Osesp estreia concerto de Francesco Coll; saiba o que diz o compositor sobre a peça

por Redação CONCERTO 26/10/2026

O pianista Kirill Gerstein faz nesta semana, nos dias 29, 30 e 31, a estreia latino-americana do Concerto para piano do compositor espanhol Francesco Coll. A primeira apresentação da obra se deu no dia 8 de outubro, com a Orquestra Sinfônica de Boston, nos Estados Undidos, uma das instituições responsáveis pela encomenda – além dela, participaram a Osesp e as sinfônicas de Melbourne (Austrália), Castilla y León (Espanha) e da Rádio Bávara (Alemanha).

A obra é composta de três movimentos e, nela, “o solista age com um catalisador de caráter e tensão”, segundo o compositor. “Momentos de destaque alternam-se com passagens nas quais ele se dissolve na trama orquestral, dentro de uma linguagem marcada por uma forte fisicalidade e gestualidade. A orquestra desempenha um papel ativo, em vez de meramente acompanhante, comentando, ampliando e transformando o discurso do solista. A cadenza situa-se bem ao final do concerto, constituindo o último impulso de energia da obra e o seu ponto culminante expressivo”, completa Coll em texto sobre o Concerto.

O primeiro movimento, batizado de Humoresque (Impromptu), “assume a forma de uma humoresque de concepção livre, próxima, em espírito, do impromptu, mas permeado por uma energia violenta, rítmica e quase mecânica”. “A escrita sugere imediatismo e elasticidade formal: as ideias surgem abruptamente, são interrompidas e reformuladas com uma engenhosidade mutável; há humor, mas de um caráter tenso, mordaz, anárquico e imprevisível”, afirma a descrição da peça no site da editora Faber Music.

Paisagem, o segundo movimento, tem “caráter contemplativo e quase narrativo” e se abre com uma atmosfera noturna e espectral. “O piano desenvolve linhas cantabile introspectivas e suspensas, enquanto a orquestra irrompe, periodicamente, em corais densos e de grande escala que remetem a um caráter ritualístico. A tensão poética e a profundidade emocional do movimento decorrem do equilíbrio instável entre a intimidade da escrita para o solista e o vasto cenário orquestral.”

O terceiro movimento, Rag, “é um momento transbordante de energia e virtuosismo extremo: áspera, urbana, percussiva e agressiva, com uma pulsação em constante risco de ruptura”. “Ritmos obsessivos e de caráter motor evocam Conlon Nancarrow e o boogie-woogie; a obra é construída em torno de um motivo que remete a um balanço ao estilo de Cádis — embora sem referências diretas à música espanhola ou ao flamenco. Conclui-se com uma cadenza delirante.”

Comentando a estreia da peça, o Boston Classical Review afirmou que, “embora a escrita para piano de Coll abarque uma ampla gama de recursos, de passagens brilhantes a densos aglomerados sonoros e acordes de sonoridade pesada, é o tratamento que o compositor dá à orquestra que realmente se destaca”. “Sua condução desse conjunto é notável do início ao fim, especialmente no movimento central, com seu senso panorâmico de espaço e seu domínio da atmosfera”, escreveu o crítico Jonathan Blumhofer.

Veja mais detalhes no Roteiro do Site CONCERTO

O compositor Francesco Coll [Divulgação/Judith Loetscher]
O compositor Francesco Coll [Divulgação/Judith Loetscher]

 

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