Retrospectiva 2020: Luciana Medeiros

por Redação CONCERTO 28/12/2020

Luciana Medeiros, jornalista

“Ano de palcos vazios, de espera ansiosa pelos rumos da pandemia – sim, ansiedade e angústia –, 2020, o ano em que não estivemos em contato, chega ao fim com sopro de esperança imunizante. E, como diz um dos muitos memes, com o temor de uma nova onda de lives... 

O dia em que tudo fechou foi exatamente o 13 de março em que o Municipal carioca iria iniciar sua temporada, com um concerto da canadense Sondra Radvanovsky na série Grandes Vozes, parceria do teatro com o produtor Stefan Ganglberger. Simbólico. O Municipal, com Aldo Mussi na presidência e André Heller-Lopes na direção artística, tinha projetos de recuperação – “Estávamos no CTI, agora já evoluímos para um quarto”, metaforizava Mussi. Nos planos, as montagens de Yerma, de Villa-Lobos, e de A viúva alegre, de Franz Lehár. No meio do ano, André Heller-Lopes deixou o teatro e Ira Levin assumiu a posição. Tiveram uma presença de performance on-line no final do ano, quando os corpos artísticos voltaram ao trabalho presencial.

Para o palco da Sala Cecília Meireles, o plano de João Guilherme Ripper era recuperar sua mais forte característica, a de abrigar a música de câmara, na primeira programação completa depois da volta do compositor à direção da casa. Era ótima a perspectiva. No rescaldo, a Sala Digital foi um alento, com uma bela programação de Bach e Beethoven, além da Canção da Terra em versão camerística pela Cia Bachiana de Ricardo Rocha – com excelente transmissão. Dell’Arte e Música no Museu mantiveram suas séries on-line, com vídeos pré-gravados. A OSB, que chegou a fazer três concertos antes do fechamento total, completou 80 anos de existência e compareceu com séries Clássica Brasileira e Série Beethoven, com 15 concertos on-line. E a Petrobras Sinfônica foi pioneira ao voltar aos palcos para transmissões ao vivo, com maratonas de fim de semana. 

Isso no Rio de Janeiro. Claro que, no mundo digital, pudemos ver pela telinha os maiores do mundo na música e na ópera, quase sempre de graça. Se houve alguma vantagem no isolamento, foi essa – provavelmente não serão abandonados os streamings e os vídeos de performances, como a Filarmônica de Minas fez tão bem. Mas aqui, no nosso balneário, permanece a dúvida do que acontecerá na volta ao velho normal. A prefeitura, agora com Eduardo Paes, não anunciou nada específico na linha do incentivo cultural; no estado, que gere Municipal e Sala Cecília Meireles, permanece a incerteza movida pelo possível impeachment de Witzel e suas consequências na Secretaria de Cultura. É aguardar. Principalmente a vacina.”  

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