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DIÁRIO DE VIAGEM – Festival de Salzburg (29/8/2012)
Por Irineu Franco Perpetuo

Último dia (31/08) – Para a aparição no Festival de Salzburgo, a Orquestra Concertgebouw, de Amsterdã, escolheu um programa que tem tudo a ver com sua história. Abrindo, o Concerto para violino nº 2, de Bartók, estreado pela Concertgebouw em 1939. E, na segunda parte, a Sinfonia nº 1, de Mahler, compositor defendido pela orquestra desde os tempos do mítico Willem Mengelberg (1871-1951) – e muito antes de suas sinfonias se tornarem a unanimidade que hoje são.
Vale lembrar que a Concertgebouw foi escolhida por um júri de nossa co-irmã, a revista britânica “Gramophone”, a melhor orquestra do mundo. E que, de acordo com João Luiz Sampaio [clique aqui para ler], ela vem ao Brasil no ano que vem, sob a batuta do letão Mariss Jansons, 69, titular da orquestra desde 2004.
Fiquei pasmado quando ouvi o ainda relativamente desconhecido Leonidas Kavakos tocar com a Osesp, em 1998. Já famoso, ele voltou a SP em 2004, com a Sinfônica da BBC, e agora, às vésperas de completar 45 anos, é um artista na plenitude. O repertório do século XX tem sido interpretado com extremo apuro no festival, e a performance de Kavakos do concerto de Bartók se destaca em meio a uma sucessão de pontos altos – algo como um pico em uma cordilheira.
Na segunda parte do programa, Jansons comandou a orquestra em um Mahler intenso, porém desprovido de excessos ou pirotecnias. Conduziu a Concertgebouw com a serenidade de quem não precisa fazer esforço para agradar, nem enfatizar demais um discurso musical enfático por si só. Ao final, ovação unânime e de pé: uma das poucas a que presenciei por aqui.
Detalhe: a exemplo do que acontece no Rio Grande do Sul, em Salzburgo o traje típico é considerado vestimenta de gala. Assim, uma cena corriqueira é ver cavalheiros de smoking aplaudindo ao lado de damas com figurinos que parecem saídos do musical A Noviça Rebelde – que, por aqui, é objeto de um culto quase equiparável ao de Mozart. Suvenires com a temática The Sound of Music (nome original do filme) se fazem avistar a cada esquina.
Neste ano, o festival recebeu um número recorde de visitantes: 278.978, provenientes de 78 países, sendo 41 de fora da Europa. As vendas de ingressos amealharam a bagatela de 28.250.000 euros. Ao todo, foram 256 performances em 45 dias, em 16 locações diferentes.
Amanhã tem Réquiem de Verdi com as forças do Scala, de Milão, sob a batuta de Daniel Barenboim, e elenco estelar. Mas esse eu não vou ver, e nem lamento. Nada contra Verdi, nem os artistas envolvidos; é que simplesmente não vejo a hora de voltar para a minha sobrinha e cobri-la de presentes. Espero que ela goste do álbum de colorir de A Flauta Mágica, bem como de recortar roupas de papel e vestir o Papageno e a Rainha da Noite.
Despeço-me com um brinde de Aperol, um drinque bem popular por aqui. Prost!

P.S.: Carlos Rauscher, leitor atento (e possivelmente único) deste diário, pede-me para corrigir uma informação. Alexander Pereira não é suíço, como escrevi aqui, e sim vienense, e vai completar 65 anos em outubro. Do limão da errata, faço a limonada da fofoca. Quando me encontrou para contar de sua viagem a Salzburgo, em 2010, João Luiz Sampaio já dizia que um dos assuntos mais abordados nas rodas do festival era sobre a bela acompanhante de Pereira. Não a vi por aqui, então reproduzo o que li na internet. O diretor artístico do festival está com Daniela Weisser, uma manauara de 25 anos, que deve este sobrenome ao seu até então marido, o fotógrafo da Playboy Otto Weisser, 75. Clique aqui para ver a foto do casal e ler mais detalhes sobre este conto de fadas na reportagem “Dani é o meu grande amor” (em alemão).


