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Cortina sonora no Teatro Municipal (15/10/2012)
Por Irineu Franco Perpetuo

A temporada 2012 do Teatro Municipal de São Paulo tem suscitado nos espectadores uma série de questões interessantes. O programa duplo agora em cartaz, por exemplo, nos coloca a seguinte pergunta: até que ponto é possível desfrutar de uma ópera sem conseguir ouvir os cantores?

Há muitos anos, em conversa informal, lembro-me de o saudoso Daniel Piza se queixar de uma “cortina sonora” que havia entre solistas e público em determinada produção operística. Tomo-lhe a metáfora emprestada, pois a Orquestra Sinfônica Municipal ergueu uma “cortina sonora” entre cantores e plateia em Violanta, de Korngold, e Uma Tragédia Florentina, de Zemlinsky.


Cena da ópera Violanta no Teatro Municipal de São Paulo  [foto: divulgação / João Caldas]

Para não ser completamente injusto com o regente Luís Gustavo Petri, reproduzo o que ouvi em off de um integrante da orquestra, depois da estreia, na sexta-feira: “pois é, o maestro pediu para a gente tocar mais baixo, mas o pessoal não se conteve”.

“O pessoal não se conteve” e, como resultado, os cantores pouco se fizeram ouvir. São eles os mais isentos de culpa: como “furar” uma massa orquestral de densidade straussiana tocando o tempo todo em fortissimo?

Algo das dificuldades de audição das vozes também deve ser creditado à encenação. Inegavelmente, a cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara é dotada de grande beleza plástica, e a direção de Felipe Hirsch focou a direção de atores minuciosamente, trabalhando com inteligência e sentido do teatro os dramas e conflitos de ambas as óperas.

As marcações de cena, porém, se concentravam do meio do palco para trás, o que já não ajuda muito a projeção vocal no Municipal. E, como agravante, em Violanta os solistas ficaram quase o tempo todo confinados em uma caixa, com uma parede transparente que não impedia o público de vê-los, mas acabava funcionando como uma surdina, abafando suas vozes.


Cena da ópera Violanta no Teatro Municipal de São Paulo [foto: divulgação / João Caldas]

Em Violanta, talvez o barítono Rodrigo Esteves tenha sido quem mais se fez ouvir, enquanto Eiko Senda parecia estar sendo obrigada a forçar a voz no limite o tempo todo.

Martin Mühle, o único cantor que atuou nos dois títulos, saiu-se melhor na segunda parte do espetáculo - Uma Tragédia Florentina, em que pelo menos estava fora da caixa – do que na primeira (o esforço em Violanta acabou comprometendo alguns agudos).

Na ópera de Zemlinsky, ele contracenou com uma Céline Imbert sempre intensa, enquanto Federico Sanguinetti, embora tenha feito um primoroso trabalho com o texto alemão e tenha tido talvez o melhor desempenho cênico da noite, pareceu carecer de peso e de um centro grave robusto em momentos-chave da partitura.

De qualquer modo, em condições tão adversas, seria injusto crucificar este ou aquele cantor. Ao ter a coragem de levar à cena dois títulos raros de compositores austríacos do começo do século XX, o Municipal nos ofereceu a oportunidade de apreciar seu requintado manejo da escrita orquestral. Vamos torcer que, em uma próxima vez, tenhamos também a ocasião de conhecer a maneira como eles compuseram para as vozes.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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