últimos dias em jornais e blogs, surge uma questão de fundo: para que serve um crítico? Profissionais da crítica não estão acima do bem e do mal e o trabalho que desenvolvem poderia e deveria ser sempre tema de debates. Mas não da forma como as coisas são colocadas. A soprano inglesa Elisabeth Meister, por exemplo, afirma em seu site que não vê sentido algum na atividade crítica – e a opinião ecoa surpreendentemente pelas redes sociais, tanto no Brasil como lá fora. Em geral, pinta-se o seguinte quadro: críticos são profissionais despreparados e ignorantes, figuras frívolas em embate com artistas inspirados que dedicam anos, décadas talvez, ao estudo que lhes permite subir ao palco.

A relação infantilóide com a crítica sugere, no fundo, que crítico bom é aquele que fala bem – o que fala mal simplesmente não deveria existir, a não ser, claro, que mude de opinião em uma outra ocasião, quando todos os seus “pecados”, não importa o quão graves, serão perdoados. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Assim como há bons e maus cantores, há bons e maus críticos. Mas uma récita ruim não quer dizer que a ópera como um todo deveria ser extinta.

A questão envolvendo Tara Erraught é sensível. O mercado da ópera tem buscado se tornar mais atraente para o grande público, investindo nas transmissões no cinema e no mundo do HD, o que estaria levando a uma mudança no modo como cantores são escalados, colocando ênfase talvez grande demais nos atributos da encenação. Quais os limites desse caminho? É uma pergunta que deve ser feita enquanto a ópera navega pelo mundo contemporâneo, do qual ela, querendo ou não, faz parte. Mas culpar os críticos por todos os males e problemas é redutor ao extremo. A ópera merecia, de todos os lados, um debate um pouco mais sofisticado.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página





João Luiz Sampaio - é editor executivo da Revista CONCERTO e colaborador do jornal O Estado de S. Paulo

Mais Textos

A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Janeiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3
 

 
São Paulo:

18/1/2018 - Espetáculo O compositor delirante

Rio de Janeiro:
24/1/2018 - José Carlos Vasconcellos - piano

Outras Cidades:
27/1/2018 - Ilhabela, SP - Balés O lago dos cines, de Tchaikovsky e Melhor único dia (estreia), de Henrique Rodovalho
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046