Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
“Las horas vacías” no Theatro São Pedro de São Paulo (18/8/2014)
Por Jorge Coli

O Theatro São Pedro de São Paulo vem apresentando óperas raras, ou estreias – em parte graças ao estímulo de Bea Esteves. A presença constante de espectadores numerosos nesses espetáculos e nos de outros teatros também demonstra que houve mudança considerável na relação de amor que o público mantém com a ópera.

Existe decerto grandes apaixonados pelo repertório mais conhecido, e que é magnífico. Conhecedores que sabem de cor a Tosca ou O barbeiro de Sevilha, que aguardam com ansiedade tal ou qual ária para saborear as qualidades vocais e musicais dos intérpretes. Mas a eles acrescenta-se um público renovado, que vem descobrindo o universo da ópera, e que se maravilha ao assistir pela primeira vez Pagliacci, sem ter ouvido antes a ária Vesti la giubba.

Talvez seja otimismo meu, mas parece-me que ambos, conhecedores e neófitos, sem preconceitos de nenhuma espécie, interessam-se bastante pelas novas composições que lhes são apresentadas. É fato que muitos criadores buscam desenvolver a veia propriamente teatral da música, veia que não se adequava bem com o universo experimental das modernidades.

Las horas vacías, do espanhol Ricardo Llorca, de estreia brasileira recente no Theatro São Pedro, tem como tema a solidão feminina nos dias de hoje. Pode ser posta em paralelo com A voz humana, de Poulenc, obra também da solidão e do abandono. Mas, em vez de uma única intérprete, como na obra de Poulenc, Las horas vacías divide o personagem em dois, ora interpretado por um soprano (a porto-riquenha Laura Rey), ora por uma atriz (Angelica de la Riva). Inclui também um coro, que amplia, poeticamente, as circunstâncias das situações. A montagem foi feliz, econômica, semicênica, com a orquestra no palco e incorporando as legendas num vídeo cujas imagens se articulavam muito bem com a música e os episódios.


Cena do ensaio de Las horas vacías, de Ricardo Llorca, no Theatro São Pedro [foto: divulgação]

A partitura de Llorca faz apelo a modos rítmicos obsessivos, inclui tensões e abandonos. A parte falada por vezes se desenrolava sobre a música, por vezes desenhava-se sozinha sobre o silêncio. São antigas tradições retomadas: o melodrama, que significa propriamente fala sobre acompanhamento musical, e a alternância de teatro sem música e de trechos musicais, como no Singspiel, no opéra-comique ou na opereta.

O estilo acenava sem complexo para origens bem diferentes. Ouça aqui a ária dos dias da semana. Ela se inicia com um tema no piano que evoca o do Casanova de Fellini, avança com repetições que remetem ao minimalismo, e soa hispânica de algum modo. Como se Nino Rota e Philip Glass se tivessem dado as mãos para compor uma ária de zarzuela.

Em A esfinge sem segredo e em A janela indiscreta, Wilde e Hitchcock haviam exposto o tema dessa solidão feminina preenchida pelo imaginário (deve haver vários outros exemplos, mas são estes os que me vieram à mente...). Llorca atualiza a situação pondo em cena essa mulher que trabalha, e que só consegue romper seu isolamento na sexta-feira à noite, graças à bebida e a um correspondente na internet (talvez imaginário). O público ficou tocado pelo tema, pela interpretação e montagem: mostrou seu entusiasmo no final.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

17/12/2017 - Orquestra Infantil Heliópolis, Orquestra Preparatória Heliópolis e Orquestra Infantojuvenil Heliópolis

Rio de Janeiro:
15/12/2017 - Nádia Figueiredo - soprano

Outras Cidades:
15/12/2017 - Curitiba, PR - Camerata Antiqua de Curitiba
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046