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Conferência MultiOrquestra 2016 – Dia 3 (13/5/2016)
Por João Luiz Sampaio

Diretor artístico e CEO da Orquestra Filarmônica de Londres, o australiano Timothy Walker abriu a manhã do terceiro e último dia da programação (12/05) da Conferência MultiOrquestra, no Sesc Bom Retiro. Em uma palestra intitulada “Engajamento para dentro e para fora”, ele começou falando da rotina da orquestra – e do fato de que apenas 25% de seus concertos serem realizados em sua série oficial em Londres, com os demais dedicados a turnês e parcerias com instituições como o Festival de Glyndebourne e o Southbank Center. “Parcerias são importantes para levar você adiante e para reforçar um conceito fundamental: a relevância.”

Relevância que significa ampliar a área de atuação, de diversas formas. “Em 2012, por exemplo, gravamos os hinos dos países utilizados nas Olimpíadas, tocamos no Diamond Jubilee da Rainha, fizemos um concerto ao ar livre para marcar a abertura de uma exposição sobre o Impressionismo. Há também pequenas coisas, como jantares para levantar fundos, que reúnem a comunidade, a disposição em tocar para instituições de caridade ou usar a plateia como recurso para aumentar a plateia”, disse, chamando atenção também para projetos dedicados aos jovens e às famílias. “Não temos um público assinante, não porque não gostamos de assinantes, mas porque não gostamos de dar descontos”, brincou. “Assim, a cada concerto temos uma plateia diferente, o que significa reforçar a diversidade do nosso trabalho.” Walker terminou sua fala com o que considera “sete verdades universais”: 1) é preciso estabelecer uma visão; 2) deve-se elencar prioridades e nunca deixar de lado o mais difícil; 3) aceitar falhas; 4) saber ouvir; 5) saber delegar e dar poder às equipes; 6) avaliar diariamente o trabalho da equipe; 7) acreditar em seus instintos; 8) e o modo como fazemos que importa, é preciso saber se relacionar com o público, os músicos e os políticos.

Em seguida, foi realizada uma mesa dedicada a discutir as políticas públicas para o desenvolvimento orquestral. Paulo Zuben, da Santa Marcelina Cultura, foi o mediador e pediu a cada um dos convidados que falasse um pouco do modo como funciona o financiamento em seus países. Cathy Graham, do Conselho Britânico, explicou a atuação dos Conselhos Artísticos que destinam verbas públicas para projetos, em uma base de três anos; e chamou atenção para uma realidade recente de cortes: de 2008 até hoje, as orquestras britânicas perderam 39% de receita advinda do governo. Ian Smith detalhou o modelo de seu país, Escócia, que por meio do Creative Scotland distribui verbas para projetos artísticos e aqueles dedicados à indústria criativa, o que de cara inseriu a música em um contexto mais amplo. Grupos como a Sinfônica Nacional ou a Scottish Chamber Orchestra são bancados diretamente pelo governo e o Creative Scotland aposta em conjuntos menores, como o Scottish Ensemble e o Dunedin Consort, que viajam pelo mundo, exportando a cultura de seu país. Jan Raes, da Orquestra do Concertgebouw de Amsterdã, afirmou que há dois tipos de financiamento na Holanda. Uma linha se dedica a dar apoio de infraestrutura para projetos maiores, com verbas oferecidas em períodos mais longos; a outra se dedica a grupos menores, e a renovação de financiamento acontece com mais frequência. O conselho que define as verbas também orienta as instituições no que diz respeito ao seu futuro e também à diversidade do trabalho. Na esteira da recente manifestação das orquestras brasileiras contra o fim do Ministério da Cultura, ele disse que, na Holanda, já existe a junção entre educação, cultura, ciência e tecnologia – e que, se houver foco, ela não é necessariamente ruim. Sobre a competição por verba entre os grupos maiores, ele citou o caso da Concertgebouw e da Sinfônica Holandesa, grupos que se sentam e discutem vocações e áreas de atuação diferentes. Representante brasileiro da mesa, Gustavo Vidigal, do Ministério da Cultura, falou do projeto de Economia da Música, criado com o objetivo de identificar gargalos e acelerar e refinar processos da produção musical no país. Mas fez, de cara, uma ressalva: “O MinC não tem uma política estruturada para o setor orquestral”, afirmou na abertura de sua intervenção.


