Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Sábado, 21 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Tudo pelo público (15/2/2016)
Por João Marcos Coelho

Todo mundo adora citar o título de um artigo do compositor norte-americano Milton Babbitt (1916-2011) escrito em 1958 para a revista High Fidelity: Who cares if you listen?, literalmente: quem se importa se você está ouvindo. Babbitt tinha feito outro título, O compositor como especialista, e ficou muito irritado com a sacada do editor da revista. Ironicamente, ficou famoso mundialmente por causa de um título errado. Porque – e até Babbitt estava careca de saber – qualquer ser humano que escreva uma música, toque um instrumento ou comande, com as mãos ou uma batuta, um grupo ou orquestra, quer antes de tudo ser ouvido. Existe alguém que não daria a alma ao diabo para conseguir plateia? Para público externo, a resposta-padrão é sempre “Jamais eu faria isso”. Na prática, sabemos, isso acontece demais no dia a dia.


Cena de O dançarino do deserto, de Richard Raymonds, sobre Afshin Ghaffarian [imagem: divulgação]

A questão é espinhosa e complexa. Mas me veio à mente quando assisti, dias atrás, na TV a cabo, o filme Desert Dancer (2014), traduzido como O dançarino do deserto. 2009, Irã: o jovem Afshin Ghaffarian desafia as leis dos aiatolás montando uma companhia de dança clandestina – prepara com seu grupo uma coreografia, depois de assistir a performances variadíssimas, de Pina Bausch a Gene Kelly, pela web. E estreia sua obra em pleno deserto, a 100 quilômetros de Teerã. O público feito de amigos corajosos lota uma velhíssima van e assiste sentado na areia escaldante do deserto. A história é verídica. A coreografia é literal, simplória. Mas o tempero político de resistência leva Afshin – depois de sofrer um bocado nas mãos dos agentes do governo iraniano – para Paris, onde os franceses o incensam, dão-lhe bolsa de estudos e abrem-lhe todos os espaços. A música do britânico Benjamin, de ilustre sobrenome Wallfisch (família que tem muitos músicos respeitados) é interessante.

O que espanta, nos dois casos, é que Babbitt e Afshin ficaram famosos por motivos tortos. O primeiro, coitado, por um artigo que poucos se deram ao trabalho de ler, por causa de um título alheio que é um mote jornalístico venenoso e distorcido. O segundo também não queria, mas beneficiou-se do charme dos resistentes às obscuras ditaduras muçulmanas que pululam no Oriente Médio.

Será que, para chegar ao público, ser ouvido, os artistas precisam necessariamente desnaturar, violentar seus mais profundos dogmas? Ou, de outro modo: para chegar ao público, devem renunciar a suas posições, privilegiando – direta ou indiretamente – o marketing?

Pra pensar neste dificílimo início de 2016.

Clássicos Editorial Ltda. © 2016 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

21/10/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Coro da Osesp

Rio de Janeiro:
29/10/2017 - XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea

Outras Cidades:
28/10/2017 - Piracicaba, SP - Orquestra Sinfônica de Piracicaba
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046