Ópera “Chagas” de Silvio Barbato estreia em Belo Horizonte

por Redação CONCERTO 03/10/2009

Em comemoração ao centenário da descoberta da doença de Chagas, estreia dia 5 de outubro, segunda-feira, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a ópera em dois atos, Chagas. A versão recital, composta e regida pelo maestro Sílvio Barbato, foi apresentada em avant-première na sede da Embaixada Brasileira em Roma, em novembro de 2008, para os membros da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, da qual Carlos Chagas Filho foi, por dezesseis anos, presidente. Com o prematuro e trágico falecimento de seu criador, a partitura final foi concluída pelo compositor Alexandre Schubert.
     
O libreto, de Renato Icarahy, foi livremente inspirado em episódios das vidas de dois ilustres cientistas, Carlos Chagas Pai e Filho. O que seria uma homenagem a dois homens da ciência, passou a ser também um tributo a seu artista idealizador: na concepção do diretor Moacyr Góes o maestro Sílvio Barbato aparecerá como personagem – o artista que transita eternizado no espaço ficcional de sua própria criação.

A regência ficou a cargo do maestro André Cardoso com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais - OSMG, a direção do coro da Cia Versátil de Música, com 28 participantes, coube ao maestro Jesus Figueiredo. A cenografia é de Paulo Flaksman, a iluminação, de Adriana Ortiz, os figurinos são de Bia Salgado e o projeto multimídia, de Tainá Diniz. A coordenação geral do projeto é de Helena Severo, e o patrocínio, da Fiocruz. A ópera Chagas deverá ser apresentada também em outros estados brasileiros.
     
Os solistas da montagem de Belo Horizonte serão Sebastião Teixeira, Luciana Costa e Silva, Mauricio Luz e Raoni Hubner. O espetáculo contará com a participação dos atores Leon Goes, que interpreta Silvio Barbato, Giselle Lima, Carla Rosa e Augusto Garcia.

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Leia a seguir mais informações fornecidas pela assessoria de imprensa do espetáculo.

PERSONAGENS

A ópera Chagas é cantada por um coro e quatro solistas: um barítono, nos papéis de Carlos Chagas Pai e Chagas Filho, adultos; um tenor, personificando os dois cientistas quando jovens e também a alegórica figura do sertanejo Jeca-Tatu; um meio-soprano que canta os personagens de D. Íris Chagas e da sertaneja, mãe da menina Berenice; e finalmente um baixo que se reveza nos papéis do Rev. Padre Sacramento, do ilustre Dr. Miguel Couto e de S.S. o Papa, na cena final no Vaticano. O coro representará sucessivamente os diferentes grupos humanos que povoaram as vidas dos dois médicos: os escravos libertos, os trabalhadores da estrada de ferro, o tribunal do delírio de Chagas Filho, a comitiva dos cidadãos desesperançados conduzidos ao gabinete do presidente, os religiosos no Vaticano

SINOPSE
     
PRIMEIRO ATO

QUADRO 1 – Um coro de escravos abre o ato, que mostra a juventude de Carlos Chagas Pai em Minas, uma breve ilustração de seus turbulentos primeiros anos de vida, quando morava numa fazenda de café. A seguir, a cena desloca-se para a escola em São João Del Rei, quando o jovem Chagas Pai (tenor) descobre sua vocação para as ciências. Em conversas com seu professor, o reverendo Padre Sacramento (baixo), aprende sobre as estrelas, a biologia e escuta, fascinado, as histórias de grandes cientistas, como Galileu, que lhe causariam profunda impressão. O quadro termina com um dueto onde a transição de tempo se dá através de um encontro fictício entre o jovem Chagas e o Chagas adulto.

QUADRO 2 – Chagas adulto (barítono), já a serviço do Instituto de Manguinhos, encontra-se em Lassance, interior do sertão mineiro, em seu laboratório improvisado num velho vagão de trem. Examinando a pequena Berenice que lhe é trazida no colo de sua mãe (mezzo), faz a célebre descoberta de uma nova tripanossomíase. É o pai da criança, uma personificação do Jeca Tatu (tenor), quem lhe traz os primeiros exemplares do “vum-vum”, o barbeiro transmissor da moléstia, que é levado pelo Dr. Miguel Couto para o Rio de Janeiro a fim de ser estudado. Um coro de trabalhadores da estrada de ferro abre e encerra o quadro.
     
SEGUNDO ATO

QUADRO 1 – A nova enfermidade, batizada com seu nome, foi motivo de controvérsias que serão amplamente exploradas pela imprensa, principalmente após a morte de Osvaldo Cruz, quando Chagas assume a direção do Instituto de Manguinhos. As críticas lançadas contra o pai causam grande preocupação ao jovem Chagas Filho (tenor) e sua mãe, D. Íris (mezzo). Durante a grande epidemia de gripe espanhola no Rio de Janeiro, que atinge toda a família, o jovem Chagas Filho é acometido por febre alta e alucinações. O quadro se fecha num grande “concertato” encenando o delírio do menino. De seu leito ele assiste o pai sendo julgado por um tribunal de cientistas, constituído por um coro de detratores e um coro de defensores, durante o qual todos os personagens expõem suas aflições.
     
QUADRO 2 – Carlos Chagas é recebido pelo então Presidente da República (baixo) quando leva consigo um coro de sertanejos para mostrar a condição em que se encontrava o homem brasileiro. Em reconhecimento a seus serviços, é nomeado para a pasta da Saúde.

QUADRO 3 – Em discurso na Academia de Medicina, Carlos Chagas é aclamado pelos alunos, porém, decepciona-se ao constatar a incredulidade de seus colegas ante suas conquistas. O reconhecimento de sua obra tornar-se-á na luta de uma vida para o futuro médico, Chagas Filho. Com a morte prematura de Carlos Chagas, o filho jura à mãe, Dona Iris, que dedicará sua carreira para reabilitar o nome e a obra de seu pai.

QUADRO 4 (FINALE) – A ópera termina com Chagas Filho adulto (barítono) na Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, ouvindo do papa o pronunciamento oficial da Santa Sé sobre a absolvição de Galileu, uma vitória que traz para ele o significado simbólico de reconhecimento universal pela obra de Carlos Chagas.