Philip Glass retira estreia mundial de sinfonia do Kennedy Center

por Redação CONCERTO 28/01/2026

Decisão do compositor aprofunda crise institucional após mudanças promovidas por Donald Trump

O compositor norte-americano Philip Glass, 88 anos, anunciou a retirada da estreia mundial de sua Sinfonia nº 15, “Lincoln”, que seria apresentada em junho no John F. Kennedy Center for the Performing Arts, em Washington. A obra havia sido encomendada pela National Symphony Orchestra (NSO) e marcaria um dos eventos de destaque da temporada da instituição.

Em sua página no Facebook, Glass afirmou que a mensagem da sinfonia – inspirada no discurso de Abraham Lincoln no Lyceum, de 1838 – é incompatível com o momento atual da instituição. “A Sinfonia nº 15 é um retrato de Abraham Lincoln, e os valores do Kennedy Center hoje estão em conflito direto com a mensagem da obra”, escreveu o compositor. Glass recebeu o Kennedy Center Honors em 2018 e é um dos nomes mais consagrados da música contemporânea norte-americana.

A decisão ocorre em meio a um período de forte instabilidade no Kennedy Center, desencadeado por mudanças administrativas promovidas por Donald Trump desde que retomou a presidência dos EUA. Entre elas, a reformulação do conselho diretor e a polêmica alteração do nome da instituição para “Trump-Kennedy Center”. As medidas provocaram forte reação entre artistas e parte do público, que veem nas ações uma politização do centro.

O caso de Glass soma-se a uma série de cancelamentos de artistas de grande projeção. Nomes como Renée Fleming, Béla Fleck e Stephen Schwartz desistiram de se apresentar no local, enquanto a Washington National Opera, residente no Kennedy Center desde 1971, decidiu transferir suas produções para outros espaços.

A direção do Kennedy Center reagiu criticamente à decisão de Glass. Em declaração divulgada pelo site Violin Channel, a vice-presidente de relações públicas da instituição, Roma Daravi, afirmou que “não há lugar para política nas artes” e que boicotes motivados por posições políticas seriam um erro. Segundo ela, a instituição não cancelou nenhum espetáculo por iniciativa própria.


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Philip Glass, por Luis Alvarez Roure, 2016. Óleo sobre madeira. Acervo da National Portrait Gallery, da Smithsonian Institution, Washington, D.C. (wikimedia commons)
Philip Glass, por Luis Alvarez Roure, 2016. Óleo sobre madeira. Acervo da National Portrait Gallery, da Smithsonian Institution, Washington, D.C. (wikimedia commons)

 

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