Royal Concertgebouw Orchestra Amsterdam em Salzburgo


Violinista Leonidas Kavakos


Prost! Und auf Wiedersehn! [fotos: Irineu Franco Perpetuo]

Dia 30 - Em 1986, Herbert von Karajan teve a ideia de convidar um emergente maestro milanês de 33 anos para vir ao Festival de Salzburgo com a Gewandhaus de Leipzig. 26 anos depois, a aposta de Karajan está na chefia da orquestra que um dia foi de Mendelssohn, e faz seu primeiro retorno ao festival com a Gewandhaus desde aquele dia.
16 anos (1998-2004) à frente de uma das orquestras mais dedicadas a Mahler do planeta, a Concertgebouw de Amsterdã, transformaram Riccardo Chailly, 59, em um dos mahlerianos mais respeitados da atualidade. Andante moderato como segundo movimento, Scherzo como terceiro, dois (e não três) golpes de martelo no último movimento: o milanês sabe muito bem o que quer da menos popular das sinfonias de Mahler, a Sexta.
Com um grupo de qualidade acima de excepcional, Chailly brindou Salzburgo com um Mahler teatral e eletrizante. Difícil não se emocionar com a batuta incandescente do regente e o virtuosismo vertiginoso de seus comandados.
Em São Paulo, João Luiz Sampaio e eu nos reunimos uma vez por semana para resolver os problemas da música no Brasil na Hamburgueria do Sujinho. Para aguentar o tranco de uma hora e meia de música angustiada, resolvi fazer uma boquinha no Salzach Grill, restaurante do badalado Hotel Sacher
. O Salzburger, com páprica, não decepcionou, com uma suculência à altura da orquestração mahleriana. E, estando no Sacher, não pude deixar de provar a Sacher-Torte original, que me proveu de calorias suficientes até a próxima edição do festival.
Para o trabalho da imprensa, o festival organizou um Media Center, em frente aos teatros do festival, com computadores, loiríssimas ninfas do rio Salzach que fizeram a alegria de João Luiz Sampaio no ano em que ele por aqui esteve, e um sortimento ilimitado de água San Pellegrino e chocolates Kit-Kat que faz a minha alegria.
Contudo, o Media Center fecha à noite. Assim, esse diário é redigido depois dos concertos, no hotel. Como a internet wi-fi só pega na recepção, é aqui que me instalo para trabalhar.
Pois bem: semana passada, a Sinfônica de Londres estava hospedada no “meu” hotel. Enquanto eu redigia o relato do concerto deles, ouvia alguns de seus integrantes tomando cerveja como se fosse água (pensando bem, nunca vi ninguém beber água naquela quantidade) e discutindo a qualidade da apresentação.
“Hoje eu toquei algumas notas erradas, o que aparentemente não é comum nessa orquestra”, dizia um. “Ah, mas hoje até ele (referência óbvia ao maestro Valeri Gergiev) estava satisfeito”.
Foi a senha para começarem os ataques ao regente titular da orquestra. Para o mais exaltado, Gergiev não dava a mínima para os músicos: seu grande pecado era jamais ter pago uma cerveja para quem quer que fosse. Outro dizia que todos os regentes eram igualmente egoístas, enquanto um terceiro se lembrava de Semion Bychkov como raro exemplo de maestro com”face humana”.
Bastou o mais exaltado se retirar para virar alvo da crítica dos remanescentes. O mais contemporizador rotulava Gergiev de “grande homem”, exortando os colegas a tentarem entender seus méritos. Criticando o corporativismo das críticas dos músicos ao regente, arrematou: “só na Inglaterra acontecem essas coisas”.
Fui obrigado a concordar, em silêncio. Realmente, esse tipo de conversa seria tão impensável em outro país que até tive dificuldade de traduzi-la para o português. Espero que, apesar de toda a especifidade britânica, ela tenha algum interesse para o leitor brasileiro...


Riccardo Chailly [foto: divulgação]


Sacher-Torte, do Hotel Sacher [foto: Irineu Franco Perpetuo]


Hotel Sacher de Salzburg [foto: divulgação]


