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Montagem da La Fura dels Baus é problemática (1/8/2016)
Por Nelson Rubens Kunze

Sofisticados recursos cenográficos, projeções com efeitos visuais, bailarinos, atores-ginastas, um guitarrista flamenco e uma “cantaora” marcaram o espetáculo do grupo catalão La Fura dels Baus intitulado “El amor brujo – el fuego y la palabra”, apresentação do Theatro Municipal de São Paulo. Com direção cênica de Carlus Padrissa, a montagem foi acompanhada pela Orquestra Sinfônica Municipal, sob direção de Eduardo Strausser. A trilha sonora é a obra El amor brujo, de Manuel de Falla, acrescida de trechos de Noches en los jardines de España e de El sombrero de tres picos, além de temas populares.


Apresentação do grupo catalão La Fura dels Baus [Foto: divulgação]

Em uma abordagem bastante livre, Carlus Padrissa apresenta a história de Candelas – a personagem do libreto de El amor brujo, de autoria de Maria de la O Lejárraga –, a infidelidade sofrida, os ciúmes, a feitiçaria e o amor passional. Releituras do folclore sempre são arriscadas, pois correm o risco de, no novo contexto, perderem a autenticidade. Aqui, a força e a agressividade que marcam o trabalho do La Fura dels Baus, transformam a dignidade e altivez dos personagens do folclore andaluz em caricatura. Ainda que atuassem bons dançarinos e atores-acrobatas, os protagonistas não logram uma interpretação convincente. A partir da concepção cênica proposta, a atuação do amante, como dançarino e ator, resvala em um simplismo vulgar; e a interpretação da “cantaora” – que, como queria De Falla, é uma cantora sem treinamento formal de música – é superficial e marcada por lugares-comuns.

O principal problema, contudo, é a falta de um arco dramático que dê unidade a uma sequência de cenas de alto impacto visual e acrobático, todas bastante diferentes entre si, intermediadas por danças ou cantos acompanhados da guitarra flamenca. Priorizando o efeito, que em alguns momentos beira o circense, o espetáculo não desenvolve uma narrativa clara de densidade teatral.

Com tudo isso, é necessário destacar o virtuosismo da cenografia, que, com criatividade exuberante, apresenta momentos de grande impacto e beleza. Apesar de algumas soluções fáceis e gastas – atores na plateia, fachos de luz espelhados sobre os espectadores, água empossada no palco (e parece que, na montagem original, fogo aberto no palco, aqui substituído por lanternas) –, o espetáculo também traz todo o dinamismo cênico que se associa ao trabalho do Fura dels Baus.

Para mim, com tanto movimento sobre o palco, o melhor da noite ficou um pouco escondido: a boa atuação da Orquestra Sinfônica Municipal.

Seja como for, uma intensa ovação foi a prova de que o espetáculo fez grande sucesso entre o público que lotou o Theatro Municipal no último sábado, dia 30 de julho.

[p.s. As cenas em que os atores ficavam “chutando” a água do palco me deram muitas saudades da grande arte de Pina Bausch...]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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