Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sexta-Feira, 22 de Junho de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Gismonti e Brouwer: encruzilhadas do popular e erudito (15/12/2008)
Por Irineu Franco Perpetuo

Claudia Leitte cantando Exttravasa (tudo com "t" duplo, vai entender) é uma coisa, Nelson Freire tocando Debussy é outra. Até aí, tudo bem. Mas tem uns artistas que, pelo menos para mim, tornam tênue e diluída essa fronteira entre o popular e o erudito.

Tem, por exemplo, o André Mehmari, que, no final do mês passado, levou o seu trio à Sala São Paulo e, com uma orquestra de câmara constituída de integrantes da Osesp, realizou um dos concertos (para mim a palavra é essa) mais lindos da temporada 2008.

E tem também um ídolo do Mehmari, o Egberto Gismonti, cujas polirritmias para mim sempre estiveram mais próximas do que de mais sofisticado se faz na música erudita dos século XX e XXI do que do lixo primário com que as FMs comerciais bombardeiam diariamente seus incautos ouvintes.

Nessa semana, Gismonti recebeu uma homenagem musical muito bacana neste Festival Leo Brouwer, com direção artística de Edelton Gloeden, que foi promovido em São Paulo pelo Instituo Cervantes em parceria com o Departamento de Música ECA/USP.

Um dos mais estimulantes compositores da atualidade, e venerado em Cuba como um Villa-Lobos local, Brouwer é um ícone do violão, embora sua produção esteja bem longe de se limitar apenas a este instrumento. Foi um prazer ouvir sua prosa clara e articulada, suas idéias profundas e amadurecidas, seu jeito simples, acessível e (que o digam as meninas da Orquestra de Câmara da USP) galanteador.

À frente da Ocam, no concerto de encerramento do festival, constituído apenas de obras de sua autoria, domingo (14/12), no Masp, Brouwer mostrou uma técnica de regência algo heterodoxa, mas bastante comunicativa, extraindo dessa esforçada orquestra de alunos raros efeitos de expressividade e dinâmica.

O fecho da apresentação foi Gismontiana, suíte concertante para quarteto de violões e orquestra, construída a partir de cinco temas de Gismonti. Os solos ficaram a cargo do Quaternaglia, que exibiu especial destreza na Cadência da obra. Vale destacar, ainda, o lirismo com que João Luiz conduziu A Fala da Paixão, momento mais tocante da peça.

Brouwer, que muito fez também pela sofisticação da música popular em seu país (basta ouvir seu trabalho com a banda Irakere, do pianista Chucho Valdés), disse ver em Gismonti um legítimo continuador da tradição de Villa-Lobos e Camargo Guarnieri - o que não é dizer pouco. No ano que vem, ele percorre o mundo celebrando seus 70 anos de idade, mas Gil Jardim, chefe do Departamento de Música da USP (e também ele um músico com atuação nas vertentes erudita e popular), já avisou: o final das comemorações vai ser em São Paulo, em dezembro, quando Brouwer, mais uma vez, nos dará a oportunidade de refletir sobre as delícias e as riquezas de uma música sem rótulos definidos nem fronteiras demarcadas, tendo como única meta a qualidade.

 





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Auf Wiedersehen, Sir Rattle Por Leonardo Martinelli (22/6/2018)
Com Richard Strauss, ópera segue bem em 2018 no Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (19/6/2018)
Julia Lezhneva: Triunfo barroco na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (12/6/2018)
Movimento Violão, 15 anos de atividades eternizadas num lançamento de fôlego Por Camila Frésca (4/6/2018)
Dois elencos, duas Traviatas Por Jorge Coli (28/5/2018)
Uma grande surpresa e um grande concerto para piano Por João Marcos Coelho (25/5/2018)
Suisse Romande: Master class na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (15/5/2018)
Um matrimônio espirituoso, vivo e musical Por Jorge Coli (8/5/2018)
“Fausto” é novo marco artístico do Festival Amazonas de Ópera Por Nelson Rubens Kunze (7/5/2018)
Clássico em terreno popular: o encantador recital de Cristian Budu na série “Tupinambach” Por Camila Frésca (3/5/2018)
Um "Faust" digno dos grandes teatros internacionais Por Jorge Coli (2/5/2018)
Cristian, Jamil e OER empolgam o Municipal lotado Por Irineu Franco Perpetuo (30/4/2018)
Verdi futurista aterrissa no Theatro Municipal do Rio Por Nelson Rubens Kunze (30/4/2018)
Ótima "Traviata" estreia em Belo Horizonte Por Nelson Rubens Kunze (27/4/2018)
A Camerata Romeu e a reinvenção da música Por João Marcos Coelho (26/4/2018)
Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp Por Nelson Rubens Kunze (25/4/2018)
Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
 

 
São Paulo:

26/6/2018 - Geneva Camerata e Pieter Wispelwey - violoncelo

Rio de Janeiro:
22/6/2018 - Ópera A flauta mágica, de Mozart

Outras Cidades:
23/6/2018 - Sorocaba, SP - Operilda na Orquestra Amazônica
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046