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Gismonti e Brouwer: encruzilhadas do popular e erudito (15/12/2008)
Por Irineu Franco Perpetuo

Claudia Leitte cantando Exttravasa (tudo com "t" duplo, vai entender) é uma coisa, Nelson Freire tocando Debussy é outra. Até aí, tudo bem. Mas tem uns artistas que, pelo menos para mim, tornam tênue e diluída essa fronteira entre o popular e o erudito.

Tem, por exemplo, o André Mehmari, que, no final do mês passado, levou o seu trio à Sala São Paulo e, com uma orquestra de câmara constituída de integrantes da Osesp, realizou um dos concertos (para mim a palavra é essa) mais lindos da temporada 2008.

E tem também um ídolo do Mehmari, o Egberto Gismonti, cujas polirritmias para mim sempre estiveram mais próximas do que de mais sofisticado se faz na música erudita dos século XX e XXI do que do lixo primário com que as FMs comerciais bombardeiam diariamente seus incautos ouvintes.

Nessa semana, Gismonti recebeu uma homenagem musical muito bacana neste Festival Leo Brouwer, com direção artística de Edelton Gloeden, que foi promovido em São Paulo pelo Instituo Cervantes em parceria com o Departamento de Música ECA/USP.

Um dos mais estimulantes compositores da atualidade, e venerado em Cuba como um Villa-Lobos local, Brouwer é um ícone do violão, embora sua produção esteja bem longe de se limitar apenas a este instrumento. Foi um prazer ouvir sua prosa clara e articulada, suas idéias profundas e amadurecidas, seu jeito simples, acessível e (que o digam as meninas da Orquestra de Câmara da USP) galanteador.

À frente da Ocam, no concerto de encerramento do festival, constituído apenas de obras de sua autoria, domingo (14/12), no Masp, Brouwer mostrou uma técnica de regência algo heterodoxa, mas bastante comunicativa, extraindo dessa esforçada orquestra de alunos raros efeitos de expressividade e dinâmica.

O fecho da apresentação foi Gismontiana, suíte concertante para quarteto de violões e orquestra, construída a partir de cinco temas de Gismonti. Os solos ficaram a cargo do Quaternaglia, que exibiu especial destreza na Cadência da obra. Vale destacar, ainda, o lirismo com que João Luiz conduziu A Fala da Paixão, momento mais tocante da peça.

Brouwer, que muito fez também pela sofisticação da música popular em seu país (basta ouvir seu trabalho com a banda Irakere, do pianista Chucho Valdés), disse ver em Gismonti um legítimo continuador da tradição de Villa-Lobos e Camargo Guarnieri - o que não é dizer pouco. No ano que vem, ele percorre o mundo celebrando seus 70 anos de idade, mas Gil Jardim, chefe do Departamento de Música da USP (e também ele um músico com atuação nas vertentes erudita e popular), já avisou: o final das comemorações vai ser em São Paulo, em dezembro, quando Brouwer, mais uma vez, nos dará a oportunidade de refletir sobre as delícias e as riquezas de uma música sem rótulos definidos nem fronteiras demarcadas, tendo como única meta a qualidade.

 





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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