29 de agosto
- Krystian Zimerman é, para mim, a grande decepção do Festival de Salzburgo em 2012. Não por ter tocado mal, mas simplesmente por não ter tocado. Eu tinha ingressos para duas apresentações suas, ambas canceladas: o recital solo da semana passada, em que foi substituído por Leif Ove Andsnes, e a aparição de hoje com a Orquestra de Cleveland, com a qual tocaria o Concerto para piano e orquestra de Lutoslawski, compositor que está tendo um mini-ciclo de obras aqui no festival. Bem, torço muito para que Zimerman se recupere logo, e para que algum dia eu tenha a chance de reconhecer seu supertlativo talento ao vivo.
Sua obra foi substituída por Chte d'Étoiles. Hommage à Anselm Kiefer, do compositor e regente alemão Matthias Pintscher, estreada pela Cleveland há menos de uma semana (dia 25) no Festival de Lucerna (Suíça). A partitura faz alusão a uma obra do artista plástico alemão Anselm Kiefer, 67, na Monumenta de Paris, em 2007: sete casas e três esculturas simbolizado a unidade divina entre homem e cosmos. Musicalmente, um discurso sem concessões, explorando ao máximo as habilidades de Michael Sachs e Jack Sutte, dois trompetistas da orquestra responsáveis pelos dificílimos solos.
Devo admitir que Tábor e Blaník, os dois últimos poemas sinfônicos do ciclo Ma Vlást, de Smetana, que abriram a noite, não são a música que mais me fala ao coração. Estava prestes a dizer o mesmo da elusiva Sinfonia nº 6, de Chostakóvitch, que fechou o programa. Contudo, ela foi executada com tamanha convicção e verve que acabou me ganhando.
Minha curiosidade era enorme com relação ao regente, o austríaco Franz Welser-Möst, devido às histórias pitorescas que tinha ouvido dele. Adotado pelo Barão Andreas von Bennigsen, mudou de nome e se casou com a ex-mulher do mesmo. Nos anos 90, chegou a regente titular da Filarmônica de Londres, recebendo da crítica britânica o singelo apelido de “Frankly Worse Than Most” (francamente pior que a maioria).
Isso teria queimado qualquer um. Em impressionante volta por cima, contudo, Welser-Möst construiu uma reputação da Ópera de Zurique, da qual foi diretor musical entre 1995 e 2000. Hoje em dia, aos 52 anos, divide a direção da Ópera de Viena com a Orquestra de Cleveland, sob seu comando desde 2002, e que mostrou em Salzburgo um nível que nada deixa a dever às grandes orquestras europeias que andam se exibindo por aqui.
Alexander Pereira, o suíço de 65 anos que está fazendo em 2012 sua primeira temporada como diretor artístico do festival, reforçou a ligação do evento com a música moderna e contemporânea. Sem fazer parte do festival, mas certamente funcionando em excelente complementaridade com a proposta, o Museum der Moderne – MdM Salzburg – que olha a cidade de cima da montanha – sedia, até novembro, a mostra John Cage und..., em torno do compositor norte-americano cujo centenário de nascimento e 20 anos de morte são lembrados em 2012.
Além de partituras, instalações e desenhos do próprio Cage, a exibição traz trabalhos de artistas de alguma forma relacionados a seu trabalho, de Paul Klee e Vassili Kandinsky a Nam Jun Paik e Andy Warhol, passando por Yoko Ono. Há todo um andar dedicado a Merce Cunningham, o coreógrafo parceiro estético e de vida de Cage.
Na descida da montanha, uma parada para refresco no Afro Coffee, um lugarzinho colorido que faria muito sucesso na Vila Madalena. A pedida é chá preto do Quênia, que vem com três ampulhetas, para controle do tempo de infusão e, consequentemente, da força de seu sabor.
À noite, um lugar que só podia atrair um fã de ópera: Nabucco, restaurante italiano de Giovanni, um napolitano radicado em Salzburgo há quatro anos e meio, que me serviu um penne all'arrabiata honesto e um delicadíssimo tiramisù.

P.S. 1: Esqueci de comentar que todas as óperas aqui têm legendas em alemão e em inglês. Ontem, ao final de Die Soldaten, uma mensagem política: Freiheit für Pussy Riot/Free Pussy Riot, pedindo liberdade para a banda russa de rock encarcerada por protestar contra Vladímir Putin. O aplauso do público foi entusiástico.

P.S. 2: Pode ser que minha miopia tenha me enganado, mas acho que vi Luiz Filip em meio ao naipe de violinos da Filarmônica de Berlim, no concerto que a orquestra fez por aqui. Outros brasileiros, com vista melhor que a minha, asseguraram-me que ele estava por lá, sim. Vocês podem chamar esse sentimento de arcaico e extemporâneo, mas eu senti, sim, uma pontinha de orgulho ao ver um compatriota nessa orquestra excepcional, participando de uma ocasião tão importante.


Chá preto do Quênia no Afro Coffee


Partitura de John Cage, no Museum der Moderne – MdM Salzburg


Vista de Salzburg [fotos: Irineu Franco Perpetuo]

