Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
“Mefistofele” abre 13ª edição do Festival de Ópera do Theatro da Paz (7/8/2014)
Por Nelson Rubens Kunze

Com uma interpretação que explora arrojadamente o lado religioso, estreou no dia 5 de agosto, em Belém, Mefistofele, de Arrigo Boito. Primeira produção do 13º Festival de Ópera do Theatro da Paz, a montagem seguiu o bom nível artístico que o festival tem alcançado em suas últimas edições. Não é um título fácil: além dos desafios para a direção técnica – basta dizer que a obra começa no céu e termina no inferno –, a partitura exige solistas de envergadura, grande orquestra, coro, e coro infantil.

Mefistofele é a única ópera completa de Arrigo Boito (1842-1918), compositor italiano talvez mais conhecido por ter sido libretista de Verdi (Falstaff e Otello), Carlos Gomes (Maria Tudor) e Ponchielli (La Gioconda). A primeira versão da obra, com quase 6 horas de duração, não foi bem recebida quando de sua estreia em 1868, no Scala de Milão. Boito então revisou a partitura concebendo a versão que finalmente entrou para a história, com um prólogo, quatro atos e um epílogo, e quase duas horas e meia de música.

O enredo é baseado no Fausto de Goethe: Mefistófeles, enviado de Satanás, em uma aposta com Deus, faz um pacto sinistro com Doutor Fausto, um velho sábio, que acaba por lançar na tragédia a jovem Margarida. A obra-prima de Goethe é uma das mais profundas elaborações humanas acerca da existência, sentido e finitude da vida.


Baseada na obra-prima de Goethe, a ópera narra o pacto feito entre o Dr. Fausto e o diabo

Foi ótimo e convincente o resultado da encenação dirigida por Caetano Vilela. Logo no Prólogo, quando Mefistófeles desafia Deus, é apresentado um teatro de marionetes, sugerindo a ideia dos homens sendo manipulados pelo todo poderoso. A concepção traça paralelos entre o enredo da ópera e a história de Adão e Eva expulsos do paraíso. Em uma profusão de criativas soluções cênicas (cenografia de Chris Aizner), Caetano não perde de vista o arco dramático, criando passagens de grande impacto emocional. Como, por exemplo, no fim do segundo ato, quando Adão e Eva, nus e indefesos, se veem em meio à festa das bruxas da noite de sabbat. Catapultada do paraíso e agora cercada por bruxas, a dança de Eva, inteiramente despida, num transe quase catártico, lança luz sobre cantos recônditos da alma humana e confere uma nova dimensão à tragédia enfrentada pela desenganada e desesperada Margarida.

Mefistofele contou com um elenco de destacados solistas, encabeçado pelo excelente baixo russo Denis Sedov no papel do diabo. Com bonito e homogêneo timbre, Sedov atuou com natural desenvoltura cênica e teve seu melhor momento no exigente monólogo inicial. Doutor Fausto foi feito pelo tenor Fernando Portari, uma das grandes vozes brasileiras da atualidade. Após um início regular, Portari protagonizou algumas das passagens mais emocionantes do espetáculo. A soprano paraense Adriane Queiroz, radicada há muitos anos na Alemanha onde pertence ao elenco fixo da Ópera Estatal de Berlim, interpretou Margarida. Adriane é uma artista especial, de belo timbre, e teve marcante presença vocal e cênica. Completaram o time de solistas Maíra Lautert (como Helena de Troia), Celine Imbert (como Marta e Pantalis), Tiago Costa (como Wagner) e Alexsandro Brito (Nereo).


Cena do Mefistofele, de Boito, realizado pelo Theatro da Paz [fotos: Geraldo Ramos/divulgação]

Com competente direção musical e regência de Miguel Campos Neto, é preciso realçar ainda a boa performance musical oferecida pela Orquestra do Theatro da Paz, pelo Coral Lírico (direção de Vanildo Monteiro) e pelo Coral Infanto-Juvenil Vale Música (direção de Elizety Rêgo).

Depois das produções levadas à cena nos últimos anos (eu assisti Tosca, Salomé e O navio fantasma), este Mefistofele só vem reafirmar a qualidade alcançada pelas montagens do Theatro da Paz. Este ano ainda tem Blue Monday, de Gershwin (dias 22 e 23 de agosto), e Otello, de Verdi (dias 20, 22 e 24 de setembro). Para quem não reside em Belém, só resta lamentar que estas encenações não sejam levadas também para outras cidades do Brasil. Ou então, pegar o avião e conhecer in loco o Theatro da Paz, que, além de tudo, é um dos mais belos do Brasil.

[Nelson Rubens Kunze viajou a Belém a convite do 13º Festival de Ópera do Theatro da Paz]

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Janeiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3
 

 
São Paulo:

17/1/2018 - Espetáculo O compositor delirante

Rio de Janeiro:
16/1/2018 - Duo Bernardo Katz - violoncelo e Holly Katz - piano

Outras Cidades:
27/1/2018 - Ilhabela, SP - Balés O lago dos cines, de Tchaikovsky e Melhor único dia (estreia), de Henrique Rodovalho
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046