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Finge daí, que eu finjo daqui (e dane-se o público, uai!) (25/4/2014)
Por João Marcos Coelho

Sei que soa meio atrasado. Afinal, os fatos e informações se atropelam aos milhares, milhões, nas telinhas e telonas que não nos deixam sozinhos um segundo sequer, que dirá um minuto? Por isso volto a um vexame inédito no mundo, ocorrido há algumas semanas. Pomposamente, a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira anunciou que acabou com a chamada OSB do B, a orquestra formada pelos músicos que se recusaram ao exame de proficiência, causa de uma das mais graves e ridículas crises da vida musical brasileira tempos atrás.

Oba, pensamos todos. Agora voltou a reinar a paz na OSB. Nada disso. Os distintos profissionais agora reintegrados têm o direito de se recusar a tocar sob a batuta de Roberto Minczuk, o regente titular. Quando li, não acreditei. Mas é isso mesmo. Os caras só tocam com quem quiserem. Reli, engoli em seco e concluí, como o conselheiro Acácio: é o fim da orquestra, como será a convivência entre os músicos, agora divididos em duas castas? Uma, obrigada a tocar sob todo e qualquer batuteiro que suba ao pódio. Outra, dispondo do livre arbítrio de escolher seu comandante musical.

Que orquestra tem a mínima chance de fazer música de um modo decente, profissional com estas duas castas se corroendo mutuamente no dia-a-dia dos ensaios e nos concertos? Onde fica o prazer genuíno de fazer música? Por que mesmo obedecer ao maestro quando este “sugere” interpretações diferentes de determinados trechos?

Não. Não vou falar de novo no Ensaio de orquestra de Fellini. Seria óbvio demais. Melhor lembrar de um projeto magnífico, o Spira Mirabilis, que há sete anos espanta e encanta os que o conhecem? Um grupo de experimentadíssimos e muito talentosos músicos de vários países europeus – que tocam ou tocaram sob batutas estreladíssimas como Claudio Abbado, Mariss Jansons, Simon Rattle e outros do mesmo quilate – decidiram que era chegada a hora de recuperar o prazer de fazer música juntos, de participar democraticamente do nascimento de uma interpretação de uma sinfonia. Do que reclamavam? Pasmem: de ensaios de menos, burocratização demais, de maestros que fazem dois ou três ensaios, indicam uns poucos truques que aplicam na partitura – e está tudo pronto. Duas ou três passadas, e serve-se um Brahms, Beethoven e mesmo Mahler requentadíssimos, empacotados há décadas nas cabeças engessadas dos batuteiros – e nossos músicos do Spira falam implicitamente das coroadas batutas acima citadas.


Montagem do ex-jogador Vampeta tocando violino: “Eles fingem que me pagam, eu finjo que jogo”

Eles demoraram dois anos para pôr de pé uma interpretação democraticamente construída, sem maestro, da Sinfonia Primavera, de Schumann. (Você pode conferir o resultado aqui). Ninguém no Spira está contra os maestros. Só quer recuperar o prazer de fazer música. Ter a liberdade e o tempo necessário para fazer amadurecer uma interpretação digna deste nome. Não empilhar leituras apressadas e superficiais de obras, em busca de recordes de volumes de obras mostradas ao público – este coitado obrigado a comprar gato por lebre, alhos por bugalhos etc. etc.

Já imaginaram a expressão de horror estampada no rosto se algum dos integrantes do Spira Mirabilis fosse convidado a frequentar as estantes da OSB? Melhor nem pensar nisso. Segue a vidinha come-dorme, estilo Vampeta, que depois de ser campeão mundial pelo Corinthians, foi parar no Flamengo, sentiu a dura realidade e saiu-se com uma pensata maravilhosa, muitas vezes aplicável à nossa vida musical: “Eles fingem que me pagam, eu finjo que jogo”.

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João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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