28 de agosto
- Não, você não precisa ver Aida na Arena de Verona para se deparar com cavalos no palco. Um dos teatros de Salzburgo, a Felsenreitschule era originalmente (1693) uma escola de equitação encravada na rocha, e lá se empregou uma meia dúzia de equinos em poderosa encenação de um monumento operístico do século XX: Die Soldaten, de Bernd Alois Zimmermann (1918-1970).
Autor do balé Alagoana – Caprichos Brasileiros (1950), o alemão Zimmermann se baseou na peça teatral homônima de Jakob Michael Reinhold Lenz (1751-1792), poeta do movimento pré-romântico alemão conhecido como Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), para criar sua única ópera.
A jornada de degradação de Marie, filha de mercador seduzida e abandonada pelo Barão Desportes estreou em Colônia, em 1965, e pode com justiça ser considerada a herdeira, no pós-guerra, de obras-primas de Alban Berg como Wozzeck e Lulu. Vendo-a no palco você não se pergunta por que é tão pouco encenada: as demandas sobre cantores e instrumentistas são tão sobre-humanas que poucas casas no mundo têm condições de enfrentá-las.
A Filarmônica de Viena encheu o fosso orquestral, e os lados da sala ainda foram ocupados com um combo de jazz, e mais cravo, celesta, violão, par de órgãos e um suculento aparato de percussão, que ribombava no teatro em estereofonia eletrizante.
Co-produção entre o Festival de Salzburgo e o Scala de Milão, a encenação de Alvis Hermanis, ambientada na I Guerra Mundial, colocou os cantores à frente do estábulo – por detrás deles, separados por uma divisória de vidro, os cavalos passeavam constantemente.
Embalado por uma direção de atores consciente e uma regência para lá de segura de Ingo Metzmacher, que extraiu uma sonoridade luxuriante da filarmônica, o elenco se atirou a seus papéis com visceralidade, enfrentando com galhardia os bruscos e amplos saltos vocais e as mudanças constantes de ataque e emissão que fazem da escrita vocal de Zimmermann um desafio constante. Os destaques ficaram do lado feminino, com duas sopranos: Laura Aikin no atormentado papel-título e a sólida Gabriela Benacková como a Condessa de La Roche.
Isso foi à noite. A Felsenreitschule divide o prédio com a Haus für Mozart que, à tarde, abrigou uma experiência completamente diferente: o recital do tenor peruano Juan Diego Flórez.
Tenores mexem mesmo com o público, e vi nesse concerto cenas raras em Salzburgo. Antes de a apresentação começar, com Flórez no palco, pessoas se desentendiam sobre seus lugares – o tenor fez um gesto com a mão, retirando-se e, como um personagem de ópera bufa, mostrava-se por detrás da porta, para ver se a querela havia sido resolvida.
Eventualmente se sentaram todos, mas sem sossegar: telefones celulares soaram duas vezes ao longo da récita. E finalmente vi o público se levantar unanimemente em uma apresentação, em vez de se limitar a patear o solo (o aplauso padrão por aqui). Para tanto, Flórez teve de cantar, como segundo bis, Pour mon âme, a ária com nove dós de A Filha do Regimento, de Donizetti.
Embora seja colecionador de suas gravações, eu só tinha ouvido Flórez uma vez, em 98, quando ele era ainda relativamente desconhecido, e esteve no Municipal de São Paulo para um concerto com orquestra, substituindo Rockwell Blake.
Naquela época, eu saí do teatro de queixo caído. E confesso que hoje também foi difícil colocar a mandíbula no lugar. Flórez cantou um programa em que o único item realmente conhecido era Ah! lève-toi, soleil!, do Romeu e Julieta, de Gounod.
Entre canções e árias do bel canto cuidadosamente escolhidas (dá para conferir o repertório todo, clique aqui),
o tenor causou assombro com um fôlego aparentemente inesgotável (fiquei especialmente abobado com uma longa sequência de coloraturas na ária En butte aux fureurs de l'orage, da ópera Roland, de Piccini, o esquecido rival de Gluck), agilidade suprema e agudos de facilidade inimaginável. Flórez não evita as dificuldades; pelo contrário, parece buscá-las com a temeridade e o arrojo de um piloto de Fórmula Um que se esbalda em fazer curvas fechadas a 300 km/h, em tempo chuvoso.
“Só” isso já seria suficiente para arrepiar os cabelos de qualquer um. Só que o tenor peruano não é apenas uma máquina de cantar coloraturas e sobreagudos. Trata-se de um artista dotado de um legato dos mais sedutores, e um bom gosto inato para nuanças e fraseado.
O público o fez bisar nada menos que seis vezes e, daí, vieram os itens mais célebres, como La donna è mobile e Una furtiva lagrima. Conhecendo perfeitamente seu eleitorado, Flórez deixou ainda para os extras um item de opereta: Dein ist mein ganzes Herz (Meu coração é todo teu), de Das Land des Lächelns, de Lehár. Resultado: o recital, que começou às 17h, só terminou às 19h30, com o público deixando a sala de forma muito relutante.


