Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", John Neschling critica processo de sucessão da Osesp

por Redação CONCERTO 09/12/2008

Em longa entrevista concedida ao jornalista João Luiz Sampaio e publicada hoje no jornal “O Estado de S. Paulo”, o maestro John Neschling relata os acontecimentos que resultaram em seu pedido de demissão, feito em junho passado. O maestro se diz preocupado com a maneira como a sucessão está sendo feita e magoado por ter sido excluído do processo.

John Neschling conta que foi convidado para um almoço com o vice-presidente da Fundação Osesp, Pedro Moreira Salles, em dezembro passado, imaginando que seria a oportunidade para fazer um balanço do ano. "Qual não foi minha surpresa quando, no almoço, ele me afirmou com todas as letras que não havia a menor condição de renovar o meu contrato [...]. Segundo ele, politicamente não havia possibilidade."

Mais adiante, Neschling diz que defendeu a proposta de que a sucessão agora seria precipitada, de que a orquestra estava no meio de um processo que não deveria ser interrompido. "Já naquele primeiro almoço me falaram dos consultores estrangeiros que a orquestra traria para ajudar na busca pelo novo maestro. Ninguém perguntou o que eu achava, apenas me comunicaram." O maestro John Neschling conta que algum tempo depois escreveu uma carta a Fernando Henrique Cardoso, presidente da Fundação Osesp, tratando deste assunto. Na carta, "eu colocava que, por tudo que estava acontecendo, se eu não dissesse que sairia, seria 'saído'. Era uma carta pessoal, não foi oficial. Mas antes de qualquer resposta, recebi uma carta, uma semana depois, aceitando a minha decisão de não renovar o meu contrato." Na entrevista, Neschling declara: "Não sou insubstituível, mas não concordo com a maneira como está acontecendo a troca. [...] Mas, o que vai fazer uma Secretaria da Cultura que só desconstrói?"

O maestro também faz uma reflexão sobre a organização social Fundação Osesp. Apesar de ainda considerar o modelo a melhor maneira de gestão da orquestra, Neschling afirma que estranhamente hoje a orquestra é mais dependente do Estado do que antes.

Em outro trecho da extensa matéria, Neschling afirma: "O que mais me magoa é ver um trabalho reconhecido internacionalmente, uma posição que adquiri ser colocada em jogo com ligeireza. O que me deixa magoado não é querer rediscutir as coisas mas, sim, fazer isso sem a minha presença [...]. Quando um governador, um secretário de Cultura ou uma de suas assessoras decide tirar você da jogada, e têm poder político para tanto, o conselho acaba sendo influenciado e acaba cedendo. Agora, insisto que não há razão artística para minha saída."

Leia a matéria completa neste link do jornal O Estado de S. Paulo.