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Os russos estão chegando - e, desta vez, ganhando melhor (13/10/2008)
Por Irineu Franco Perpetuo

De Gorbatchov a Pútin, o que aconteceu com a Rússia não foi pouco. Testemunha destas reviravoltas é o maestro Vladimir Fedossêiev, que, na série do Mozarteum Brasileiro, traz ao Brasil a Orquestra Sinfônica Tchaikovski de Moscou, que toca no Parque do Ibirapuera (não com Fedossêiev, mas com seu assistente, Denis Lotoew), em São Paulo, dia 19 de outubro, fazendo depois (já sob a batuta do titular) duas apresentações na Sala São Paulo (dias 20 e 21) e Sala Cecília Merieles, no Rio (dia 23).

Colapso econômico, corrupção desenfreada, guerra na Tchetchênia: os anos (1991-1999) em que o alcoólatra assumido Boris Iéltsin governou a Rússia não deixaram saudades em muita gente - especialmente na área da cultura. Em pleno processo de desmonte, o Estado bateu em retirada dos investimentos artístico - e a lembrança que os russos têm daquela época é de uma televisão que ficava passando novelas mexicanas e brasileiras dubladas o dia inteiro...

Foi justamente nesse período que Fedossêiev veio ao Brasil pela última vez, em 1996. Fundada em 1930, como Grande Orquestra da Rádio e Televisão de Moscou, sua sinfônica tinha um respeitável histórico de gravações.

Contudo, nos anos Ieltsin, a emissora foi privatizada; a sinfônica ganhou o nome de Tchaikovski e passou para o Ministério da Cultura da Federação Russa. Quando entrevistei Fedossêiev, doze anos atrás, ele tentava manter o bom humor, mas não escondia a dificuldade da situação: a verba do ministério assegurava aos músicos um salário mensal de apenas 50 dólares, e o próprio maestro metia a mão no bolso para assegurar o funcionamento da sinfônica...

Está saindo agora, pela Arthaus Musik, um ciclo de música sinfônica de Tchaikovski gravado pela orquestra em 91, em Frankfurt. No primeiro volume, a orquestra acompanha Antonio Meneses nas Variações Rococó. Falei com Meneses em julho sobre este registro, e ele me disse que, embora o resultado não estivesse ruim, lamentava não ter tido mais tempo para preparar o concerto - ele e a orquestra subiram ao palco tendo feito apenas um único ensaio. Coisas de uma sinfônica de agenda apertadíssima, para o qual as turnês funcionam como complemento a um orçamento magérrimo.

Em 2000, quando a sinfônica voltou ao Brasil, meio por acaso, para tocar na série da Sociedade de Cultura Artística, sob a batuta do lituano Saulius Sondeckis (era para vir a Camerata de São Petersburgo, mas houve problema de datas), a situação, ao que parece, havia começado a mudar.

Hoje, a verba ministerial aumentou substancialmente, para US$ 700. Embora ainda seja pouco, levando em conta o estratosférico custo de vida na capital da Rússia, há que se reconhecer que representa, em termos absolutos, 14 vezes mais do que há 12 anos.

Resta ver se, musicalmente, também houve ganho, já que, em 96, a sonoridade do grupo soava desapontadoramente opaca. De Moscou, o jornalista Oleg Rabotnikov me diz que os concertos da sinfônica sem Fedossêiev realmente são fracos - mas que, sob a batuta do regente de 76 anos de idade, que está a frente do grupo desde 1974, a orquestra soa como se fosse outra, e faz música com grande qualidade e entrega. A conferir.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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