Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Sábado, 23 de Junho de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
O lugar da música de concerto nos 5.570 municípios brasileiros (16/12/2015)
Por João Marcos Coelho

Os jornais divulgaram esta semana o último levantamento nacional do IBGE sobre o estado da cultura nos 5.570 municípios brasileiros. Os números são impressionantes, do lado bom e do lado ruim.

Nós, que vivemos profissionalmente ligados à música clássica, muitas vezes nos esquecemos da realidade cultural do nosso país. Menos de 600 dos municípios brasileiros têm um cinema. Isso significa menos de 11% do total. Teatro ou sala de espetáculos constituem luxo de apenas 23% dos municípios. Em compensação, 97,1% das nossas 5.570 cidades possuem biblioteca. Cem por cento? Só mesmo a TV aberta.

Tudo isso dá o que pensar. Primeiro, que o Brasil é praticamente virgem quando se pensa na música clássica, cujo alcance não deve ultrapassar os 2, no máximo 3% da população, numa estimativa superotimista.

Do que precisamos mais? De ilhas de excelência ou do chamado trabalho de base: levar a população a ao menos ter contato imediato, uma vez na vida, com a música de concerto?

A pergunta soa atraente, mas é falsa. Precisamos sim de ilhas de excelência, como comprovam a belíssima arrancada das orquestras sinfônicas em várias capitais brasileiras, espelhadas no case Osesp. Infelizmente, elas “ocupam” poucas capitais. Necessitamos, talvez de modo ainda mais urgente, de caravanas do tipo Bye Bye Brasil (ave, Cacá Diegues) que circulem de modo permanente pelo país. Os locais já existem, são as bibliotecas. Não são necessários investimentos em obras físicas (as preferidas por 10 entre 10 autoridades, municipais, estaduais ou federais). Segundo a pesquisa do IBGE, 37% dos municípios têm centros culturais. Perceberam? Quando obras entram na estória, cresce o interesse da área política pela “cultura”.


Betty Faria (ao centro) nas gravações do filme Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diegues [imagem: reprodução]

Esqueçam as obras. Basta baixar em cada uma das bibliotecas dos cerca de 4 mil municípios que não possuem teatro ou sala de espetáculos ou dos 4.900 que nem cinema têm. Organizar dezenas de caravanas tipo Bye Bye Brasil e ocupar o calendário dos doze meses do ano com “ocupações” – o termo está na moda, no universo artístico-cultural. E, claro, não esquecer a prima pobre, a música de concerto. Incluir sempre um grupinho de música de câmara.

Afinal, os 5.570 municípios brasileiros não precisam de mais festivais breganejos etc. e tal. Isso a TV aberta já faz.

Fico pensando que devo ser muito burro. A ideia é tão óbvia. Por que ninguém pensou nisso ainda? Ou pensaram e descartaram porque é desintere$$ante?

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Auf Wiedersehen, Sir Rattle Por Leonardo Martinelli (22/6/2018)
Com Richard Strauss, ópera segue bem em 2018 no Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (19/6/2018)
Julia Lezhneva: Triunfo barroco na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (12/6/2018)
Movimento Violão, 15 anos de atividades eternizadas num lançamento de fôlego Por Camila Frésca (4/6/2018)
Dois elencos, duas Traviatas Por Jorge Coli (28/5/2018)
Uma grande surpresa e um grande concerto para piano Por João Marcos Coelho (25/5/2018)
Suisse Romande: Master class na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (15/5/2018)
Um matrimônio espirituoso, vivo e musical Por Jorge Coli (8/5/2018)
“Fausto” é novo marco artístico do Festival Amazonas de Ópera Por Nelson Rubens Kunze (7/5/2018)
Clássico em terreno popular: o encantador recital de Cristian Budu na série “Tupinambach” Por Camila Frésca (3/5/2018)
Um "Faust" digno dos grandes teatros internacionais Por Jorge Coli (2/5/2018)
Cristian, Jamil e OER empolgam o Municipal lotado Por Irineu Franco Perpetuo (30/4/2018)
Verdi futurista aterrissa no Theatro Municipal do Rio Por Nelson Rubens Kunze (30/4/2018)
Ótima "Traviata" estreia em Belo Horizonte Por Nelson Rubens Kunze (27/4/2018)
A Camerata Romeu e a reinvenção da música Por João Marcos Coelho (26/4/2018)
Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp Por Nelson Rubens Kunze (25/4/2018)
Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
 

 
São Paulo:

26/6/2018 - Geneva Camerata e Pieter Wispelwey - violoncelo

Rio de Janeiro:
23/6/2018 - Ópera A flauta mágica, de Mozart

Outras Cidades:
24/6/2018 - São José dos Campos, SP - Festival Ethno Brazil
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046