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“O amor dos três reis” abre temporada do Theatro São Pedro (23/3/2015)
Por Nelson Rubens Kunze

Vale a pena assistir a O amor dos três reis, ópera de Italo Montemezzi (1875-1952) em cartaz no Theatro São Pedro, em São Paulo. Trata-se de rica partitura com densas passagens orquestrais românticas intermediadas por bonitos interlúdios de instrumentação transparente. A música tem ritmo e é cheia de inventividade. Especialistas são unânimes em reconhecer parentesco com Wagner e Debussy – conforme Bruno Furlanetto, no texto impresso no programa, “a extraordinária densidade da escritura orquestral e a linguagem harmônica sugerem Wagner, especialmente quando descreve as personalidades e o relacionamento entre elas [...], enquanto Debussy aparece na evocação de atmosferas e nas sonoridades suspensas como se num transe”. É verdade que os dois estão presentes, Wagner também no espírito do enredo (a tragédia do amor) e Debussy e o universo simbolista na figura do rei cego. Mas a música soa diferente, alguns trechos reverberam Korngold, há prenúncios e antecipação de música para cinema.

Montemezzi compôs O amor dos três reis em 1913, e na época o título teve importante carreira, especialmente nos Estados Unidos. A história se passa no século X, em uma corte no norte da Itália. Arquibaldo, velho rei cego, conquistou a região e subjugou o povo, entregando a seu filho Manfredo a bela Fiora, noiva de Avito. Toda a ópera gira em torno de Arquibaldo e de sua crescente desconfiança em relação à fidelidade de Fiora a Manfredo. O desenlace é trágico, com assassinatos e suicídio.


O amor dos três reis, de Montemezzi, abriu a temporada do São Pedro [fotos: Decio Figueiredo/divulgação]

Na produção do Theatro São Pedro destacou-se o espetacular baixo Savio Sperandio, interpretando o papel de Arquibaldo. É certo que a direção cênica não reservou maiores desafios teatrais ao cego que se locomove em movimentos lentos, arrastando os pés, sempre amparado por um guia. Mas o timbre bonito e de ricos matizes bem como a emissão segura e flexível revelaram todo o potencial vocal deste grande artista que é Sperandio. Os demais solistas – soprano Daniella Carvalho (Fiora), tenor Juremir Vieira (Avito) e barítono Douglas Hahn (Manfredo) – tiveram boa e equilibrada atuação, tanto vocal como cênica. Luiz Fernando Malheiro conduziu com competência a bem ensaiada Orquestra do Theatro São Pedro. E foram boas as intervenções dos coros (Collegium Musicum e Coral Lírico Paulista, ambos preparados por Nibaldo Araneda) no terceiro ato, um sobre o palco o outro no foyer do teatro, resultando em bonito e emocionante efeito sonoro.


Cena do estrangulamento de Fiora (Daniella Carvalho) por Arquibaldo (Savio Sperandio)

O mexicano Sergio Vela foi o responsável pela direção cênica, cenografia e iluminação de uma montagem estilizada e no todo bastante despojada. Trabalhando sobre um palco vazio com alguns poucos elementos suspensos (dois painéis translúcidos, uma escada, silhueta de detalhe de uma fortificação) e amparado por efeitos de luz, Vela conduz os personagens em movimentos lentos e com alguns trejeitos de marionetes. Algumas cenas ganham força dramática com uma extrapolada ação teatral, que dissocia os gestos de seus efeitos (como no estrangulamento de Fiora). Contudo, privilegiando os aspectos psicológicos da trama, a montagem perde uma movimentação teatral de caráter mais narrativo e dinâmico, o que talvez fosse desejável para a apresentação de um título pouco conhecido como é O amor dos três reis. (Confira na seção Mídia a entrevista que Sergio Vela concedeu à tvCONCERTO.)

Um título raro, um elenco equilibrado e uma boa montagem contemporânea são as marcas da estreia da primeira temporada concebida pelo diretor artístico Luiz Fernando Malheiro para o Theatro São Pedro. O ano ainda terá Poranduba, de Villani-Côrtes, Falstaff, de Verdi, Bodas no monastério, de Prokofiev, e o programa duplo O homem dos crocodilos, de Arrigo Barnabé, e Oedipux Rex, de Stravinsky.

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Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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