Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 11 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Nepomuceno, o internacionalista (31/10/2016)
Por João Marcos Coelho

Excepcional, sem dúvida, é a performance do Quarteto Carlos Gomes registrada no CD do Selo SESC contendo os três quartetos de cordas do compositor cearense Alberto Nepomuceno (1864-1920). A gravação vem obtendo unânime recepção crítica favorável – e com inteira justiça, já que o grupo liderado por Cláudio Cruz de fato faz um trabalho sensacional. Não só resgata estas importantes obras de Nepomuceno em leituras que daqui para a frente funcionarão como paradigma para todos os que decidirem interpretá-las. Coloca à disposição as partituras em edições digitais, resultado do minucioso trabalho de estabelecimento do texto musical.

Tudo isso, sem dúvida, é da maior importância. Mas o que me chamou mais atenção neste CD foi o texto assinado pelo compositor Flo Menezes. Ele se intitula “Nepomuceno: compositor... nacionalista?” Com sua retórica inflamada costumeira – e com sua rara inteligência, também igualmente constante –, o compositor chama a atenção para uma falsa afirmação que vem se repetindo ao longo do último século: o de que Nepomuceno foi um compositor nacionalista.


O compositor Alberto Nepomuceno [Reprodução / Acervo da Biblioteca Alberto Nepomuceno - Escola de Musica da UFRJ]

Vale a pena ler com atenção esta longa citação do texto de Flo: “Nepomuceno foi um internacionalista. Ao contrário do que a parca musicologia brasileira, ainda de resultados inconsistentes e fortemente impregnada pelo fardo nacionalista, pretenda nos fazer crer, afirmando-o como o primeiro dos compositores nacionalistas no Brasil, sua verve internacional contraria a visão que procura situar sua produção no estreito âmago das fronteiras nacionais. Assim fazendo-o, a musicologia reduz as amplas fronteiras que cobrem nosso vasto território a um domínio pequenininho, provinciano e nada condizente com a envergadura da obra de Nepomuceno”.

Como diz Flo, “os quartetos de Nepomuceno não são apenas modernos, como também revelam um enorme talento, pari passu com o que de melhor havia em solo europeu”.  E aos que contra-atacarem dizendo que Nepomuceno imitou Brahms nestes quartetos compostos em seus primeiros anos europeus (entre 1889 e 1891, quando estudou em Berlim), Flo argumenta que “se Nepomuceno ‘imitou’ algum europeu (e imitar é tão legítimo em arte quanto salutar[...]), ele não o fez com o atraso de cerca de um século, tal como o fizeram os nacionalistas tardios da música brasileira do século 20, que além de não terem feito uma música brasileira, mas antes uma europeia do tipo clássica, tiveram como modelo a música europeia justamente do século 19!”.

Na mosca. Minha intenção com esta curta intervenção é apenas aguçar a curiosidade de vocês para a leitura do artigo na íntegra. Com um admirável bônus: a primorosa execução do Quarteto Carlos Gomes, que, não custa lembrar, conta com os experientes Cláudio Cruz e Adonhiran Reis aos violinos; Gabriel Marin à viola; e Alceu Reis ao violoncelo.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

19/12/2017 - Ópera A flauta mágica, de Mozart

Rio de Janeiro:
14/12/2017 - Orquestra Sinfônica da UFRJ e Coral Brasil Ensemble - UFRJ

Outras Cidades:
20/12/2017 - Belo Horizonte, MG - Oratório O Messias, de Händel
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046