Neschling não comparece à CPI; vereadores requerem condução coercitiva

por Redação CONCERTO 24/08/2016

O maestro John Neschling, envolvido no escândalo que desviou R$ 15 milhões do Theatro Municipal de São Paulo, não compareceu à acareação com o delator e criminoso confesso José Luiz Herencia, que estava agendada para esta quarta-feira, dia 24. Em razão disso, os vereadores decidiram solicitar à justiça a condução coercitiva do maestro para uma nova sessão. A CPI também decidiu requerer à Polícia Federal a apreensão do passaporte do maestro bem como a suspensão do pagamento de seus honorários pelo IBGC – Instituto Brasileiro de Gestão Cultural.

 

Nas primeiras horas do dia, o advogado de Neschling, Eduardo Carnelós, havia endereçado uma petição para justificar a ausência do maestro. Conforme nota divulgada no início da noite, Carnelós sustenta que, “apesar da sólida fundamentação da petição, consideraram não ter sido ela ‘séria’, e como punição por ele ter ousado exercer seus direitos, decidiram, contra a lei e em ato de abuso de autoridade, conduzi-lo coercitivamente, além de confiscar seu passaporte e determinar a suspensão de seus pagamentos”.

Na semana passada, John Neschling depôs na CPI por 5 horas. Em suas declarações, afirmou seguidamente que não pode ser acusado por pagamentos pelos quais não tinha responsabilidade. John Neschling nega qualquer irregularidade e, após o depoimento, escreveu em sua página no Facebook: “Foram mais de 5 horas exaustivas de depoimento, mas sinto-me aliviado, pois pude pela primeira vez esclarecer os fatos e refutar as mentiras que se espalhavam a meu respeito”.

No único documento oficial divulgado até o momento, o relatório de mais de 70 páginas da Controladoria Geral do Município, não há menção a qualquer conduta irregular ou ilícita do maestro John Neschling.

Leia abaixo a nota divulgada no início da noite pelo advogado do maestro John Neschling:

As cenas de hoje na CPI comprovam o que se afirmou na petição endereçada para justificar a ausência de John Neschling à acareação: além da inocuidade, sua presença serviria apenas para a submissão aos ataques vis proferidos por Herencia e alguns vereadores, que se mostraram suscetíveis ao simples exercício de direito. Apesar da sólida fundamentação da petição, consideraram não ter sido ela “séria”, e como punição por ele ter ousado exercer seus direitos, decidiram, contra a lei e em ato de abuso de autoridade, conduzi-lo coercitivamente, além de confiscar seu passaporte e determinar a suspensão de seus pagamentos. É lamentável assistir a tamanho abuso, como se a CPI pudesse cassar o direito que o maestro tem de proteger sua imagem, sua dignidade e sua honra, e como se pudesse puni-lo por isso, fazendo-o objeto da vontade dos investigadores, a serviço de finalidades políticas. O absurdo foi tão evidente, que Herencia foi tratado como herói, e suas mentiras tomadas como verdades. As acusações nem mesmo fazem sentido, e Neschling usará os instrumentos jurídicos disponíveis para arrostar o arbítrio que se pretende consumar contra ele.

Eduardo Pizarro Carnelós

[Leia aqui a notícia anterior sobre o caso.]