Palácio das Artes apresentou equilibrado “Um baile de máscaras”

por Nelson Rubens Kunze 11/11/2013

Corte sueca, fim do século XVIII. O Rei Gustavo III está apaixonado por Amélia, esposa de seu melhor amigo Renato. Ela também sente amor pelo rei. Após flagrar o casal apaixonado, Renato assassina Gustavo durante um baile de máscaras. Agonizando, o rei ainda afirma sua fidelidade ao amigo, que acaba por se arrepender de seu ato. Esta história, resumo do libreto de Antonio Somma, baseado no libreto de Eugène Scribe para a ópera de Daniel Auber, inspirou Giuseppe Verdi a compor a ópera Um baile de máscaras, estreada em Roma em 1859. Verdi contava 46 anos e, àquela altura, já era reconhecido por obras como Macbeth, Il trovatore e La traviata. O Baile antecede o último período criativo do mestre italiano, que o crítico Lauro Machado Coelho define como “de plena maturidade”, e que legaria as obras-primas finais Don Carlo, Otello e Falstaff.

 

A nova encenação de Um baile de máscaras apresentada no Palácio das Artes, de Belo Horizonte, é uma bela homenagem aos 200 anos de nascimento de Verdi. Com direção musical de Marcelo Ramos e concepção e direção cênica de Fernando Bicudo, a equilibrada produção contou com uma boa performance da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, do Coral Lírico de Minas Gerais e da Cia. Sesc de Dança. A apresentação a qual assisti, no dia 8 de novembro, foi regida pelo maestro assistente da OSMG, Gabriel Rhein-Schirato. No todo correta, faltou um pouco de organicidade à execução, que, contudo, ganhou fluência ao longo da noite.


Cena da montagem de Um baile de máscaras do Palácio das Artes [foto: João Marcos Rosa/divulgação]

A encenação de Bicudo segue um padrão tradicional. Os cenários (Renato Theobaldo) são formados por vários painéis verticais suspensos de forma deslocada, que reproduzem, para as diversas cenas, diferentes motivos descritivos dos vários ambientes. Os bem realizados figurinos de época são de Elena Toscano e a iluminação esteve a cargo de Pedro Pederneiras. Sem grandes lances criativos, as soluções cênicas propostas por Bicudo são funcionais e garantem uma estrutura apropriada para o desenrolar da trama.

O tenor norte-americano Mark Heller fez Gustavo, com desenvoltura cênica e bom domínio vocal. A esposa Amélia foi cantada por Eiko Senda, que alcançou melhor resultado em suas intervenções líricas que nas dramáticas. Leonardo Páscoa substituiu muito bem o adoentado Douglas Hahn, interpretando Renato com competência. A cigana Ulrica foi interpretada por Ana Lucia Benedetti, mezzo soprano de bonito e homogêneo timbre. Foi igualmente bom e regular o restante do elenco (Federico Sanguinetti como Samuel, Lukas d’Oro como Tom, Eduardo Sant’Anna como Silvano e Matheus Pompeu como juiz), com um especial destaque para a jovem soprano Lina Mendes, que fez o exigente papel de Oscar.

Com esta produção, o Palácio das Artes ofereceu à população mineira a oportunidade de descobrir uma das mais inspiradas e geniais obras do mestre italiano. Um baile de máscaras fecha o ano lírico de Minas Gerais, que neste ano ainda teve a estreia mundial de Fedra e Hipólito, do norte-americano Chripstopher Park, e uma versão de Madama Butterfly realizada no jardim japonês do zoológico de Belo Horizonte.

[Nelson Rubens Kunze viajou a Belo Horizonte e assistiu a Um baile de máscaras a convite da Fundação Clóvis Salgado / Palácio das Artes.]

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