Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 23 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Pelléas: Debussy de alto nível em um Municipal vazio (18/9/2012)
Por Irineu Franco Perpetuo

O bom das efemérides é que elas nos dão o pretexto para ouvir compositores que talvez fossem ignorados de outra forma. Nada mais legal, portanto, do que o Teatro Municipal aproveitar os 150 anos de nascimento de Debussy para promover a estreia de fato no palco da casa de sua obra-prima operística, Pelléas et Mélisande (houve uma récita única em 96, no Salão Nobre do teatro, com orquestra de câmara).

Fui à segunda récita de Pelléas, na última segunda-feira, dia 17, e a única coisa que não me agradou foi ver a casa tão despojada de público. Não apenas a chance rara de ver esse título, mas a própria qualidade musical e cênica do espetáculo mereciam ser desfrutadas por um número maior de pessoas.

Estreada em 1902, e adaptada da peça homônima de Maurice Maeterlinck, Pelléas é quase uma “anti-ópera”, de discurso musical e cênico elusivo, na qual o não dito e o sugerido costumam ter mais peso do que o dito.


Cena de Pelléas et Mélisande no Teatro Municipal de São Paulo [foto: divulgação / Yuri Pinheiro]

Para um conto de fadas simbolista, Iacov Hillel optou por uma encenação leve e minimalista. Cenários e figurinos despojados e abstratos, projeções de obras de Monet e palco giratório (uma novidade utilizada de modo efetivo e parcimonioso) foram os recursos que transportaram a plateia para um universo onírico e desterritorializado.

Musicalmente, a maior surpresa foi a Orquestra Sinfônica Municipal. Depois dos trancos e barrancos de Götterdämmerung, e do flerte com a vergonha alheia na gala lírica de Fabio Armiliato e Daniela Dessì, a sinfônica atingiu possivelmente seu melhor rendimento sob a batuta de Abel Rocha.

Rocha, por sinal, já havia feito Pelléas em Belo Horizonte, em 2008, e aqui, novamente, mostrou-se  um sensível pintor da sutil paleta de cores de Debussy.


Cena de Pelléas et Mélisande no Teatro Municipal de São Paulo [foto: divulgação / Yuri Pinheiro]

Ele repetiu no Municipal a dupla de protagonistas de quatro anos atrás, Fernando Portari e Rosana Lamosa e, como havia acontecido no Palácio das Artes, o casal se adonou completamente de seus papéis, com caracterizações plenamente consistentes tanto do ponto de vista cênico, quanto do vocal.

O maior destaque do elenco, contudo, foi o barítono francês Vincent Le Texier, um Golaud de classe internacional, que construiu um crescente arco de intensidade ao longo da récita para chegar ao final como o mestre absoluto do palco. Texier mostrou vocalidade robusta e vigorosa e domínio cênico completo, e deu uma aula de estilo, bom gosto e manejo do idioma.

Vale ainda ressaltar a solidez de Savio Sperandio (Arkel) e, especialmente, a contralto curitibana Kismara Pessatti (Geneviève), mais um talento moldado pela saudosa Neyde Thomas.


Cena de Pelléas et Mélisande no Teatro Municipal de São Paulo [foto: divulgação / Yuri Pinheiro]

Radicada em Zurique há 15 anos, Pessatti acabou de cantar El Amor Brujo, de Manuel de Falla, no Concertgebouw de Amsterdã - sala para a qual volta em dezembro, sob a batuta de Helmuth Rilling. Em novembro, solta a voz na Philharmonie (a fantástica sede da Filarmônica), em Berlim, nas versões em concerto das óperas O Ouro do Reno e A Valquíria, que fazem parte da elogiada série de gravações integrais das óperas de Wagner que o maestro Marek Janowski está fazendo para o selo Pentatone.

Seu papel em Pelléas é relativamente pequeno, mas já deu para mostrar o volume da voz e a qualidade impressionante dos graves. No final de outubro, de qualquer forma, teremos uma chance de apreciá-la melhor: Pessatti será protagonista da montagem de Orfeo ed Euridice, de Gluck, que, com regência do especialista em século XVIII Nicolau de Figueiredo, e direção de Antônio Araújo (do Teatro da Vertigem), deve inaugurar a Praça das Artes. Tomara que não apenas repita a excelência de Pelléas, mas que também consiga atrair mais público do que a obra-prima de Debussy.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

30/10/2017 - Ópera Don Giovanni, de Mozart

Rio de Janeiro:
24/10/2017 - XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea

Outras Cidades:
27/10/2017 - Ribeirão Preto, SP - Festival Música Nova Gilberto Mendes
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046