Selo BIS apóia Neschling

Acabo de ler na Revista CONCERTO sobre o lançamento no Brasil do primeiro disco da integral dos Choros, de Villa-Lobos, com a Osesp, regida por John Neschling. O CD recebeu críticas excelentes lá fora, incluindo o "Diapason d'Or".
Bem, como o disco ainda não me chegou às mãos, não tenho como avaliar o resultado sonoro. Mas me ocorreu escrever a Robert Von Barh, presidente da BIS (o selo escandinavo pelo qual a orquestra tem gravado obras de compositores brasileiros como Mignone, Guarnieri e Santoro, além de Villa-Lobos), para perguntar se a parceria da gravadora sueca com a orquestra vai continuar depois da saída de Neschling, em 2010.
Von Bahr (que criou a BIS em 1973) escreveu ao conselho da Fundação Osesp, pedindo a permanência do maestro. Ele me disse que ainda espera que o maestro possa continuar à frente do grupo.

Recebi a informação de que o sr. escreveu uma carta ao conselho da Fundação Osesp defendendo o maestro John Neschling. É verdade? O que exatamente dizia a carta? Por que o sr. a escreveu? Que resposta o sr. recebeu?
Ao ouvir que o maestro Neschling havia pedido para sair da orquestra, eu escrevi, sim, uma carta ao conselho. Naquela carta, eu pedi ao conselho que, por favor, tentasse dissuadir o maestro Neschling de sua decisão, já que nós gostamos muito da cooperação com ele, tanto no nível musical quanto no nível de programa. Com o maestro Neschling no comando estamos obtendo tanto produtos excelentes quanto programas arrojados - exatamente o que nos agrada. Eu gostaria de fazer um reparo à palavra "defendendo", já que ela implica que foram feitas acusações. Eu tenho a informação de que o maestro Neschling renunciou à sua posição voluntariamente, e eu simplesmente queria que o conselho tentasse persuadi-lo a ficar. Eles responderam de maneira positiva, mas sem se comprometer.

Como e quando começou a relação entre a BIS e a orquestra? Quais foram seus principais êxitos? Como são tomadas as decisões de o que gravar e de quando lançar os CDs?
A relação começou em 2001. O principal êxito foi uma apresentação internacional muito boa da música brasileira, bem como cooperações maravilhosas com os solistas internacionais da BIS, como Yevgeny Sudbin, Vadim Gluzman, Christian Lindberg e Sharon Bezaly. As integrais das Bachianas Brasileiras e dos Choros, e três CDs de sinfonias de Guarnieri me vêm à mente. A orquestra decide a música brasileira, a BIS decide os solistas, e o resto é decidido em cooperação.

Há algum risco de que a relação da gravadora com a orquestra não continue depois da partida do maestro Neschling?
Novamente tenho que protestar contra as palavras da pergunta, que pressupõe que ele vai sair. Nós esperamos muito que o maestro Neschling reconsidere sua decisão e que possamos continuar a bela colaboração com ele e com a orquestra por muito tempo.


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