John Neschling anuncia sua saída da Osesp para 2010

por Redação CONCERTO 26/06/2008

Em carta ao Conselho da Fundação Osesp, organização social da cultura que dirige a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, o maestro John Neschling comunicou sua intenção de não renovar seu contrato com a orquestra, que vence em outubro de 2010. O anúncio causou alvoroço no meio cultural.

Em entrevistas concedidas à revista Veja São Paulo e ao jornal Folha de S. Paulo, John Neschling atribui a sua decisão de não renovação de seu contrato às pressões, interferências e amadorismo da atual gestão da Secretaria de Estado da Cultura. Em tom de desabafo, Neschling relata que desde o início do governo Serra tem sido objeto de ataques desestabilizadores, que há uma constante tentativa de diminuir a verba destinada à orquestra e que o governo procura se imiscuir no trabalho da Osesp, até nas questões artísticas. O maestro também reclama da falta de apoio e reconhecimento: "Quando a Seleção Brasileira de Futebol ganha a Copa do Mundo, volta ao Brasil e desfila em carro aberto dos bombeiros. Vai a Brasília, recebe comendas e o diabo. A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo faz uma turnê vitoriosa, triunfal na Europa, é classificada pelo jornal francês Le Monde como um milagre brasileiro. Ao voltar, é apedrejada. [...] Deveríamos ser paparicados." Na matéria de Veja São Paulo, o economista e Secretário da Cultura João Sayad nega interferência e declara que a saída do maestro é questão interna da Fundação Osesp, que "é mais independente que o Banco Central".

A Osesp e a Sala São Paulo tornaram-se realidade a partir de um projeto visionário, rara habilidade executiva e brilhante talento e direção artística do maestro John Neschling. A Fundação Osesp representa uma revolução na história da atividade musical brasileira. Não há notícias de projeto similar que tenha tido tamanho êxito e gerado tamanha repercussão cultural.

É preciso reconhecer a obra do maestro John Neschling como um dos grandes feitos de nosso tempo. É preciso tratá-la com cuidado, seriedade e profissionalismo. A Osesp e a Sala São Paulo elevaram a vida musical paulista e brasileira a um novo e histórico patamar de qualidade e realizações. Interagindo com a nossa realidade sócio-cultural, a repercussão dos projetos implementados transcende em muito as elogiadas turnês e os extraordinários concertos que a orquestra realiza na Sala São Paulo.

É fundamental que, na transição da direção da Osesp, a Fundação e a Secretaria da Cultura coloquem o interesse público em primeiro lugar e mantenham as diretrizes básicas que hoje norteiam esse projeto vencedor.

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