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Gergiev ressuscita partitura perdida de Stravinsky (28/11/2016)
Por Irineu Franco Perpetuo

Uma obra de Igor Stravinsky (1882-1971) que andava extraviada por mais de cem anos, e cuja música havia sido esquecida pelo próprio compositor, será reestreada nessa semana em São Petersburgo. Na próxima sexta-feira, 2 de dezembro, às 22h (17h de Brasília), Valery Gergiev rege, na Sala de Concertos do Teatro Mariinski, a reestreia de Pogrebálnaia Piésnia (Canção Funeral), op. 5, em um programa complementado por uma suíte sinfônica da ópera Lenda da Cidade Invisível de Kitej e a Donzela Fevrónia, de Nikolai Rímski-Kórsakov (1844-1908). E mais: não é preciso enfrentar os rigores do frio da Rússia para ouvir a obra, já que a apresentação será transmitida ao vivo pela medici.tv.

A escolha do repertório do concerto está longe de ser fortuita. Membro do assim chamado Grupo dos Cinco, que definiu o nacionalismo musical russo no século XIX, e conhecido no Brasil sobretudo como autor da suíte sinfônica Scheherazade, inspirada no Livro das Mil e Uma Noites, Kórsakov foi diretor do Conservatório de São Petersburgo, que hoje leva seu nome, e professor de Stravinsky. No relato autobiográfico Chroniques de ma vie (1935), o compositor da Sagração da Primavera narra que a ideia da Canção Funeral surgiu logo após o enterro de seu mentor:

“De volta ao campo, veio-me a ideia de prestar homenagem à memória de meu mestre. Compus a Canção Funeral, que foi executada no outono, sob a direção de Félix Blumenfelt, no primeiro concerto Beliáiev, consagrado à memória do grande músico falecido. Infelizmente, a partitura desta obra desapareceu na Rússia durante a Revolução, com tantas outras coisas que deixei para trás. Não me lembro mais de sua música, mas me recordo muito bem da ideia em que a concebi. Era como um cortejo de todos os instrumentos solo da orquestra, vindo um a um depor, como uma coroa, no túmulo do mestre, cada qual sua melodia, sobre um fundo grave de murmúrios em tremolo, à maneira das vozes de baixo cantando em um coro. A impressão sobre o público foi bem forte, assim como sobre mim mesmo. Se isso foi o efeito da atmosfera de dor, ou dos méritos da composição em si, hoje eu não saberia me pronunciar a respeito”.


Igor Stravinsky [Reprodução]

106 anos depois da única performance da obra, em 17 (pelo calendário atual, 30) de janeiro de 1909, poderemos todos nos pronunciar a respeito dessa partitura para grande orquestra sinfônica (60-70 cordas, de um total de 90 músicos ao todo), de 106 compassos, no andamento Largo assai, e cerca de 11 minutos de duração, escrita logo antes do estouro internacional de Stravinsky com o bailado O Pássaro de Fogo, em 1910, que a Canção Fúnebre parece antecipar em muitos sentidos.

Sua redescoberta aconteceu na primavera (outono do Brasil) de 2015, quando o prédio histórico do Conservatório Rímski-Kórsakov foi fechado para reformas, e seu acervo teve de ser transferido. Em meio a toneladas de papel, encontrou-se um depósito até então desconhecido de partituras antigas, destinadas à destruição. Justamente ali, com outros manuscritos, foram localizadas as partes de orquestra (58 ao todo) da Canção Funeral. [Quem entende russo pode ler o relato detalhado aqui]

A bibliotecária do conservatório Irina Sidorenko comunicou o achado à pró-reitora de trabalho científico da instituição, Natália Bagrínskaia, que anunciou a sensação ao mundo da música em setembro do mesmo ano (é possível vê-la explicando o achado e mostrando a partitura original da obra em vídeo – infelizmente, sem legendas). [Clique aqui para assistir]

Realizada no âmbito do V Fórum Internacional de Cultura de São Petersburgo, a estreia moderna da Canção Funeral (que será publicada pela Boosey&Hawkes) marca ainda o início do Ano Stravinsky no Teatro Mariinski. Em 2017, festeja-se o 135º aniversário de nascimento do compositor (que veio ao mundo em Oranienbaum, atual Lomonóssov, nos arredores de São Petersburgo), e Gergiev deseja aproveitar a ocasião para fazer com que uma quantidade maior de suas obras sejam executadas e conhecidas no país, já que, pelas contas do regente , “90 a 95% da produção de Stravinsky não é tocada na Rússia.” [Mais detalhes aqui]





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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