Banner 180x60
Boa noite.
Domingo, 17 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Crise e ajustes (e uma defesa das OSs) (26/5/2015)
Por Nelson Rubens Kunze

O estado de São Paulo construiu, nos últimos anos, uma moderna estrutura para a gestão de seus equipamentos de cultura. Nela, a partir de detalhados contratos de gestão, organizações sociais (OSs) administram recursos públicos para a manutenção de teatros, orquestras e escolas de música. Esse modelo proporcionou a revolução que modificou a realidade da música clássica na Brasil, ao possibilitar a consolidação de orquestras e escolas de música em um padrão profissional até então inexistente no país, com qualidade, alto rendimento e a melhor relação custo-benefício já alcançada.

Os primeiros contratos de gestão na área da cultura baseados nos modelos das organizações sociais foram assinados em 2005, portanto, há exatos 10 anos. O presente pelo aniversário redondo, contudo, não é nada bom. Em razão da crise que o país atravessa, o governo estadual promoveu cortes que atingem a cultura e, particularmente, as OSs, justamente os organismos que operam com o mínimo de desperdício e que têm seus projetos e metas diretamente associados aos orçamentos pactuados no contrato de gestão. Reduções de até 20% nos valores acordados comprometem as funções intrínsecas desses órgãos, como supressão de vagas no ensino, demissão de professores, deterioração das condições de trabalho ou mesmo a extinção de grupos.


Palco da Sala São Paulo vazio em intervalo de concerto da Osesp [foto: divulgação]

A verba da cultura não exerce significativo peso no cômputo geral das contas públicas. Os recursos do estado de São Paulo destinados para a área da cultura equivalem a apenas aproximadamente 0,5% do orçamento total (R$ 1 bilhão de R$ 200 bilhões); por sua vez, apenas a metade disso, ou seja 0,25% (cerca de R$ 500 milhões), abastece todas as OSs da região – são mais de vinte organizações sociais de todos os segmentos da cultura, dos museus à música clássica, passando pela dança, teatro e todas outras áreas.

Os números acima chamam a atenção para o seguinte: por mais rigorosa que for a economia na faixa desses 0,25% do orçamento, ela seguramente não terá um impacto significativo sobre o montante global. Assim, não parece que são os repasses à Fundação Osesp, à Emesp, ao Projeto Guri, ao Theatro São Pedro, ao Conservatório de Tatuí e a todas as demais OSs – que operam sob a transparência de rigorosos contratos de gestão – que estão comprometendo as contas públicas. Contudo, cortando de modo linear e sem ressalvas, o governo estrangula o setor e desestabiliza um modelo ainda mal consolidado, e para o qual ainda muito tem de ser feito. Os cortes, além do óbvio prejuízo à cultura, significam um grande desgaste e retrocesso na parceria com as OSs.

Será que, por uma economia marginal e duvidosa, vale a pena impor tamanho ônus às OSs? Seria altamente desejável que o governo reconsiderasse, a partir de uma perspectiva mais ampla, os cortes que afetam um dos setores mais organizados da gestão pública, que são as organizações sociais da cultura. Assim como a saúde e a educação, as OSs também merecem uma atenção especial e um tratamento diferenciado.


[Leia também]
Fundação Osesp faz demissões após corte de verbas
Parte pedagógica do Festival de Campos do Jordão será em São Paulo
O triste fim da Camerata Aberta, por João Marcos Coelho

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

17/12/2017 - Ópera Falstaff, de Verdi

Rio de Janeiro:
17/12/2017 - Orquestra, Coro e Solistas da Cia. Bachiana Brasileira

Outras Cidades:
21/12/2017 - Belo Horizonte, MG - Oratório O Messias, de Händel
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046