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Uma conversa com Valery Gergiev (9/3/2016)
Por João Luiz Sampaio

Valery Gergiev está feliz. “Você sabe, minha experiência com a América Latina era muito limitada. Estive duas vezes em Buenos Aires e foi basicamente isso. Esta é a minha segunda visita ao Brasil, mas a primeira não teve nada a ver com música: vim assistir a final da Copa do Mundo de futebol, no ano passado. Mas desta vez, além de São Paulo, estive no México, em Cuba, na Colômbia. São países muito interessantes.”
 
A conversa exclusiva com Gergiev aconteceu na manhã de hoje. Ontem à noite, ele comandou a Orquestra Filarmônica de Viena na Sala São Paulo. Tocaram obras de Wagner, Debussy e Mussorgsky. Hoje, voltam a se apresentar, com Wagner e Tchaikovsky. A agenda do maestro nos últimos dias foi intensa, o que parece corriqueiro em sua trajetória. Os programas com a filarmônica foram ensaiados em Viena, apresentados em Paris, Budapeste e Munique. Eles então passaram pelos Estados Unidos, antes de seguir para Bogotá e para São Paulo, encerrando a turnê.


Valery Gergiev no ensaio com a Filarmônica de Viena, ontem, na Sala São Paulo [foto: João Luiz Sampaio/Revista CONCERTO]
 
Mas Gergiev aproveitou a viagem e realizou uma pequena turnê também com a Orquestra do Teatro Mariinsky, de São Petersburgo. É isso mesmo: duas turnês ao mesmo tempo, com duas orquestras diferentes. Com os músicos russos, entre um concerto e outro com Viena, Gergiev tocou nos EUA, no México e em Cuba. A última apresentação na ilha foi na noite de segunda-feira. “Um país fascinante e um teatro incrível, que acaba de ser restaurado, uma casa de ópera maravilhosa”, diz ele.
 
Como ele consegue? A pergunta é inevitável – e a resposta, dada com enorme tranquilidade. “Veja, o Mariinsky é a minha orquestra e já passamos há muito da fase em que precisávamos de cinco ensaios antes de um concerto. Com Viena, o programa foi muito bem ensaiado, então só precisamos de um ensaio rápido, para nos adaptar com relação à acústica, fazer ajustes bem pontuais e pequenos. Sem mistérios.”
 
O ensaio com Viena aconteceu no final da tarde de ontem na Sala São Paulo, com a presença de cerca de quinhentos estudantes de música. O clima era de enorme expectativa. A orquestra se preparava quando alguém na plateia se deu conta de que Gergiev já estava no palco, do lado do esquerdo, esperando para seguir ao pódio. Imediatamente, todos os olhares – e muitos celulares – se voltaram para ele.
 
Uma vez à frente da orquestra, o maestro fez comentários precisos. Pediu que os violinos ajustassem a articulação, para que determinada passagem soasse melhor na sala; corrigiu algumas dinâmicas nos Quadros de uma exposição, de Mussorgsky; brincou após a entrada do órgão na Sinfonia Manfred, de Tchaikovsky, forte demais (“acho que ele comeu muito antes do ensaio”, disse, despertando risadas na orquestra); em La mer, ressaltou a importância do silêncio antes dos primeiros compassos – e repassou a parte dos violoncelos (“Bons, não?”, perguntou para a plateia em seguida). Uma hora de trabalho depois, perguntou ao spalla: “Deixamos o Wagner para depois?” Rainer Küchl acenou com a cabeça e o ensaio foi encerrado.
 
O Wagner ficou para hoje, não por acaso, como Gergiev explica. “Eu pedi que hoje o teto da sala seja erguido o máximo possível. Vai com certeza soar diferente, será bom, especialmente para os trechos do Parsifal. Ontem tocamos de Wagner a abertura do Navio fantasma, que é uma peça poderosa, carregada, com uma pronúncia muito dramática. Mas no Parsifal Wagner faz música quase sacra e é por isso que me interessa a sonoridade de uma catedral. Estou curioso para saber como vai soar.”
 
As leituras de Gergiev para Wagner não são unânimes, o que não o preocupa em absoluto. Digo a ele que acho particularmente interessante sua gravação da Valquíria com a orquestra do Mariinsky e um elenco que inclui o baixo René Pape como Wotan e o tenor Jonas Kaufmann como Siegmund. “Já gravamos também boa parte do Siegfried e começamos o Crepúsculo dos deuses. Mas gravar o Anel é uma tarefa gigantesca que, infelizmente, não pode ser feita de uma vez. Foi assim com a Valquíria, um ato por vez, e está sendo assim com as outras, paciência. Mas o interessante desse registro, para mim, é a acústica. Nós o fizemos na sala nova de concertos do Mariinsky e a acústica é realmente especial. Não há química alguma, anabolizante algum, na gravação final. A música soa daquele jeito mesmo.”
 
De Wagner, a conversa segue para a música russa. Gergiev e os músicos do Mariinsky foram responsáveis por oferecer novos paradigmas de interpretação do repertório russo tradicional, além de introduzir obra menos conhecidas – em especial no que diz respeito às óperas. Nesse sentido, ele, por sinal, avisa que vem por aí uma série de títulos de Rimsky-Korsakov, como O czar Saltan, A donzela da neve e O galo de ouro, em CD e DVD. “É um compositor fascinante e inexplicavelmente pouco tocado. Assim como autores contemporâneos, como Rodion Shchedrin. Fizemos quatro de suas óperas nos últimos oito anos e me parece claro que a função de um teatro de ópera é valorizar o grande repertório com o mesmo cuidado com que deve introduzir novas obras”, diz o maestro.

Eu pergunto, então, se a ênfase no repertório russo foi um plano calculado para inserir a orquestra no cenário internacional. “Como pessoa, tenho um princípio muito claro: eu preciso me concentrar, ter um foco, ainda que a longo prazo. Comecei como diretor musical do Mariinsky, depois fui convidado a ser diretor artístico. Sete anos depois, o presidente Boris Yeltsin, antes de Vladimir Putin, me ofereceu o posto de diretor geral e artístico. Eu aceitei por entender que era preciso defender a instituição e dar a ela focos de ação. O repertório russo foi um desses focos, um foco definitivamente fundamental, mas não o único. Veja Wagner, por exemplo. Já gravamos o Navio fantasma, Parsifal, estamos gravando o Anel. Gravar com Kaufmann, com René Pape, é algo importante. Mas temos grandes cantores wagnerianos russos, o que sugere uma diversidade de atuação. Recentemente, fizemos também Simon Boccanegra, com Ferruccio Furlanetto. Não estamos fechados, pelo contrário, o que fazemos é combinar e dar valor a artistas de fora e russos. Isso faz uma enorme diferença no contexto do nosso trabalho.”
 
Gergiev encerrou a conversa se dizendo entusiasmado para voltar logo ao Brasil. Quer, da próxima vez, viajar com a sua orquestra russa. “Se possível, para fazer ópera. Estou certo de que São Paulo e Rio são cidades que se interessariam por isso, mas também penso em lugares como Manaus, que tem um teatro lendário do qual todos nós já ouvimos falar. Podemos tocar música sinfônica, claro, é mais fácil. Mas meu desejo é trazer ópera e balé, o que é mais difícil, mas não impossível. Vamos conversar com os amigos brasileiros para fazer isso acontecer.”


Os concertos da Filarmônica de Viena com Gergiev em São Paulo têm votação aberta no Ouvinte Crítico; participe!

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João Luiz Sampaio - é editor executivo da Revista CONCERTO e colaborador do jornal O Estado de S. Paulo

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