John Neschling apresenta petição para que seja ouvido pelo Ministério Público

por Redação CONCERTO 08/08/2016

O advogado do maestro John Neschling, Eduardo Pizarro Carnelós, apresentou no dia de hoje (8/8/2016) petição ao promotor de justiça Arthur Pinto de Lemos Junior, requerendo que seja designada a data para que o “maestro seja, finalmente, ouvido e refute as esdrúxulas e insustentáveis imprecações lançadas pelo criminoso premiado”. Em delação premiada homologada pela justiça, o ex-diretor da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, José Luiz Herencia, confessou crimes que desviaram milhões de reais da verba do teatro, envolvendo em seu depoimento o ex-diretor do IBGC, William Naked, e o maestro John Neschling.

 

Carnelós afirma que Neschling apresentou petição já em 8 de março deste ano, em que o maestro se colocava à disposição para “prestar todos e quaisquer esclarecimentos sobre os fatos apurados”. O advogado afirma que, mesmo sem ter ouvido o maestro, o Ministério Público teria requerido o afastamento de Neschling de seu cargo no Theatro Municipal – pedido que teria sido indeferido pela justiça. Na petição, Carnelós reclama que essas ocorrências não constem dos autos, bem como também não conste o fato de que supostos e-mails do maestro teriam sido interceptados para justificar o pedido ao Ministério Público: “Ora, se é verdade que V.Ex.a requereu à Autoridade Judiciária o afastamento de Neschling de seu cargo, e que teve acesso a mensagens eletrônicas dele, por meio da quebra de sigilo de suas comunicações, esses elementos deveriam estar retratados nos autos. Afinal, o mínimo que se há de assegurar a quem é alvo de investigação é o direito a conhecer todos os termos dela, em cumprimento às garantias inscritas no art. 5º, LV, LVI, LVII e LX da Carta da República, e nos termos do que dispõe o Verbete 14 da Súmula Vinculantes do Supremo Tribunal Federal”.

Na nota enviada comunicando a nova petição, Carnelós afirma que “ao mesmo tempo em que premia o criminoso, o Ministério Público confere foros de verdade às mentiras contadas por ele para acusar Neschling, que foi transformado em alvo principal da investigação e tem sua vida devassada. Espera-se que tenha fim essa campanha odiosa que se promove contra o maestro, e que os verdadeiros criminosos sejam punidos, em vez de serem premiados, podendo gozar de liberdade e dos recursos públicos que desviaram”.

 

Leia abaixo a íntegra da nota do advogado do maestro John Neschling, Eduardo Pizarro Carnelós

NOTA

O maestro John Neschling tem sido alvo de ataques constantes, sem que contra ele tenha sido produzida nenhuma prova, ou mesmo indício mínimo da prática de crime. Com base na palavra de um criminoso premiado, cujas malversações causaram prejuízos de R$ 15 milhões ao Theatro Municipal, segundo apuração da Controladoria Geral do Município, o nome do maestro tem sido enxovalhado, sem que ele tenha, até agora, sido chamado a prestar depoimento perante o Ministério Público, mesmo tendo apresentado petição no dia 8 de março deste ano, na qual disse estar à disposição para prestar todos e quaisquer esclarecimentos sobre os fatos apurados. Sem ouvi-lo, o Ministério Público teria requerido o afastamento de Neschling do cargo que ocupa, pedido que teria sido indeferido pelo Poder Judiciário, mas disso não há notícia nos autos do procedimento de investigação. Hoje, apresentou-se nova petição ao Promotor presidente do feito, em que se requer a juntada de todos os elementos já colhidos e mantidos à margem dos autos, bem como a designação de data para que o maestro seja, finalmente, ouvido e refute as esdrúxulas e insustentáveis imprecações lançadas pelo criminoso premiado. Este, aliás, apesar do vultoso prejuízo que causou, foi agraciado com acordo pelo qual “devolverá” 6 milhões de reais, mas a importância está representada por bens que já haviam sido objeto de apreensão e/ou arresto. Ao mesmo tempo em que premia o criminoso, o Ministério Público confere foros de verdade às mentiras contadas por ele para acusar Neschling, que foi transformado em alvo principal da investigação e tem sua vida devassada. Espera-se que tenha fim essa campanha odiosa que se promove contra o maestro, e que os verdadeiros criminosos sejam punidos, em vez de serem premiados, podendo gozar de liberdade e dos recursos públicos que desviaram.

Eduardo Pizarro Carnelós, advogado