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Jordi Savall e William Pereira: Colombo em xeque (15/9/2008)
Por Irineu Franco Perpetuo

Nesta semana, o acaso conspirou para que São Paulo refletisse sobre os efeitos e conseqüências da colonização ibérica das Américas. Na mesma semana em que o Teatro Municipal comemora seu aniversário com uma montagem de Colombo, de Carlos Gomes, o catalão Jordi Savall traz à cidade o grupo Hespèrion XXI.

A "Rota do Novo Mundo" e "Paraísos Perdidos" são os nomes dos sugestivos programas que Savall faz por aqui. Ele explica que "Paraísos Perdidos" se refere não apenas à visão edênica que os europeus tinham do Novo Mundo, mas à própria Espanha: "o Paraíso que poderíamos ter sido, se não tivéssemos expulsado os árabes e os judeus", diz, sem meias-palavras.
O músico que ajudou a recolocar a viola da gamba em circulação depois de séculos de olvido vem de família politizada: seu pai lutou na Guerra Civil Espanhola do lado republicano (portanto, contra as tropas de Franco, que eram apoiadas por Hitler e Mussolini).

Não deve surpreender, assim, que, apesar da entoação suave, sua fala tenha conteúdo duro e panfletário, advogando que a Espanha se penitencie pelos males causados pela colonização.
"Claro que nós, espanhóis de hoje, não estamos diretamente envolvidos, mas algum representante nosso deveria prestar uma homenagem aos que sofreram por nossa necessidade de ouro e poder, e por nossa ilusão de que a nossa religião era a única possível", diz.

E acrescenta: "Assim como a chanceler alemã Angela Merkel recentemente se desculpou em Israel pelo Holocausto, acho que algum dos nossos deveria dizer: olhem, pedimos perdão pelos sofrimentos que causamos às pessoas desse continente enquanto decidíamos se elas tinham alma ou não."

Difícil não ver ecos das palavras de Savall na montagem de Colombo em cartaz no Municipal, na qual a direção cênica de William Pereira tenta contrabalançar o tom francamente ufanista do libreto com projeções e coreografias que mostram as dores de parto do continente americano.

Fogueiras da Inquisição, estupro das índias, escambo de quinquilharias por ouro: tudo está lá, sem prejuízo, contudo, da música vigorosa de um Carlos Gomes no auge de seus poderes criativos (nem do personagem-título da obra, apresentado nas legendas que encerram o espetáculo como perseguido pela coroa espanhola por defender os indígenas dos maus tratos da colonização).

Claro que a parcela do público que vê a arte não como oportunidade de reflexão sobre o mundo, mas como mera evasão estética, certamente vai chiar contra as "modernidades" da leitura de Pereira. Mas as palavras de um dos maiores músicos da nação que lançou os navios de Colombo aos mares parecem reforçar a pertinência do debate sobre aqueles eventos que até hoje condicionam nossa História.  





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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