Estátua de W.A. Mozart, em Salzburg [foto: Irineu Franco Perpetuo]


Juan Diego Flórez [foto: divulgação]


Cena da ópera Die Soldaten, de Bernd Alois Zimmermann [foto: divulgação / Salzburger Festspiele - Hans Jörg Michel]


Vista de Salzburg [foto: Irineu Franco Perpetuo]

27 de agosto - Estar no mesmo restaurante que Cecilia Bartoli é um acaso que só encanta a deslumbrados. Já estar no teatro em que a mezzo-soprano está cantando é um encanto e um deslumbramento que nada tem de casual.
A ópera é Giulio Cesare in Egitto, de Händel, que Bartoli já tinha feito encenar na edição deste ano de seu festival de Pentecostes – a edição de 2013 vai de 17 a 20 de maio, e sua programação pode ser conferida clicando aqui
.
Eu não ouvia Bartoli ao vivo desde 96, quando ela deu recitais memoráveis no saudoso Teatro Cultura Artística. Sua Cleópatra não é menos que fenomenal: a mecânica de realizar coloraturas em velocidade acelerada continua assombrosa, a entrega cênica notável, o legato encantador, a musicalidade avassaladora. Bartoli ficou madura sem deixar de ser eletrizante. E, aliás, quantas divas permitiriam que a direção cênica a fizessem cantar sua ária mais célebre (Piangerò la sorte mia) com a cabeça enfiada em um saco?
Em um elenco de sonhos, vale destacar ainda, como Sesto, Philippe Jaroussky, um contratenor de timbre lindíssimo e cheio de harmônicos, e uma voz com muito mais volume do que estou habituado a ouvir em seu registro.
Andreas Scholl, o protagonista, tem afinação e coloraturas impecáveis, mas a voz algo diminuta. De qualquer forma, todo mundo estava em nível elevado, e merece ser valorizada a solidez de Anne Sofie von Otter, as coloraturas de Christophe Dumaux, os vozeirões de Ruben Drole e Peter Kálmán. E uma menção bem especial para Jochen Kowalski, o decano dos contratenores germânicos, hilário como a criada Nirena.
No fosso, Giovanni Antonini conduziu a orquestra de instrumentos de época Il Giardino Armonico (que já andou mostrando seu brilho no Brasil) com intensidade e teatralidade.
Incluindo torres de petróleo, ternos e foguetes, a produção Moshe Leiser e Patrice Caurier poderia ser classificada de encenação “moderna” de um título barroco mas, para o meu gosto, é quase o oposto: cores berrantes, maquinário cênico e dramaturgia sugeriam um teatro barroco construído em torno de signos e tempo cênico contemporâneos. Trata-se de uma encenação intensa, ágil e divertida, que não deixa a peteca cair ao longo de cinco horas de espetáculo.
Giulio Cesare subiu ao palco da Haus für Mozart (Casa para Mozart), e não seria exagero chamar Salzburgo de Stadt für Mozart (cidade para Mozart). Há dois museus dedicados ao compositor: uma na casa em que nasceu, outro em sua residência, e a visitação a eles é tão supérflua para quem não liga para o compositor como fundamental para seus aficionados.
Eu vibrei ao ver quadros que só conhecia reproduzidos em livros, instrumentos musicais, objetos, partituras. Contudo, os fios de cabelo supostamente atribuídos a ele foram demais mesmo para mim – e não tive a menor vontade de ir ao Mozarteum conferir o controverso crânio que um dia disseram ser dele.
Depois de tanto século XVIII, o fim da noite foi uma saborosa sopa de peixe. Jaroussky estava a duas mesas de distância. Mas eu preferi fingir que não vi.


[Fotos e ilustrações: divulgação]


Cena da ópera Giulio Cesare in Egitto [foto: divulgação / Salzburger Festspiele - Hans Jörg Michel]

