Prefeitura apresenta auditoria do Theatro Municipal; Herencia e Nacked depõem em CPI

por Redação CONCERTO 01/07/2016

A Prefeitura de São Paulo divulgou na quarta-feira, 29 de junho, o relatório produzido pela Controladoria-Geral do Município com os resultados da auditoria realizada na Fundação Theatro Municipal de São Paulo (FTM) e na organização social contratada Instituto Brasileiro de Gestão Cultural. O relatório, que abrange o período de 2013 a 2015, aponta irregularidades que podem ter gerado prejuízos da ordem de R$ 15 milhões.

 

As irregularidades identificadas são relativas a “contratos firmados entre o IBGC e fornecedores de serviços e materiais, no controle exercido pela Organização Social em relação a suas atividades, em pagamentos, em contratos de mútuo, em transferências, na regularidade de empresas contratadas, conflitos de interesses, na elaboração de contratos do instituto, nas datas relativas aos pagamentos e às prestações de seus respectivos serviços, na utilização de Pessoas Jurídicas como Pessoas Físicas e em valores que foram utilizados indevidamente e não foram recuperados”. [Clique aqui para ler o relatório completo.]

Na mesma quarta-feira, o ex-diretor da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, José Luiz Herencia – que já confessou o crime e acertou uma delação premiada – e o diretor afastado do IBGC, William Nacked,  prestaram depoimento na CPI que corre na Câmara dos Vereadores. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, Herencia, cujo depoimento transcorreu em sigilo, teria envolvido o secretário de comunicação Nunzio Briguglio de ordenar contratações de pagamentos, bem como o maestro John Neschling, que teria intermediado contratos de sua empresa com a instituição. O diretor afastado do IBGC, William Nacked, também acusou John Neschling de participação no esquema. Tanto Briguglio quanto Neschling, que também deverão ser convocados para depor, negaram as acusações.

O relatório da Controladoria-Geral do Município não cita nominalmente o maestro John Neschling nem o secretário Nunzio Briguglio. O relatório, contudo, cita a empresa PMM Produções Artísticas e Culturais, empresa do maestro, que é a contratada pelo IBGC para “prestação de serviços das funções exercidas pelo Diretor Artístico”, questionando a natureza do serviço como própria de pessoa física e não de pessoa jurídica. Além disso, ressalta que já há o cargo de Diretoria Artística na Fundação.

A nova gestão da Fundação Theatro Municipal, dirigida por Paulo Dallari, afirma em sua justificativa que “o contrato citado pela auditoria encerrou-se em dezembro de 2015. Um novo contrato referente especificamente à temporada de 2016 foi celebrado em bases regulares relativo às atribuições efetivamente desempenhadas e encontra-se em vigor”. E segue: “Cabe também a observação de que as atividades da empresa restringem-se àquelas vinculadas ao Contrato de Gestão celebrado com o IBGC e não se estendem às atribuições que permanecem diretamente ligadas à Fundação Theatro Municipal de São Paulo. A FTMSP dispõe de direção artística própria, cargo de livre nomeação hoje ocupado por profissional do mercado nos termos da legislação municipal”.

Em sua página no Facebook, o maestro John Neschling publicou longo post rebatendo as acusações e criticando a divulgação dada pela imprensa. Neschling escreve: “Estes dois notórios ladrões tentam jogar uma cortina de fumaça sobre os fatos, a fim de escaparem da luz dos holofotes. É triste que jornalistas de veículos sérios e os próprios vereadores na CPI comprem essas versões fantasiosas sem nem ao menos lerem com atenção o resultado do trabalho minucioso da Controladoria da Prefeitura. [...] Preferem os jornalistas estampar nas manchetes nomes de cidadãos honrados e honestos para alimentar o pão e circo tão desejado por uma plateia desinformada e ávida por uma guilhotina”.