Da esquerda para a direita: Jan Raes (CEO da Royal Concertgebouw Orchestra), Ian Smith (diretor da música do Creative Scotland), Cathy Graham (diretora de música e projetos estratégicos da British Council), Gustavo Vidigal (diretor de empreendedorismo, gestão e inovação da secretaria de políticas culturais do Ministério da Cultura) e Paulo Zuben, moderador (diretor artístico - pedagógico da Santa Marcelina Cultural)  [Divulgação / Flávio Florido]

Durante o debate entre os participantes, várias questões foram levantadas. Ian Smith, por exemplo, que também integra o Conselho da União Europeia para a Música, reforçou a necessidade de diálogo entre as orquestras, ainda mais perante problemas “do mundo real” que assolam a Europa, como os recentes ataques na França, Bélgica e em Istambul. “Não podemos deixar de acreditar no poder da música como um agente de cura, como algo a levar conforto às pessoas. O mundo nunca será perfeito, mas pela música poderá ser um lugar melhor.” Jan Raes sugeriu que próximos encontros não se foquem tanto na questão do financiamento e da governança e que convidados de outros mercados que não o europeu, como a China, podem contribuir ainda mais para a diversidade da discussão. Ele também pediu que os participantes da conferência entendam que é sua função educar políticos e mesmo outros músicos para a causa de uma vida orquestral mais saudável e conectada com a comunidade. Vidigal foi questionado sobre a reforma na Lei Rouanet sugerida pelo Ministério da Cultura e reforçou a crença de que a isenção fiscal de 100% é um desvio e que, em um contexto no qual o dinheiro público paga o marketing cultural das empresas, a atuação do Fundo Nacional de Cultura seria fundamental para investir em áreas estratégicas que, sozinhas, não conseguiram se tornar viáveis economicamente.

O último painel da conferência teve como título “How deep is your love?”. Foi aberto pela mediadora Claudia Toni, que apresentou um vídeo em que jovens músicos eram convidados a dizer por que amam a música. Porque ela traz o melhor de mim; ajuda a sentir; ela me transformou; porque é um jeito de transformar o mundo; transmite paz; me ensinou a socializar e viver em comunidade – essas foram algumas das respostas, que deram o tom para a mesa, em um formato diferente. Além dos cinco palestrantes “oficiais”, a plateia foi convidada a subir no palco e compartilhar a discussão. Uma discussão que começou com uma reflexão sobre o amor pela música. Para Leonardo Martinelli, diretor de formação do Theatro Municipal de São Paulo, o trabalho do músico é em certo sentido a busca da inocência perdida, a tentativa de resgatar a paixão da relação inicial com a música em um contexto no qual se lida com ela de forma profissional. “Mas aprendi que as adversidades reforçam a relação amorosa”, disse. Edilson Ventureli, maestro e diretor do Instituto Baccarelli, acredita que o amor pela música nunca se perde, nem mesmo perante as dificuldades do fazer musical – pelo contrário, é ele que impede o músico de desistir no meio do caminho. Rosemary Hilton, aluna da Royal Academy of Music de Londres, lembrou, provocada por Claudia Toni, que, tocando em uma orquestra, é importante não perder a conexão com o objetivo inicial do músico, para que não se perca “um sentimeno de transcendência”. A maestrina Simone Menezes compartilhou a experiência de, após voltar da Alemanha, ver muitos de seus antigos colegas tocando em orquestras simplesmente como “operadores de violinos”. E disse que, trabalhando como regente, percebeu que o ambiente orquestral no Brasil costuma ser muito hostil. Resolveu, então, deixar de trabalhar na esfera de orquestras públicas, dedicando-se ao trabalho com a Camerata Latinoamericana. Entre amor e paixão, Claudia Toni questionou: “Será que as paixões não tem a ver com o cenário de desunião do nosso meio musical, com a incapacidade para o diálogo?”. Ventureli respondeu: “Na regência, há egos grandes demais, disputando um espaço que já é pequeno. Esse é um problema. Paixão passa, mas amor pela música fica. Se deixamos as vaidades e preconceitos de lado, poderíamos parar de ouvir pouco uns aos outros e começar a dialogar mais.” Nelson Kunze, diretor-editor da Revista CONCERTO, voltou ao tema do ambiente hostil e lembrou da mesa do dia anterior, em que jovens líderes falaram do que esperam do mundo orquestral: “As relações humanas são sempre conflituosas e, em uma orquestra, isso se potencializa. Sempre haverá tensão. O idealismo não pode ser perdido nunca, mas a vida é dura e o músico tem que estudar, se preparar e aprender a se relacionar.”

O maestro Daniel Cornejo, que trabalha com orquestras infantis na Escola Municipal de Música, tratando do mesmo tema, recuperou a sua experiência como músico e a relação ruim com maestros que não tratam a orquestra com respeito. Nesse sentido, Luis Gustavo Petri, da Sinfônica de Santos, colocou que o trabalho do maestro é 10% conhecimento musical e 90% capacidade de administração. E ressaltou que se o maestro hoje deve desempenhar um tipo diferente de liderança, que nada tem a ver com autoritarismo, cabe também aos músicos criarem as suas lideranças. Em seguida, participantes da plateia elaboraram ainda mais questões como essa, falando do amor pela música, da necessidade de uma nova relação de trabalho mais aberta ou mesmo de uma realidade prática: “Eu amo a música, mas quero que ela me ame de volta. Eu preciso sobreviver e quero ser recompensada pelo trabalho que desempenho, quero poder ter uma situação trabalhista menos precária”, disse uma das integrantes do programa Tomorrow’s Leaders Today.





João Luiz Sampaio - é editor executivo da Revista CONCERTO e colaborador do jornal O Estado de S. Paulo

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