26 de agosto
- Nunca vi o Barcelona jogar ao vivo, mas imagino que a sensação deva ser análoga à que experimento ao presenciar um concerto da Filarmônica de Berlim: o deleite de vivenciar astros de primeiríssima grandeza brilhando em um conjunto que consiste em muito mais do que a soma das partes individuais.
Na apresentação da orquestra no Festival de Salzburgo, talvez seja possível levar a metáfora um pouco adiante. Pois os analistas de futebol costumam concordar que a magia do Barça seja a impressão de “caos organizado” de seu sistema de jogo. E “caos organizado” também me parece a melhor expressão para definir a “aleatoriedade controlada” que marca a Terceira Sinfonia de Witold Lutoslawski (1913-1994).
Encomendada pelo mítico Georg Solti quando ele estava à frente da Sinfônica de Chicago, a obra, estreada em 1983, é uma poderosa asserção estética de um compositor maduro, de plena posse de suas capacidades técnicas.
E que prazer é ver o estimulante mundo sonoro do compositor polonês conjurado por um músico dotado de tamanha identificação com seu universo, familiaridade com sua linguagem e paixão por sua obra como Simon Rattle.
A batuta clarividente de Rattle organizou o “caos” da partitura de Lutoslawski, separou seus planos sonoros, construiu clímaxes, e deixou espaço para os instrumentistas brilharem à vontade em uma peça que consiste em tour de force tanto para a orquestra, quanto para o regente. Faço as contas: ano que vem é centenário de Lutoslawski. Será que alguém no Brasil vai se lembrar de programar suas obras? Torço para que sim, mas temo que não...
Ah, sim: na primeira parte do programa, Yefim Bronfman – o pianista que faz uma aparição no livro Revelações (The Human Stain), no qual é comparado a um “brontossauro”, e retratado como alguém mais parecido com o responsável por carregar o piano do que por tocá-lo.
A figura de Bronfman é realmente imponente – no ensaio, a troca de seu banquinho foi providenciada assim que ele pareceu desconfortável. Sua sonoridade é efetivamente robusta – e, para enfrentar o Segundo Concerto para piano e orquestra de Brahms, nem poderia ser diferente. Mas não devemos levar o estereótipo muito adiante. Durante o ensaio, fitava não apenas o maestro, mas também os integrantes da orquestra, em busca da comunicação vital para os aspectos camerísticos tão presentes na obra brahmsiana. Obviamente funciona uma “química” entre ele, Rattle e os membros da Filarmônica de Berlim, química essa que foi vital para o sucesso do concerto junto ao público.
Entre o ensaio da  Filarmônica de Berlim pela manhã e o concerto da noite, resolvi passear um pouco pela cidade de Thomas Bernhard (1931-1989), autor, entre outros, de O Náufrago, romance no qual o pianista Glenn Gould é um personagem perturbador e decisivo.
Nessas andanças, fui parar no Bio Bistro Spícy Spices, um pequeno restaurante vegano indiano que me deu uma trégua das carnes nas quais eu vinha me consumindo com volúpia. Provei queijo panir com lentilha indiana dahl, acompanhado de pão naan quentinho e caseiro.
Lembrei-me imediatamente do escritor Suketu Mehta, também ele indiano e vegetariano, além de gourmet, e que me disse uma vez se irritar com os restaurantes vegetarianos que se definem pela ausência: tudo que eles fazem é comida sem carne, mas também sem criatividade – comida para quem não gosta de comer. Na culinária da Índia, contudo, as coisas são diferentes; com seu amálgama caleidoscópico de cores, aromas e especiarias, devo reconhecer que a carne não me faz falta alguma  – comida para quem, embora prescinda de carne, gosta de comer, e bem.


Yefim Bronfman e a troca do banquinho com a Filarmônica de Berlim [foto: Carlos Rauscher]

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Leonel Messi e o almoço indiano de Irineu [foto: divulgação]

25 de agosto - Devo confessar que não conhecia a soprano Genia Kühmeier nem de nome antes de vir a Salzburgo e, para mim, sua Micaela foi o maior destaque vocal da Carmen que aconteceu por aqui, com um belo timbre de soprano lírico e uma voz robusta, que encheu com facilidade o Grosses Festspielhaus.
Se o espetáculo se chama Carmen e a cantora que você mais gosta é a Micaela, bom sinal para a protagonista não é. Não entro no time que se incomoda por termos uma ruiva no papel de uma cigana, tampouco sei se foi à guisa de compensação que a diretora Aletta Collins colocou no palco umas bailarinas que funcionavam como alter ego da protagonsita – todas elas morenas, por sinal.
O fato é que Magdalena Kozená propõe para o personagem-título da ópera de Bizet uma caracterização vocal diferente da devoradora de homens que nos habituamos a esperar. Sua Carmen é mais intimista, com grande refinamento no fraseado, mas talvez menos volume e intensidade do que se apreciaria nessa ópera.
Também baixou a temperatura da noite o Don José do tenor Jonas Kaufmann, igualmente cheio de nuanças refinadas, mas algo escasso no volume. Resta a dúvida se ele estava em um dia menos feliz, se se poupava devido à intensa agenda que vem cumprindo, ou se solidariamente resolveu não cobrir a protagonista. O resultado geral foi belo, mas longe de arrebatador.
Ambientada no tempo da Guerra Civil Espanhola, a encenação de Collins expôs algumas das maravilhas da estrutura do Grosses Festspielhaus: a diretora optou por não fazer intervalo entre primeiro e segundo ato, e a troca de cenários ocorreu de modo instantâneo e silencioso, à frente de todos.
No fosso orquestral, Simon Rattle, marido da protagonista, revelou-se um acompanhador dos mais sensíveis, respirando com os cantores e extraindo um colorido matizado da superlativa Filarmônica de Viena.
Isso foi às 19h30. Pois bem: às 11h do mesmo dia, a mesma Filarmônica de Viena estava no mesmo palco, sob a batuta do veterano Bernard Haitink. Não fui conferir quantos músicos tocaram em ambas as ocasiões; sei que Haitink fez uma Nona de Bruckner amadurecida e intensa, embora aqui e ali pequenos defeitos de ataque nos fizessem lembrar que a Filarmônica de Viena também é composta por seres humanos falíveis.
O que mais me impressionou foi a primeira parte da apresentação, com Murray Perahia tocando o Concerto nº 4 para piano e orquestra de Beethoven com o mais alto grau de finesse. Foi uma verdadeira master class de Classicismo, por um estilista de primeiríssima grandeza.
Salzburgo é uma cidade de igrejas católicas e, entre um concerto e outro, parei um pouquinho para me deliciar com as belezas barrocas da Igreja de São Pedro. Lá perto tem o restaurante que se anuncia como o mais antigo da cidade, o Stiftskeller St. Peter
, que diz estar em atividade há meros 1200 anos, desde 803.
Inseguro sobre quais seriam as iguarias mais saborosas do século IX, acabei degustando uma belíssima porção de carnes grelhadas que servia tranquilamente duas pessoas. À noite, no Triangel, com Cecilia Bartoli sentada na mesa da frente, segurei a vontade de fazer tietagem e, comportado e em silêncio, rendi-me ao Wiener Schnitzel.


