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Mais um jovem talento em busca de seu sonho (21/7/2014)
Por Camila Frésca

Começo esse texto já imaginando que alguns leitores podem me achar repetitiva, mas é difícil resistir a alguns apelos. Em maio, divulguei a campanha de Rebecca Baratto, que tenta angariar fundos para sua graduação no Birmingham Conservatoire. Desde então, outras tantas situações similares têm aparecido – o que nos motivou, inclusive, a dedicar a matéria de capa da edição de julho da Revista CONCERTO à educação musical no Brasil (disponível aqui, em versão digital, para assinantes).

Lucas Bernardo é um jovem violinista de 19 anos que se encontra exatamente naquele ponto que destacamos na matéria: usufruiu do melhor que a educação musical no Brasil pôde lhe oferecer e agora, para dar um passo além como instrumentista, quer ir se aperfeiçoar no Conservatório de Amsterdã.

A história de Lucas com o violino se iniciou há exatos dez anos, quando ele começou a ter aulas na igreja que frequentava com os pais. Depois de algum tempo, ingressou no Projeto Guri e de lá seguiu para a Emesp Tom Jobim, onde estuda desde os 11 anos de idade, com Inna Meltser. Aos 13, seguiu pela primeira vez como bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Em 2012, passou na audição da Orquestra Jovem do Estado como spalla. Neste mesmo ano, venceu um dos prêmios do concurso interno da orquestra, que proporcionou que ele comprasse um violino novo, já de acordo com as próximas demandas profissionais da carreira. E, em 2013, ganhou novamente o Prêmio Ernani de Almeida Machado, dessa vez na categoria principal, o que lhe rendeu uma bolsa de estudos para o exterior. Essa bolsa, no entanto, não cobre a totalidade dos gastos que Lucas terá durante os quatro anos do curso, e por isso a Emesp está ajudando-o numa campanha de arrecadação de fundos, que começa nesta semana com a divulgação de um vídeo (veja abaixo) e que seguirá com outras ações a serem divulgadas em breve. Conversei com Lucas pessoalmente e pelo telefone, e, além disso, ele redigiu uma carta na qual explica sua trajetória.

Se estes jovens músicos que despontam agora conseguirem realizar suas ambições de estudos, daqui a dez anos vários deles estarão retornando ao país e poderão iniciar sua contribuição na formação de outros jovens. Numa perspectiva otimista, podemos acreditar que, em 15 ou 20 anos, a realidade de nossa educação musical será muito melhor. Destaco abaixo alguns pontos da conversa com Lucas:

Porque você escolheu o Conservatório de Amsterdã?
Soube do Conservatório em 2008, no meu primeiro Festival de Campos do Jordão, pois tive aulas com um professor de lá. Eu não só gostava das aulas, mas percebi que o estilo que ele tocava era o mais próximo de mim. Em uma das edições seguintes, cheguei a ser convidado por ele para ter aulas, porém tinha ainda 16 anos. Em setembro de 2012, conheci outro professor do Conservatório de Amsterdã, o violinista Peter Brunt, durante uma master class na Emesp. Mais uma vez, fiquei impressionado, me identifiquei com o estilo de aula e de tocar daquele professor.

Você disse que tocou durante algum tempo com instrumentos emprestados. Como é esse instrumento que você conseguiu comprar? E qual a importância de ter um bom instrumento – o que ele te dá que um mais simples não te dá?
Até os doze anos toquei num violino infantil. Consegui comprar um do tamanho adulto mas não era tão bom; quando comecei na Orquestra Jovem precisava de um melhor, e a Inna Meltser me emprestou dois instrumentos. Depois que ganhei o prêmio da orquestra em 2012 consegui comprar um. Com a ajuda da Emesp e da embaixada da Áustria, conheci o luthier Peter Möerth, que faz violinos num padrão bem alto, o que me ajudou muito daí pra frente nos meus estudos. O instrumento de melhor qualidade permite um melhor resultado com menor esforço, o violino responde mais rápido. Além da questão técnica, a sonora é muito importante e diferente. Na primeira aula com o Peter Brunt ele já disse que aquele instrumento não dava mais para o que eu precisava, que eu não ia chegar aonde queria. Ter esse novo instrumento foi essencial para passar na prova do Conservatório de Amsterdã.

E como foi a prova? O que você tocou para os examinadores?
Fiz a prova em abril, ela era dividida em três etapas: teórica, prática e auditiva. Tive muita ajuda da minha professora Inna e do professor Hermes com a parte teórica. No dia da prova, estava muito nervoso e ansioso para tocar, porém também muito animado, pois estava a poucos passos de realizar um sonho. Foi uma das provas que eu mais gostei de tocar: consegui esquecer da formalidade e levei aquilo como se fosse mais uma apresentação. O repertório era bem extenso: foram duas partitas de Bach, dois estudos de Wieniawski, dois caprichos de Paganini, um movimento de concerto clássico e outro de concerto romântico.

Você ganhou algum tio de bolsa de lá para estudar? Com o que você conta, até agora, para se manter?
Recebi um desconto nas taxas anuais do conservatório e tenho o dinheiro do segundo prêmio. Segundo o pessoal da Emesp, somando todas as despesas dos quatro anos (taxas, passagens, moradia, transporte, alimentação etc.) dá R$ 210 mil. Desse valor, faltam R$160 mil.

Do repertório para violino que você já tocou, do que você mais gosta? E do que você ainda não tocou, qual tem mais vontade de tocar?
De tudo o que já toquei, acho que o que mais gosto é a Sonata do César Franck. E, das que eu pretendo tocar, os concertos para violino de Sibelius e Brahms.

E como você se imagina daqui algum tempo? Por exemplo, depois que se formar no Conservatório e iniciar sua carreira profissional?
Não sei o que vai acontecer de oportunidade lá, se vou ficar mais um tempo depois de me formar. Espero poder absorver ao máximo os quatro anos de Amsterdã, me desenvolver ao máximo como violinista, tecnicamente, para que consiga passar minha música com mais facilidade. Independente das oportunidades que eu tiver por lá, um dia pretendo voltar para o Brasil e contribuir de alguma forma, dar aulas pro pessoal novo que estiver começando. Quanto a entrar em algum grupo ainda não sei. Música de câmara me interessa muito mais do que orquestra.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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