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Uma excelente introdução ao mundo de Bach (27/2/2015)
Por João Luiz Sampaio

Grandes obras de referência da musicologia não costumam interessar ao mercado editorial brasileiro. Reforça-se assim o enorme abismo entre pesquisa e prática – e sai perdendo o público interessado em se aprofundar na música que escuta, em casa e nas salas de concerto. Por tudo isso, o ano começa com um evento digno de comemorações: o lançamento da edição brasileira do clássico As cantatas de J.S. Bach, estudo do pesquisador alemão Alfred Dürr (1918-2011).

O livro está sendo lançado pela editora da Universidade do Sagrado Coração, com tradução de Claudia Sibylle Dornbusch, professora doutora língua e literatura alemã da Universidade de São Paulo, e de Stefano Paschoal, professor doutor do Instituto de Letras e Linguística, da Universidade Federal de Uberlândia. A revisão musical foi feita por Marcos da Cunha Lopes Virmond, médico e doutor em música pela Unicamp, e o volume tem prefácio de José Fernando Perez, idealizador do projeto.

Dürr é uma referência fundamental na pesquisa da obra de Bach. Formou-se no final dos anos 1940 na Universidade Georg-August, de Göttingen, e, mais tarde, receberia doutorados honorários em instituições como a Universidade Humboldt de Berlim e a Universidade de Oxford. Os títulos foram reconhecimento ao trabalho a que dedicou toda a sua vida: a Neue Bach-Ausgabe, edição completa da obra de Bach, publicada em nada mais nada menos que 96 volumes pela editora Bärenreiter.

A relação de Dürr com as cantatas do compositor começou cedo – e ao sair da universidade, em 1950, ele já estava às voltas com as peças. Estima-se que Bach escreveu cerca de 300 delas, das quais 200 foram preservadas. E entre as principais contribuições do livro de Dürr estão o estabelecimento e análise dos textos que lhes serviram de base, e a revisão da cronologia segundo a qual foram escritas, com descobertas que ajudam a contextualizar melhor as peças na trajetória do compositor.

Mas As cantatas de J.S. Bach vai muito além de questões técnicas. Em suas 1.406 páginas, o livro traz informações sobre cada uma das peças, com o texto traduzido, preocupado em oferecer o contexto artístico e histórico das composições e mostrando como se dá a relação entre as palavras, a música e a estrutura formal.

O tamanho do livro não precisa assustar o leitor, afinal, pode-se aproveitar os textos aos poucos, acompanhados pela audição das peças. Além disso, Dürr consegue uma rara façanha: uma linguagem que se presta tanto ao especialistas quanto ao leigo. É um marco da musicologia. E uma belíssima introdução ao universo criativo de Bach.

[O livro As cantatas de J.S. Bach está disponível na Loja CLÁSSICOS]

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João Luiz Sampaio - é editor executivo da Revista CONCERTO e colaborador do jornal O Estado de S. Paulo

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