A Igreja de São Pedro, em Salzburg [foto: divulgação]
Foto Carmen [Divulgação / Salzburger Festspiele - Luigi Caputo] 

24 de agosto - Hoje Daniel Barenboim deu o último de seus três recitais de piano dedicados a Schubert. Andei ouvindo restrições aos anteriores, mas esse, pelo menos para o meu gosto, foi magnífico, com os quatro Improvisos Op. 90 e a Sonata D. 960.
O público de Salzburgo tosse entre os movimentos como qualquer plateia brasileira, e pode aplaudir com muito vigor (foi o caso), mas raramente se levanta. Enquanto alguns hesitam se devem colocar Schubert entre os clássicos e os românticos, para Barenboim parece não haver dúvida: sua leitura do compositor vienense é robusta, vitaminada, de som cheio. Um Schubert romântico, com muita consistência.
O tema do recital era Schubert, mas a figura onipresente em Salzburgo é Mozart. Além da casa em que nasceu, o compositor da Flauta Màgica batiza todo tipo de estabelecimento comercial, sendo tema de uma gama de souvenires que vão de chaveiros a bombons, passando por todo tipo de quinquilharia imaginável. Confesso que, até vir para cá, sempre tinha achado que o mais célebre barbeiro do planeta era de Sevilha, mas ledo engano: encontrei um Fígaro com tais habilidades por aqui.
Prometi detalhes da programação de 2013, e vamos lá. Para o bicentenário Wagner, Die Meistersinger von Nurnberg com regência de Daniele Gatti, Rienzi em versão concerto, com a Orquestra Gustav Mahler dirigida por Philippe Jordan, e o primeiro ato de A Valquíria sob batuta de Lorin Maazel.
O bicentenário de Verdi será celebrado com um Falstaff regido por Zubin Mehta, um Don Carlo (atenção, João Luiz Sampaio!) com regência de Antonio Pappano e cantores como Anja Harteros, Thomas Hampson e Jonas Kaufmann (os baixos serão os veteranos Matti Salminen e John Tomlinson), uma Giovanna d'Arco estrelada por Anna Netrebko e um Nabucco com as forças da Ópera de Roma, na batuta de Riccardo Muti.
Quer mais? Norma, de Bellini, com Cecilia Bartoli, A Danação de Fausto, de Berlioz, regida por John Eliot Gardiner,  uma ópera de György Kurtág baseada em Beckett e, é claro, Mozart: Così Fan Tutte com o maestro Franz Welser-Möst e Lucio Silla regido por Marc Minkowski.
Enquanto apurava tudo isso, segui os sábios conselhos de Nelson Rubens Kunze e fui atrás de uma iguaria das mais frugais: a Sachertorte, um bolo de chocolate inventado em 1832 por Franz Sacher para o príncipe Metternich. Na cafeteria Niemetz, havia três opções de tamanho. Contido, escolhi a menor, que consistia em apenas 450g - porção individual, ideal para um lanchinho da tarde. À noite, no Triangel, fui de Gekochtes Rindfleisch - uma carne bovina cozida de suavidade comovedora.

Placa na casa que serviu de residência a Konstanze, viúva de Mozart, de 1820 a 1826; Placa Praça Mozart. 

Sachertorte (esquerda); e o jantar: gekochtes Rindfleisch mit gebratenen Kartoffeln. 



23 de agosto
Boa surpresa é descobrir que há uma performance em concerto da ópera La Bohème, de Puccini, que nem havia sido divulgada - e que um amigo atencioso (Carlos Rauscher) reservou um ingresso para você.
Nada de cenário, orquestra no fosso, cantores de preto, cantoras de sapato e salto, com uma movimentação de cena simples, porém intensa: essa Bohème foi uma delícia de ver e ouvir, especialmente devido à acústica privilegiada do Grosses Festspielhaus, que permite à luxuriante Filarmônica de Viena (sob a batuta de um fluente, teatral e inspirado Daniele Gatti) tocar todas as cores e dinâmicas de Puccini sem cobrir os cantores.
Devo reconhecer que jamais tinha ouvido falar em Massimo Cavalletti, um barítono verdiano de voz cheia e gloriosa que, para mim, foi o destaque como Marcello. É um luxo ter, como Musetta, Nino Machaidze, que traz graves de soprano lírico raramente ouvidos nessa parte. Não fiquei especialmente encantado com o timbre de Ailyn Pérez, mas sua técnica notável e fraseado refinado fazem dela uma Mimì de respeito. Massimiliano Pisapia chegou em cima da hora, para substituir o adoentado tenor Piotr Beczala, e deu conta do recado.
Isso foi à tarde. Depois, deu para passear um pouco pela cidade que ainda reverencia Herbert von Karajan (há uma praça com seu nome e uma placa marcando o local de seu nascimento) antes de voltar ao teatro, à noite, para ouvir a Sinfônica de Londres tocar o balé Cinderela, de Prokofiev, sob a batura de Valeri Gergiev.
Fazer um balé inteiro (não, não foram as suítes) sem a coreografia é uma decisão arriscada: o programa acaba ficando longo demais. De qualquer forma, não deixa de ser um prazer ouvir a excelência da melhor orquestra britânica da atualidade, guiada por um regente obviamente à vontade no repertório escolhido. Alguns detalhes e harmônicos nas cordas, particularmente, eu nunca ouvi tão bem tocados...
Buscando o que se anunciava como uma experiência exótica, fui almoçar em um restaurante coreano perto do Mozarteum, chamado Hibiskus
. Só que o prato do dia era penne com abobrinha! Realpolitik? Bem, pelo menos o macarrão estava gostoso e bem servido. O único toque oriental foi o suco de aloe vera que veio para acompanhar.
À noite, o jeito foi voltar ao inefável Triangel, para degustar Beuschel, uma iguaria feita de... Bem, não detalharei para não ferir as almas mais sensíveis. É servido com uma espécie de bolo de pão, e devo confessar que me agradou imensamente.
Consegui mais detalhes sobre a programação do ano que vem, mas acho melhor deixar para amanhã – o texto de hoje já ficou longo.


Praça Herbert von Karajan, em Salzburg [foto: Irineu Franco Perpetuo]


Vista de Salzburg e Irineu feliz da vida [foto: Carlos Rauscher]

22 de agosto - Confesso ter me decepcionado quando fiquei sabendo que o pianista polonês Krystian Zimerman anunciou, com apenas quatro dias de antecedência, que estava cancelando seu recital Schubert dessa quarta-feira, dia 22, no Festival de Salzburgo - eu tinha ingressos para a apresentação, e seria minha chance de vê-lo ao vivo pela primeira vez.
Um evento desses não deixa por menos, e a substituição era classuda: Leif Ove Andsnes, que andou arrebatando corações e mentes em suas inesquecíveis apresentações paulistanas, e ia fazer por aqui um programa Beethoven-Chopin.
Digo “ia fazer” porque o trem que me trouxe de Munique à terra natal de Mozart atrasou (sim, essas coisas acontecem na Alemanha) e, do recital, eu só ouvi os comentários extasiados de Carlos Rauscher, um aficionado que conhece a  cidade como a palma da mão.
Jantamos no Triangel, que fica do lado do Grosses Festspielhaus e tem um cardápio com nome de artistas do festival. Comi um festival de champignons que leva o nome da soprano georgiana Nino Machaidze. Faz calor, e optei por uma cerveja Erdinger clara, enquanto Rauscher preferiu uma mistura de vinho e água (acho que se chama Sommerspritz).
A programação do ano que vem ainda não foi oficialmente divulgada mas, pelo que consta, o Festival de Salzburgo vai comemorar os bicentenários de Verdi (com Don Carlo) e Wagner (Rienzi e Die Meistersinger von Nürnberg), além de encenar títulos mozartianos como Così fan tutte e Lucio Silla. Outras fontes me dizem que Valeri Gergiev (que pretendo ver reger amanhã) iria ao Brasil em 2014, para os festejos musicais dos 70 anos de Nelson Freire. Será? Já estou na torcida...


Vista de Salzburg, na Áustria [foto: divulgação]


Jantar no Triangel [fotos: Carlos Rauscher]





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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